O colégio estadual de Marília era um dos bons do país. O colega Tetsuo Sato saiu de lá em 1958 e, sem fazer "cursinho", entrou na Escola Paulista de Medicina. Tinha eu dois vizinhos, filhos de taxista: um da minha idade, o Ben, que não ligava pra escola; o mais velho, aluno do colégio público, quando a família foi para São Paulo, soube que se formou engenheiro.
Entrei na Faculdade de Direito do Largo São Francisco entre os primeiros colocados. Mas a vocação me levou para aquela que Gabriel García Márquez chama de "a melhor profissão do mundo". E, graças à excelência das escolas públicas que frequentei, também aos pais, que me incentivavam a ler e estudar, aos 26 anos já estava no "olimpo da profissão", como diziam os colegas: a revista Realidade, da Editora Abril.
Em 1969, fui editar reportagens no Jornal da Tarde, que revolucionava a imprensa diária. No primeiro dia de trabalho, ouço: "Myrtinho!" - era o Ben. De uniforme branco, carregava uma bandeja de xícaras. Trocamos um abraço, palavras de recordações, e nos fitamos com uma inquirição nos olhares: mas que destinações tão diversas!
Acho que a cena resume tudo.
Mylton Severiano é jornalista. Trabalhou na revista REALIDADE, da Editora Abril, no Jornal da Tarde e na revista Caros Amigos, entre outros.
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