Eu nasci na classe média e, por isso, não tinha a Educação como um direito, mas sim como um caminho para o progresso. Meus pais não fizeram ensino superior, mas eram muito ligados à Educação. Sou de uma família grande, de 11 irmãos, na qual estudar algo natural. Primeiro estudei em uma escola pública e depois fiz o ginásio em uma escola privada em Recife.
Mas o "big bang" aconteceu mesmo na universidade. Foi lá que entendi o que era Educação. Sou o único dos irmãos que fez faculdade e isso realmente mudou a minha vida. Fiz Ciências Sociais, um curso que ampliou muito meus horizontes, mas que na época era considerado um curso sem futuro. Minha mãe, por exemplo, morreu sem entender a minha profissão. Mas a verdade é que ela mudou totalmente a minha visão de mundo. Tudo o que vivi depois foi consequência da minha experiência na universidade.
Francisco de Oliveira é doutor pela USP e professor titular de Sociologia do Departamento de Sociologia da FFLCH-USP. Publicou, entre outros, os livros: "Os sentidos da democracia" (organizado por Maria Célia Paoli), "A economia da dependência imperfeita" e "Collor, a falsificação da ira". É um dos palestrantes do Ciclo Mutações: Elogio à Preguiça, que acontece até o dia 27 de outubro em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte.
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