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16 sintomas do vício em internet - e algumas dicas

Cada vez mais jovens como você se interessam pelo mundo virtual, deixando o real de escanteio. Internet em excesso, assim como álcool e drogas, pode viciar, causa abstinência, mas tem tratamento. Saiba mais


03/03/2011 17:19
Texto Ligia Menezes
Educar

Você chega da escola ao meio dia. A primeira coisa que faz é entrar no msn. Em seguida, almoça e se conecta a alguma rede social: manda recados para os amigos e joga os games oferecidos, até às três. Como se não bastasse todo o tempo que já passou online, decide pesquisar na rede o tema do trabalho que terá em classe na semana que vem (ou pelo menos é o que diz para os seus pais que fará). Às cinco, já com a vista cansada, liga o videogame na internet e joga com os amigos, conversando com eles por meio de um fone de ouvido. Às oito vai jantar, faz rapidamente o dever de casa e volta para o msn, até a hora de dormir, depois de muita insistência dos seus pais, lógico.

Se a cena acima retrata o seu cotidiano, você precisa entender mais sobre o vício na rede, problema que tem se tornado mais comum do que se imagina. "Estimamos que 10% dos usuários da internet já tenham se tornado dependentes", analisa o psicólogo Cristiano Nabuco de Abreu, coordenador do programa de Dependentes em Internet (www.dependenciadeinternet.com.br) do Hospital das Clínicas, em São Paulo. "Desses, 3% são jovens de até 16 anos", completa o psiquiatra infantil Fábio Barbirato, do Rio de Janeiro.

Afinal, qual é a linha entre o normal e a doença quando o assunto é internet? Quais são os sintomas que identificam a dependência? Como tratar? Confira a seguir as dicas dos especialistas:

16 sintomas do vício:
1. Ter mais de cinco amigos virtuais, que você simplesmente não conhece pessoalmente;
2. Exclusão. Antes, vários amigos ligavam para você querendo conversar. Agora, isso é bem raro;
3. Ficar irritado quando está há mais de uma hora sem internet;
4. Evitar sair de casa se for para ir a lugares sem computador;
5. Só falar e saber de games da web, redes sociais e "pessoas virtuais";
6. Mentir a respeito do tempo que costuma passar conectado;
7. Ir mal na escola por conta do computador - as notas baixas começaram desde que passei a usar mais a internet;
8. Desobedecer os pais quando eles o mandam sair do computador - geralmente meus pais enchem o meu saco para eu sair do computador e a cada dia insistem mais;
9. Não ter motivação para fazer nada que não tenha a ver com o computador ou com a internet;
10. Estar com a autoestima bem baixa;
11. Ter se tornado um adolescente caseiro e solitário;
12. Sempre se negar a fazer as coisas que antes lhe davam muito prazer;
13. Se sentir triste, ansioso ou deprimido na maior parte do tempo;
14. Ir à lan houses como se esse fosse o principal passeio ou atividade do seu dia; inclusive gasta muito dinheiro com isso;
15. Já ter passado mais de 10 horas online em um único dia.
16. Já deu prejuízo para os seus pais ou já comprometeu mais da metade da mesada para pagar as contas da lan house;

 

Para ler, clique nos itens abaixo:
O que faço se eu apresentar os sintomas?
Primeiro, lembre-se de que ter de um a quatro sintomas não significa necessariamente ser viciado, apenas indica que é preciso se controlar com relação ao acesso à internet. Afinal, você pode estar começando a se prejudicar pelo excesso de tempo conectado.

Se você tiver mais de quatro sintomas e eles forem frequentes, a melhor coisa é procurar um especialista na área de dependência, como um psicólogo ou psiquiatra. Em casa, tente novos hábitos, novas atividades, como praticar esportes durante à tarde e estipular um tempo para usar o computador. Também procure não se isolar, trancando-se no quarto só para falar com seus "amigos virtuais". "Nesse caso, o ideal é que o computador fique em um lugar de passagem dos moradores da casa, e não no quarto onde o jovem fica sozinho com o equipamento", indica o psicólogo Cristiano Nabuco de Abreu.
O vício na rede tem tratamento?
Sim, porém, para funcionar, a família precisa se envolver. Afinal, costuma ser bem difícil para o jovem com dependência em internet se controlar sozinho. Em alguns casos, é preciso até tomar medicamentos que controlam a compulsão. O ponto principal do tratamento é fazer com que a família ajude o jovem a perceber que passa tempo demais na frente do computador.

Em quadros simples e moderados, o tratamento com psicoterapia pode durar entre um ano a um ano e meio. Nos mais graves, chega até a dois anos. Isso se a família for participativa, caso contrário, o tratamento pode se alongar.

Muitas vezes, junto com terapia, é preciso tratar para depressão, fobia social e transtorno bipolar, problemas ligados ao vício online.
Vou sofrer de abstinência?
Sim. Assim como em dependentes para droga, a abstinência do vício em internet se caracteriza por irritabilidade, fissura e intolerância.
Por que essa dependência aconteceu? É minha culpa?
Não existe apenas uma explicação e sim, fatores que podem levar ao vício. O primeiro deles é a predisposição genética: se tem casos na família de vício em jogos, álcool ou drogas, é preciso ficar atento com os excessos dos mais jovens da casa. O indicado pela Academia Americana de Pediatria é ficar conectado à internet por, no máximo, duas horas diárias.

Outro fator, de acordo com Fábio Barbirato, psiquiatra infantil, ocorre pelos pais não saberem como vigiar algo relativamente novo, que não foi da época deles, como a internet. "Isso, porém, não significa que a culpa seja dos pais, afinal, é difícil controlar algo que não se conhece", explica.
É um vício perigoso? Por que?
Sim. Ele prejudica em vários aspectos, desde os estudos à sociabilidade. Isso significa que a pessoa tende a sofrer de solidão, o que pode desencadear depressão, síndrome do pânico e transtorno bipolar.
Entenda o vício na prática
Na infância, o vício online será acompanhado por notas baixas e sonolência, podendo até fazer com que a criança perca o ano escolar. Na adolescência, o vício torna o jovem tímido, sem amigos e com dificuldade para arrumar namorada(o), por exemplo. Na vida adulta, além de outras áreas do cotidiano, o lado profissional também fica comprometido.

 

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