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ESCOLA

Gabriel Bá: "A escola nos prepara a olhar para o mundo e enxergar o que se conecta com a gente"

Por ser uma criança introvertida, a escola era o mundo fora de casa e um espaço de socialização para o quadrinista


25/05/2012 14:05
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Foto: André Porto
Foto: Para Gabriel Bá, estudar é ampliar o mundo e a capacidade de tomar decisões
Para Gabriel Bá, estudar é ampliar o mundo e a capacidade de tomar decisões

Como muitos dos autores de quadrinhos, ou escritores e criadores em geral, fui uma criança mais introvertida e tímida, então a leitura e a imaginação sempre me foram mais atrativas do que me aventurar no mundo, fazer parte das turmas, sair de casa para vadiar e curtir a vida. Eu passava muito mais tempo em casa desenhando e lendo do que na rua jogando bola. Em parte porque tenho um irmão gêmeo e a gente podia fazer isso junto. Eu e o Fábio, a gente se bastava e ficávamos desenhando o tempo todo juntos e isto acabou nos levando a fazer histórias em quadrinhos.

Eu sempre gostei da escola porque era o lugar onde eu convivia com as outras pessoas. Eu era muito bom aluno, gostava de estudar para ir bem e ficava mal se não ia bem nas matérias, mesmo se tivesse alguma que eu não entendesse. No colegial, química era uma coisa que eu nunca consegui boas notas, por mais que eu achasse que entendesse, eu não entendia. Mas eu gostava dessa experiência da escola.

Quando fui para a faculdade, demorei a entender que a experiência era outra. Não era só uma questão de ouvir o que o professor falava, decorar e fazer tudo na prova, tanto que não tinha prova. E vi que a faculdade era outra coisa. Nessa área que estou, em quadrinhos, tem muita gente que nem fez ensino superior. Você não precisa ir para a faculdade para fazer quadrinhos, mas meu irmão e eu fomos porque para nós era importante e acabamos gostando muito. Tivemos contato com coisas relacionadas ao mundo da arte, portanto relacionadas com quadrinhos, mas de uma forma diferentes. Conhecemos outras técnicas, outro tipo de artista, outros pensamentos, outras profissões.

Acredito que isso dá um repertório muito maior do que focar apenas no que se faz: só ler quadrinhos, só ver quadrinhos, só conviver com quadrinhos, só saber falar de quadrinhos. A maioria dos meus amigos não é do ramo: são fotógrafos, jornalistas, cineastas, amigos que fiz na faculdade ou antes. Acabei criando um mundo de relacionamentos fora dos quadrinhos, e isso enriquece o meu trabalho, pois, do contrário, estaria sempre falando das mesmas coisas e olhando para o mesmo mundo.

A escola é o mundo fora de casa. Seu mundo é sua casa, você o amplia para ir para à escola. Aí seu mundo cresce de novo se você vai para a faculdade. Você continua a ter um tanto de informações que lhe são dadas, mas já tem um certo poder de decisão: pode escolher o que vai estudar, o que é mais importante para você. Algumas pessoas se perdem, pois estamos acostumados à informação dada. Quando acaba a faculdade, ninguém mais vai te dar nada, você tem que ir atrás das coisas, você tem que saber o que quer fazer, o que gosta, o que não gosta.

A educação inteira é importante por conta disso: ela o ajuda a preparar para tomar as próprias decisões, saber o que você quer, o que você não quer, saber correr atrás, se aprofundar nas coisas, porque o mundo não vai te entregar isto. As coisas estão aí, mas se você não se prepara para saber aproveitar, você perde. Se você não sabe para onde olhar, você não as enxerga. Acho que a escola deveria ser isto: preparar-nos para saber olhar para o mundo e enxergar o que se conecta com você

Gabriel Bá, ao lado de seu irmão Fábio Moon, é um dos quadrinistas mais premiados no Brasil, incluindo na lista um Jabuti e um Prêmio Eisner em quadrinhos. Entre os trabalhos que realizaram juntos, está a fanzini 10 pãezinhos, a adaptação para quadrinhos de "O Alienista" e a HQ Daytripper.


 

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