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Um verdadeiro gol de placa! Foi o que fizeram os tetracampeões de futebol Raí Souza Vieira de Oliveira e Leonardo Nascimento de Araújo ao criar a Fundação Gol de Letra, em 1998. Os dois se tornaram amigos quando davam incríveis shows de bola na Seleção Brasileira, no São Paulo, e depois no Paris Saint-Germain, da França. Ao retornar ao Brasil, há quase 11 anos, Raí e Leo criaram a ONG com a missão de contribuir para a formação educacional e cultural de crianças e jovens carentes. Deu muito certo! Atualmente, existe Gol de Letra na Vila Albertina, na capital paulista, e na comunidade do Caju, no Rio. E a entidade foi reconhecida como modelo pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Todo orgulhoso, Raí contou à TITITI como tem sido a aventura de melhorar a situação de pelo menos alguns brasileirinhos.
Para ler, clique nos itens abaixo:
- 1. Este ano a Fundação Gol de Letra faz 10 anos. Imaginou que um dia a instituição seria reconhecida pela Unesco como modelo?
- Raí: A fundação completa 10 anos de trabalho ininterrupto em agosto. Nossa intenção sempre foi de que o projeto durasse, até porque educação precisa de continuidade. Mas, de fato, crescemos mais do que imaginávamos e com reconhecimento. Eu e o Leonardo (atual técnico do Milan) estamos cada vez mais convictos de que a boa formação das crianças é a saída, o caminho para um mundo melhor.
- 2. Quando vê notícias positivas sobre seu trabalho na fundação o que sente?
- Raí: Que nosso objetivo foi cumprido e que eu, na verdade, realizei um projeto de vida.
- 3. Como pintou a ideia da fundação e a parceria com o Leonardo?
- Raí: Primeiro eu tinha vontade de fazer algo a mais (com relação à cidadania). Acho que todo mundo tem que tentar ajudar. O Leonardo também tem esta convicção e quando jogávamos juntos resolvemos unir forças e montar um projeto.
- 4. O que a Gol de Letra oferece?
- Raí: As crianças e adolescentes de 7 a 14 anos têm quatro horas de atividades diárias que envolvem cultura, esporte, literatura e informática. Então, todos os dias recebem informações e durante sete anos têm um ensino complementar além daquele do colégio normal. E para os jovens de 15 a 21 anos, a gente leva adiante um curso de formação de monitores. Eles podem se formar nessa função ou usar o que aprenderam em outras profissões.
- 5. Há a intenção de expandir a fundação para outras regiões do país?
- Raí: Sim. Temos um projeto de disseminação dessa metodologia que deu certo. Mandamos monitores, implantamos o projeto e outras pessoas cuidarão. Uma empresa de Goiás já tem dois trabalhos baseados na nossa metodologia.
- 6. O que não pode faltar na educação?
- Raí: Profissionais preparados para um ensino de qualidade. E exercício contínuo a fim de tornar o aprendizado interessante. É preciso considerar a vida que a criança leva em casa e na comunidade e como poderá utilizar o que aprendeu na prática.
- 7. Como foi a escola pra você? Era bom aluno? O que mais marcou?
- Raí: Eu era distraído. Tinha dificuldade em algumas matérias, mas dava conta. Uma coisa que me influenciou foi que minha escola tinha atividades extras como música, esporte, teatro... Dei sorte: aprendia e me formava também como pessoa.
- 8. Onde estudou? Tem algum professor de quem sente saudade?
- Raí: No Colégio Marista, em Ribeirão Preto (SP). Gostava de um professor de ciências. Era uma pessoa mais jovem e a metodologia dele também.
- 9. O que deve ser mudado no ensino?
- Raí: As condições de trabalho e a qualificação dos professores precisam melhorar bastante. Além disso, uma maior participação da família é importante. Esse é o grande diferencial da Fundação Gol de Letra. A gente tem cerca de 80 a 90% de presença na reunião de pais. As coisas estão melhorando devagar, mas temos que priorizar o ensino ainda mais para recuperar o que está defasado. Enquanto não houver educação pública de qualidade, não teremos um país justo.