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INFRA-ESTRUTURA

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A forma como a escola usa o espaço, as relações interpessoais e a interação com a comunidade também são importantes na Educação das crianças


Nova-Escola

01/08/2008 14:18

Texto
Thais Gurgel

Foto: Paulo Santos
refeitorio de escola

Respeito e aprendizagem: pratos e copos de vidro e talheres de metal passaram a fazer parte do dia-a-dia das crianças da EM Bairro Industrial, em Barcarena. E sem acidentes

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Escola limpa, bem conservada e equipada, com espaços adequados, equipe comprometida e comunidade atuante em seu cotidiano. Todos esses fatores são parte do que se entende por uma boa escola. O que nem sempre fica claro entre os integrantes da equipe, porém, é o objetivo primordial de buscar um ambiente como esse: oferecer condições para que as crianças, de fato, aprendam. Para que a gestão escolar seja bem-sucedida, cada medida tomada deve considerar esse preceito, funcionando como um verdadeiro filtro para todas as ações.

A maneira como diretor, professores e funcionários enxergam os alunos é outro ponto que pode determinar o funcionamento do ambiente. "É muito comum vermos equipes que parecem lidar com ‘alunos invisíveis’, condenados a usar banheiros sujos, comer com o prato na mão, de quem se pode falar mal em sua frente, como se não estivessem lá”, afirma a consultora pedagógica do Centro de Documentação para a Ação Comunitária (Cedac), Maria Maura Barbosa. "O que existe é uma responsabilização do aluno (que é visto como quem depreda, é mal-educado) ou da comunidade (que é carente e violenta) pelas más condições da escola.”

O gestor é o responsável pela criação de um ambiente acolhedor, que viabilize o trabalho educacional, cumprindo o projeto pedagógico da escola. Mas é essencial que ele envolva equipe, pais e alunos em torno desse objetivo. "Todos os atores da comunidade escolar ensinam e aprendem. E os espaços e práticas atitudinais também educam”, diz Bianca Cristina Correa, especialista em gestão da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto.

Por isso, o diretor deve estar muito atento ao que se transmite "nas entrelinhas” dos processos e das relações interpessoais que se estabelecem na escola. Seu desafio é o de coordenar diferentes gestões - equipe, espaços, parcerias, recursos - para promover a aprendizagem das turmas. "As questões burocráticas e administrativas são apenas meios para concretizar as propostas pedagógicas”, diz Vitor Henriques Paro, professor titular da Faculdade de Educação da USP.

Nessa abordagem, o olhar do gestor se volta fundamentalmente para três eixos: a organização dos espaços da escola (não só o das salas de aula), a mobilização de uma equipe coesa (que trabalhe para alcançar uma proposta pedagógica definida) e o estabelecimento de um canal de comunicação com pais de alunos e a comunidade do entorno. Embora ninguém afirme que isso seja tarefa fácil, aplicar essa teoria no dia-a-dia talvez não transforme a instituição numa escola dos sonhos, mas certamente trará resultados positivos sob todos os aspectos.

1. Novidade na área

Seja qual for o contexto em que se insira, a escola é, por definição, um local de aprendizagem. Mas o que ensina cada um de seus espaços? Salas de aula, locais de merenda, áreas de lazer, corredores e banheiros ajudam a construir e consolidar muitos valores. Se os alunos vêem que o banheiro está sempre sujo, se sentem menos estimulados a cuidar da higiene. "O diretor deve ver no respeito a locais públicos um valor a ser ensinado na prática e cuja importância deve ser trabalhada sempre”, diz Maria Maura Barbosa.

O uso de todos os espaços da escola, refletindo sobre sua forma de organização e buscando condições que promovam a aprendizagem (leia mais no infográfico da página 48), tem de ser uma pauta constante da equipe escolar. "No contato com as Secretarias para a obtenção de recursos, o grupo que defende uma proposta de aprendizagem envolvida na melhoria de espaços dispõe de um argumento de peso”, diz Roberta Panico, do Cedac. "E, se essa proposta for boa, pode ser estendida a outras instituições de ensino.”

Pensando no comportamento dos alunos de sua escola durante as refeições, Iromar Medeiros de Souza, diretor da EM Bairro Industrial, em Barcarena, a 40 quilômetros de Belém, propôs uma reflexão à equipe de professores e funcionários. O que as crianças aprendiam com a forma como eram servidas as refeições?

Os professores identificaram alguns pontos críticos no processo. Como não havia mobiliário nem espaço definido, elas resolviam a questão como podiam: comiam em pé, brincando ou em qualquer canto. Para mudar esse quadro, o grupo elaborou o projeto Comer Bem Faz Bem. "Nossa proposta apresentava a seguinte pergunta: em que situações se prepara uma mesa com toalha limpa, louça e flores num vaso? Quando recebemos a visita de pessoas queridas e importantes”, conta Iromar. "Quisemos mostrar que é exatamente isso que vivemos todos os dias aqui. Assim, criamos esse ambiente acolhedor em nossas refeições na escola para que as crianças se sintam bem recebidas e valorizadas.”

 


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