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TECNOLOGIA

Geração interativa

Pesquisa mostra que as crianças e os jovens brasileiros usam internet, celular, videogame e TV mais para brincar do que para estudar


11/03/2009 19:27
Texto Patrícia Cerqueira
Educar
Foto: Wikimedia Commons
Foto: Tecnologia
Aparelhos tecnológicos viram itens para lazer de crianças e jovens
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Computador, celular, videogame e TV ainda são pouco usados com função educativa no Brasil e na América Latina. É o que mostrou a pesquisa A Geração Interativa na Ibero-América: Crianças e Adolescentes diante das Telas, realizada pelo programa EducaRede, da Fundação Telefônica. Computador, celular, videogame e TV, hoje, significam diversão. Para as crianças e adolescentes, essa tecnologia toda é lazer. "Não estamos sabendo explorar as possibilidades dessas ferramentas na Educação das crianças porque somos forasteiros digitais", afirma Maria do Carmo Brant de Carvalho, coordenadora-geral do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária). 

Realizada pelo programa EducaRede, da Fundação Telefônica, a pesquisa contou com a participação de 900 escolas públicas e privadas de cidades em sete países da América Latina (Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru e Venezuela). Mais de 25 mil estudantes, dos 6 aos 18 anos, responderam entre outubro de 2 007 e junho de 2 008 a um extenso e detalhado questionário on-line sobre sua vida, família, escolaridade e usos, costumes e afinidades com a tecnologia. Aos mais novos foram dirigidas 21 questões e aos mais velhos, 60. No Brasil, 790 crianças, entre 6 e 9 anos, e 3 415 estudantes, entre 10 e 18 anos, todos de áreas urbanas do Estado de São Paulo, responderam as perguntas. "Fiquei impressionado com a relação de prioridades investigadas. A pesquisa queria saber se tinham ou não acesso a internet, onde, por quanto tempo, em que lugar acessavam, se na escola ou em casa", completou Antonio Carlos Valente, presidente da Fundação Telefônica e da Telefonica. Para ele, o estudo também é um grande orientador de negócios. O documento final, que se transformou num livro, desvendou pontos (positivos e negativos) sobre o uso da internet, videogame, celular e TV por crianças. "A pesquisa é um instrumento de análise e discussão de como podem ser dirigidas ações responsáveis sobre uso da tecnologia para esse público", disse Sergio Mindlin, diretor-presidente da Fundação Telefonica. 

Para fazer download do livro A Geração Interativa, clique aqui 

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Qual é a tecnologia preferida por esta geração?
Apesar de o celular ser a tela mais difundida entre a geração interativa (42% das crianças e 83% dos adolescentes possuem o aparelho), o dado que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi a preferência pela rede. O estudo apontou que, para a Geração Interativa, o acesso a estes dispositivos se transforma em um bem de primeira necessidade. "A internet se torna, para esta geração, o que a televisão foi para as gerações anteriores a ela", aponta Charo Sádaba Chalesquer, uma das coordenadoras do estudo e pesquisadora da Universidade de Navarra, na Espanha. A rede mundial "multiplica exponencialmente as possibilidades de acesso a conteúdos, de geração de conteúdos próprios e de comunicação com seu grupo de iguais. O acesso à rede é um vínculo de união entre os membros" dos nativos digitais.
2. Como essa nova geração usa o computador?
O uso do computador por crianças e jovens para a Educação ainda é minguado: um em cada dois estudantes do Estado de São Paulo diz que nenhum professor utiliza o computador para explicar matéria ou estimula o uso da internet. A ironia é que o local onde as crianças mais acessam a internet é a escola (63%).
3. Como é o uso do computador no Brasil?
O Brasil se destaca por ter uma Geração Interativa de vanguarda. "Descobrimos que a mesma criança interage com os diversos meios tecnológicos, o que a coloca na vanguarda tecnológica", afirmoa Charo Sádaba Chalesquer, coordenadora do estudo. Temos aqui um alto número de crianças e jovens que não só navegam, mas também produzem conteúdo na internet. "Eles compartilham conhecimento", disse Maria do Carmo Brant de Carvalho, coordenadora-geral do Cenpec.
4. Como é o acesso à internet?
O Brasil é campeão de acesso à internet na escola entre 6 e 9 anos: 63%, se comparado aos outros países da América Latina. E é o segundo país com maior penetração de acesso à internet em casa (46%). Apesar do acesso na escola, o estudo mostra que poucos professores recorrem à internet para explicar uma matéria ou, pior, estimulam o uso da rede para fazer pesquisas, obter conhecimento, estudar. Esse resultado coloca o Brasil como o país com menores professores ativos no uso e recomendação da internet. "Se um dos pilares da Educação e da aprendizagem é a observação de modelos a seguir, os docentes devem transformar-se em um testemunho de alto valor educacional e conselheiro de boas práticas quanto ao bom uso da internet", aponta o estudo.
5. Como é a supervisão do uso da internet?
O uso da internet é feito sem mediação. A pesquisa mostra que 80% dos jovens navegam sem a supervisão educativa de adultos - pais ou professores. Em São Paulo, por exemplo, seis em cada dez jovens navegam em lan houses. Isso coloca o país no primeiro lugar na América Latina dos usuários desacompanhados. Sem a mediação, os adolescentes adotam com mais facilidade comportamentos de risco, como conhecer e fazer laços de amizades pessoalmente com amigos virtuais: algo realizado por entre um em cada dois adolescentes brasileiros. Essa atitude de testar o limite parece ser característica do usuário, independente da nacionalidade. Quando o quesito é conversar com desconhecidos: 29% dos brasileiros admitiram essa prática contra 37% tanto dos argentinos quantos dos chilenos ou 34% dos venezuelanos, países campeões da conversa entre estranhos. Maria do Carmo Brant de Carvalho, coordenadora-geral do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) instigou a todos que estavam assistindo ao debate para não se acomodarem: "É responsabilidade dos adultos educar os pequenos, inclusive no mundo digital".
6. De onde vem o tempo usado para navegar?
Ou o que os jovens e crianças estão deixando de fazer por causa da internet? A resposta foi considerada peculiar no caso do Brasil: o estudo é o menos substituído (18%). Na Argentina, por exemplo, 39% deixam de fazer trabalhos escolares para se plugar na rede. Por aqui, a TV é a vítima: 53% a trocam pelo computador. E aos pais uma boa notícia: apenas 12% dos estudantes optam por navegar a ficar na companhia da família.
7.Que conteúdo os jovens acessam?
Dois em cada dez jovens brasileiros gastam mais de duas horas diárias pendurados nos videogames, colocando o Brasil na dianteira entre os outros países da América Latina. No Brasil, 72% dos jovens jogam no computador, sendo que 74% dos meninos jogam videogame e quase 45% deles, em rede. Gostam de compartilhar ou querem mesmo é disputar? Ao invés da boa e velha pelada na quadra, travam rachões de Fifa Soccer on line. O país é, infelizmente, o segundo que mais admite usar todos jogos pirateados (32%), ficando atrás apenas do Chile (36%).
8. Os jovens usam o celular?
Sim, cada vez mais. Cerca de 50% das crianças de 6 a 9 anos têm o aparelho celular. O número de celulares cresce entre os adolescentes: 79% têm o aparelho. Na mão das meninas, o celular é de fato uma tela que não se apaga. Elas se sobressaem no tempo em que os mantém ligados e são as que mais acreditam (30%, acima da média global) que a vida pioraria se ficassem duas semanas sem o telefone.
9. Como os jovens usam o celular?
Os mais novos usam o celular para jogar: 53% das crianças entre 6 e 9 anos aproveitam os jogos, independente do sexo. Entre os mais velhos, o celular é usado para falar (80%), enviar e receber mensagens (77%) e participar de chats (14%). O envio de SMS, porém, é pequeno. Um dado interessante é que, apesar dos apelos para desligar o aparelho dentro do cinema, 43% dos brasileiros sempre têm o aparelho ligado durante o filme.
10. Como os jovens vêem a TV?
O perfil babá-eletrônica da TV fica claro quando 60% das crianças entre 6 e 9 anos ficam sozinhas na frente do aparelho. Os brasileiros são os líderes no uso da TV: 46% dos jovens entre 10 e 18 anos ficam mais de duas horas diante da rainha das telas durante a semana. Mas, quando a TV está ligada, ela não é exclusiva: 80% dos jovens comem diante dela; 39% dormem (!) e, surpreendentes, 32% fazem lição de casa e 14% lêem na companhia do blábláblá interminável da TV. Sim, essa garotada consegue fazer tudo-ao-mesmo-tempo-agora. São multitasking!
11. O que eles preferem TV ou internet?
A disputa é boa, principalmente, quando se considera que ambas são vistas/usadas pelas crianças e pelos adolescentes como uma forma de lazer interativo. A TV é a opção de lazer preferida por 13% das crianças entrevistadas nos sete países e por 23% dos estudantes. Quando a rede mundial de computadores entra no páreo, porém, a geração interativa "se inclina" para ela como tela preferida: 45% das crianças entre 6 e 9 anos e 37% dos mais velhos se divertem mais com o que está no computador.

 

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