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Crise de água: como a escola do seu filho está se preparando?

A crise de abastecimento de água que afeta vários estados brasileiros é uma ameaça ao funcionamento de escolas


12/02/2015 16:47
Texto Adriana Carvalho
Educar
Foto: Letícia Ledoux
Foto: Procure saber qual o consumo e a capacidade de armazenamento de água da escola.
Procure saber qual o consumo e a capacidade de armazenamento de água da escola.

Qual o tamanho da caixa d'água da escola do seu filho? Para quantos dias essa reserva dá em caso de racionamento? Há algum sistema para captação de água da chuva? Quais medidas de economia estão sendo adotadas? O que se planeja fazer se a água secar na torneira? Em tempos de crise hídrica - que muitos especialistas já chamam de colapso - achar as respostas para essas perguntas é uma tarefa importantíssima. 

Afinal, o ano letivo começou com notícias muito preocupantes: diversas escolas estão sofrendo com a falta de água. Algumas chegaram a dispensar os alunos por não ter condições de funcionamento. E engana-se quem pensa que o grave problema de abastecimento de água começou agora ou está restrito a São Paulo. De acordo com dados do Ministério da Integração Nacional, no ano passado a seca levou mais de 1265 cidades em 13 estados do Nordeste e do Sudeste a decretarem situação de emergência.  Atualmente, 930 municípios ainda permanecem em emergência devido à seca ou estiagem. Encontrar alternativas contra as causas e os efeitos da seca é necessário tanto nessas cidades quanto naquelas que ainda não chegaram a esse grau de desabastecimento. Essas últimas também precisam adotar medidas de economia e reuso da água para evitar problemas em um futuro que pode não estar distante.

Segundo a Aliança pela Água, rede formada por mais de 40 entidades da sociedade civil unidas com o objetivo de lidar com a crise, "não existem dados para afirmar que o ciclo de estiagem esteja acabando; a seca pode continuar e até se intensificar ao longo deste ano". Por isso é que a rede lançou no início de fevereiro o seu Chamado à Ação Sobre a Crise Hídrica. O documento ressalta a necessidade de que seja estabelecido um plano de emergência que, entre outros aspectos, deve garantir a continuidade de serviços essenciais, como o de escolas, creches, hospitais e postos de saúde. Além disso, ressalta que as escolas, entre outras instituições e associações, deveriam se mobilizar neste momento de emergência para realizar campanhas de esclarecimento e solidariedade.

"Tanto o artigo 227 da Constituição Federal quanto o artigo IV do Estatuto da Criança e do Adolescente dizem que a criança deve ter prioridade para receber os serviços públicos e que também deve ter prioridade de atendimento em casos de emergência em quaisquer circunstâncias. Ou seja, nessa crise de abastecimento da água, a criança não pode ser a primeira prejudicada. Pelo contrário, ela deve ter seu direito à água - com qualidade e em quantidade adequada - garantido com absoluta prioridade", diz o advogado Pedro Hartung, do movimento Prioridade Absoluta, uma iniciativa do Instituto Alana, sociedade civil sem fins lucrativos em defesa da infância. O movimento já entregou uma manifestação a governadores e prefeitos de regiões afetadas pela crise hídrica requerendo que tomem providências para que essas leis sejam cumpridas. "Isso significa que escolas, creches, abrigos, maternidades e hospitais pediátricos, por exemplo, devem ter prioridade no abastecimento de água", explica Hartung.

Veja a seguir o que é possível fazer nas escolas para se preparar para períodos de falta de água:

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Calcular o período de autonomia hídrica da escola
Se hoje a caixa d´água da escola estiver cheia e o abastecimento for interrompido, para quantos dias a água será suficiente? A resposta para essa pergunta determina qual é o Período de Autonomia Hídrica da escola, conforme explica a ambientalista Claudia Visoni, uma das fundadoras do movimento Cisterna Já, iniciativa independente de cidadãos que procura encontrar alternativas diante da crise da água. O cálculo é simples: basta dividir a capacidade (em m3) do reservatório de água da escola pelo volume de água consumido mensalmente (também em m3, que aparece na conta de água). Um exemplo simples: se a capacidade é da caixa é de mil litros (1 m3) e o consumo mensal é de 10 m3, deduz-se que a autonomia é para 0,1 mês, ou seja, 3 dias. "Esse cálculo é o ponto de partida para que a escola possa planejar o que é preciso ser feito para aumentar sua autonomia em períodos de racionamento", diz Cláudia.
2. Economizar e reutilizar
Segundo a pedagoga Mônica Borba, fundadora e gestora do Instituto 5 Elementos de Educação Para Sustentabilidade, a atual crise veio para mudar para sempre os velhos costumes de desperdício de água. "Ampliar a consciência e reduzir ao máximo o consumo de água não são medidas apenas para momentos emergenciais como o que estamos vivendo agora. Se não quisermos que os momentos emergenciais continuem ou voltem, essas medidas devem se instalar definitivamente em nossa cultura", diz ela.

Porém, como tudo na vida, é preciso saber a forma correta de economizar e reutilizar a água. Trancar os banheiros na hora do recreio ou trocar refeições por lanches secos para não ter que gastar água na lavagem de louça, por exemplo, são atitudes que prejudicam a saúde das crianças. Da mesma forma, é importante saber que a água captada das chuvas pode ser utilizada para fins de limpeza e rega de plantas, mas não pode ser utilizada para cozinhar ou beber.

Mas há inúmeras medidas que podem ser adotadas com segurança pelas escolas na economia de água. Entre elas abolir o uso de água potável para lavagem de pátios, providenciar a troca de vasos sanitários por modelos mais econômicos e instalar temporizadores (equipamentos que interrompem o fluxo da água depois de um curto tempo) e arejadores nas torneiras. "Educar tanto as crianças quanto os adultos para o uso consciente da água também é fundamental", explica Mônica. Professores, funcionários, equipes de limpeza e de cozinha devem ser orientados sobre como economizar e reutilizar.

Por exemplo, se a louça da cantina for lavada com sabão menos poluente, como o sabão de coco, a água resultante da lavagem pode ser reutilizada para regar as áreas verdes da escola. Ensaboar toda ou a maior parte da louça e depois enxaguar abrindo pouco a torneira são medidas simples que proporcionam grande economia. "No nosso planejamento antes do início das aulas este ano incluímos discussões sobre a importância da utilização consciente da água. Procuramos economizar em tudo. Até mesmo no treinamento de nossa brigada de incêndio, fizemos uma simulação sem o uso de água. A água reservada para emergências reais está garantida e não pode ser mexida e nem desperdiçada", afirma João Mendes de Almeida Jr, diretor administrativo do Colégio Hugo Sarmento.
3. Captar água da chuva
Armazenar e utilizar a água das chuvas é uma alternativa para reduzir o uso de água tratada tanto em residências como também nas escolas. É o que fazem as duas unidades do colégio Mopi, no Rio de Janeiro. Elas contam com cisternas com capacidade para captar no total 68 m3 de água da chuva. O recurso é utilizado para alimentar os vasos sanitários. "Quando o sistema de cisterna é bem feito e a água é corretamente armazenada ela pode ser guardada por muito tempo. Pode ser reservada para períodos em que não chove, inclusive", explica a ambientalista Cláudia Visoni. Importantíssimo é frisar que toda água captada deve ser mantida em reservatório bem fechado para evitar a proliferação de mosquitos como o da dengue. O reservatório deve ficar ao abrigo da luz, para que a água não se deteriore rapidamente. Outra informação importante: a água da chuva não é potável e não deve ser utilizada para o consumo humano, como para cozinhar ou beber. No entanto, é ótima para regar áreas verdes, limpar chão e utilizar em vasos sanitários.
4. Saber a quem recorrer quando falta água
Em casos de interrupção no fornecimento de água em escolas, o advogado Pedro Hartung, do movimento Prioridade Absoluta, diz que tanto diretores de escola como pais de alunos devem procurar os órgãos públicos para exigir providências que restabeleçam a chegada da água aos colégios, ainda que por meio de carros-pipa. "Isso pode ser feito visitando diretamente ou enviando cartas e emails às ouvidorias de governos e prefeituras. A situação de falta de água também pode ser denunciada ao Ministério Público ou à coordenadoria da Infância e Juventude existentes em cada cidade", diz Hartung.

A ambientalista Claudia Visoni também alerta que as escolas deveriam tomar cuidados extras ao receber água por caminhões pipa. "Já estão ocorrendo denúncias de fraudes em caminhões-pipa em São Paulo. Nessas horas, é preciso pensar ‘fora da caixinha’. Diretores de escola poderiam designar um funcionário para conhecer melhor a empresa fornecedora de água e, se for o caso, ir mesmo acompanhar a captação da água dessa empresa para atestar sua qualidade. Afinal, imagine o risco de oferecer água contaminada em uma escola", alerta ela.

 

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