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SAÚDE

Guia da saúde escolar

Caxumba, catapora... e agora, gripe suína. Saiba como evitar doenças em crianças com idade escolar e aprenda o que fazer se seu filho ficar doente


29/06/2009 12:00
Texto Bruna Nicolielo
Educar
Foto: Dreamstime
Foto: Bebê X doenças: saiba como evitar
Bebês e crianças maiores sofrem com doenças no inverno: saiba como evitar
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O Colégio Santo Ignácio, no Rio de Janeiro (RJ), anunciou no dia 24 de junho que anteciparia as férias por conta da contaminação de alunos pela influenza A (H1N1), também conhecida como gripe suína. Antes dele, outras escolas do país decidiram ficar em quarentena para evitar o contágio. A maioria só reabre em agosto, quando começa o segundo semestre. Unidades do Pueri Domus, do Objetivo, em São Paulo (SP), e do Colégio Marista, em Belo Horizonte (BH), entre outros, interromperam momentaneamente suas atividades. A maioria dos alunos contaminados contraiu o vírus da gripe suína em viagens ao exterior. 

A situação atual, porém, não é motivo para pânico -- apesar de exigir a atenção dos pais. E precaução, como você sabe, nunca é demais quando se trata da saúde dos pequenos. "O vírus da gripe suína é um pouco mais agressivo do que o da gripe comum, mas não tem comportamento tão letal quando parecia", diz o pediatra Alessandro Danesi, do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo (SP). Ele explica que a doença, cujos sintomas incluem febre alta, dores musculares e tosse, não chegou ao Brasil de forma tão intensa como no México, Argentina e Estados Unidos, mas que requer cuidados, pois pode ser fatal para pessoas com deficiências imunológicas. "Bebês e idosos tem sistema imunológico frágil, por isso são grupos de risco". A disseminação da doença é rápida e o contato maior com secreções no inverno torna a proliferação do vírus mais fácil. "Medidas de prevenção são muito importantes e os pais e a escola tem que tomar cuidado", explica. 

Para além do surto presente de gripe suína, há uma série de outras doenças virais que acometem crianças, principalmente no inverno. O ambiente escolar torna mais fácil a proliferação de doenças, devido a grande concentração de estudantes. "Quadros virais são comuns nessa época e ambientes pouco arejados favorecem a transmissão de doenças", afirma o infectologista pediátrico do Hospital Israelita Albert Einstein Márcio Moreira. Ele explica que manter a vacinação em dia e fazer acompanhamento médico regular são os principais cuidados para evitar doenças. "Conhecer bem a criança ajuda o médico a dar orientações para qualquer doença", completa.

Para ajudá-lo na prevenção e tratamento de doenças virais, comuns em crianças, entrevistamos pediatras e elaboramos o guia a seguir.

 

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Doenças virais mais comuns em crianças
Gripes, caxumba, catapora, entre outras, são doenças contagiosas ocasionadas por vírus. Sua transmissão ocorre pelo ar ou por contato direto com secreção de pessoas doentes. A seguir, saiba quais os principais sintomas das doenças virais mais comuns nos pequenos.



Gripe

Causada pelo vírus Influenza, pode provocar coriza, tosse, febre baixa e dor de cabeça, além de dor muscular, na garganta e mal-estar.



Resfriado

Menos intensa que a gripe, esta infecção viral pode causar coriza, tosse, febre baixa e dor de cabeça.



Caxumba

Dá febre, dor no ouvido e inchaço na nuca.



Catapora

Doença contagiosa que atinge principalmente crianças de 2 a 10 anos. Na primavera ocorre o auge da contaminação, por via respiratória e pela pele. Os primeiros sinais são mal-estar e manchas vermelhas no corpo -- os incômodos pontinhos vermelhos, que coçam muito.



Meningite

Os sintomas se assemelham aos da gripe e resfriados. A doença acomete principalmente as crianças, que ficam irritadas, têm febre e dor de cabeça. No exame clínico, percebe-se que a nuca está um pouco rígida e que, quando se tenta dobrá-la, a reação é de dor.



Sarampo

Manchas avermelhadas na pele, que começam no rosto e progridem em direção aos pés. Além disso, causa febre, tosse, mal-estar, conjuntivite e coriza.



Rubéloa

Dor de cabeça, no corpo e ao engolir, além de febre, coriza e aparecimento de gânglios caracterizam os sintomas da rubéola.



Diarréia

Infecções virais podem causar diarréia, que se caracteriza pelo aumento do número de evacuações e a perda de consistência das fezes. Sua pior complicação é a desidratação.



Otite

Provoca inflamação e costuma ocorrer durante ou logo após gripes, resfriados, infecções na garganta ou respiratórias. Causa dor forte, diminuição da audição, febre e secreção local. Também pode ser causada por bactéria.
2. Guia da vacinação
Para proteger as crianças de doenças, é necessário manter a vacinação em dia. No Brasil, o calendário oficial de vacinação do Ministério da Saúde totaliza cinco: BCG (contra tuberculose), VOP (poliomielite), tetravalente (tétano, difteria, coqueluche e meningite), SRC (sarampo, rubéola e caxumba) e a vacina contra hepatite B. Em alguns Estados, há ainda uma sexta vacina, contra febre amarela. Todas têm datas específicas do ano para serem aplicadas e a maioria três doses e um reforço. É fundamental, porém, tomar todas as doses do calendário. Do contrário, a criança não estará totalmente imune à doença. Clínicas particulares oferecem outras opções, além das vacinas gratuitas do Ministério da Saúde.



Confira aqui a lista completa de vacinas para cada faixa etária, do nascimento ao 10 anos, segundo o Ministério da Saúde. (Observação: a lista abaixo contém vacinas para todas doenças, não apenas as virais, tema desta reportagem).



Ao nascer

BCG - ID (dose única): evita formas graves de tuberculose



1 Mês

Vacina contra hepatite B (2ª dose)

Vacina contra hepatite B (1ª dose): evita hepatite B.

Vacina contra hepatite B (2ª dose)





2 meses

Vacina tetravalente (DTP + Hib; 1ª dose): evita difteria, tétano, coqueluche, meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b.

VOP (1ª dose): evita Poliomielite (paralisia infantil)

VORH (1ª dose): evita diarréia por Rotavírus



4 Meses

Vacina tetravalente (DTP + Hib; 2ª dose)

VOP (2ª dose)

VORH (2ª dose)



6 Meses

Vacina tetravalente (DTP + Hib; 3ª dose)

VOP (3ª dose)

Vacina contra hepatite B (3ª dose)



9 Meses

Vacina contra febre amarela (dose inicial): evita febre amarela e deve ser tomada por crianças que morem ou visitem áreas endêmicas (AP, TO, MA MT, MS, RO, AC, RR, AM, PA, GO e DF), área de transição (alguns municípios do PI, BA, MG, SP, PR, SC e RS) e área de risco potencial (alguns municípios de BA, ES e MG).



12 Meses

SRC (tríplice viral; dose única): evita sarampo, rubéola e caxumba



15 Meses

VOP (reforço)

DTP (1º reforço)



4 a 6 anos

DTP (2º reforço)

SRC (reforço)



10 Anos

Vacina contra febre amarela (reforço)
3. Dicas para os pais
É preciso manter as crianças hidratadas e alimentá-las bem, atentando para eventuais anormalidades. "Os pais devem ter bom senso e procurar o médico da criança sempre que seja necessário", explica o pediatra Márcio Moreira, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo (SP). Além disso, é importante seguir à risca o calendário de vacinação (veja item O Guia da vacinação) e fiscalizar a escola, para saber se ela está fazendo a parte dela.
4. Cuidados na escola
A escola tem um papel importante no combate à doenças. "Tomar algumas medidas, como lavar brinquedos usados por todas as crianças e treinar funcionários, podem ter impacto na redução da transmissão de enfermidades", explica o pediatra Renato Kfouri, diretor da diretor da Sociedade Brasileira de Imunização (SBI). Outra medida importante é cobrar dos pais a caderneta de vacinação. "As escolas também podem fazer palestras para conscientizar os pais sobre a importância das vacinas", diz o pediatra Márcio Moreira, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo (SP). Ele também sugere envolver os adolescentes por meio de palestras especiais para esse público. Já crianças menores devem ser cuidadas por um funcionário exclusivo, para evitar a contaminação de outros estudantes. Moreira recomenda deixar a criança doente em casa, esperando 24 horas sem febre. "Se a criança estiver doente, é mais prudente não levá-la à escola".



A escola também tem obrigação de notificar os pais sobre casos de doença. "Nesses casos, a conduta correta é procurar o pediatra da criança comunicando sobre caso de doença na escola e saber quais os procedimentos", explica o pediatra Alessandro Danesi, do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo (SP). A notificação funciona como um alerta para os adultos, que também precisam se proteger, e vale principalmente para mães gestantes. Professores e funcionários da escola, quem não foram vacinados na infância, também precisam se proteger -- eles devem tomar vacinas contra gripe, pneumonia, difteria e tétano, hepatite A e B, varicela (catapora), tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba).
5. Gripe Suína
Pessoas que vieram de países afetados pela doença, como Estados Unidos, México, Chile e Argentina, ou tiveram contato com pessoa doente nos últimos 10 dias devem ficar atentas. Os sintomas da gripe suína incluem tosse, irritação nos olhos, coriza, dor de cabeça, febre alta e repentina e dor nos músculos e articulações. Por isso, quem teve esses sintomas nos últimos 10 dias precisa procurar um médico. Vale buscar um serviço de saúde no site www.saude.gov.br . Há hospitais de referência em todo o país com atendimento especializado. "A criança deve ser afastada até diagnóstico. Se a doença for confirmada, ele fica em observação, em casa", explica Danesi.



Entre as recomendações para prevenir a transmissão, ele cita lavar bem as mãos com freqüência, evitar aglomerações, dando preferência à ambientes ventilados, e não compartilhar alimentos, copos toalhas e objetos.


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