Embora o Brasil não tenha religião oficial, a maioria da população acredita em Jesus Cristo: 73,8% são católicos e 15,4% são evangélicos. Mas a cultura brasileira também é marcada pela influência de religiões africanas e indígenas, que cultuam os seus próprios deuses. Será que a escola é lugar para refletir sobre isso?
Sim
- A história mostra que o homem busca o divino na tentativa de encontrar respostas para questões que parecem não ter explicação. Mesmo em sociedades que valorizam a ciência, há espaço para a prática religiosa. As aulas ajudam os estudantes a entender a razão da procura por experiências transcendentais e as diversas formas dessas manifestações.
- A diversidade religiosa é uma marca da colonização e da história do Brasil. A mistura das tradições europeias com as indígenas e a cultura africana são fontes de manifestações religiosas sincréticas, como o santo-daime, o espiritismo e a umbanda. Refletir sobre outras religiões é entender a própria história e cultura.
- A religião é uma prática que, geralmente, é ensinada às crianças pela família, mas cabe a cada um escolher a própria crença. A escola pode ajudar na escolha da prática religiosa. Em uma aula de ensino religioso, os alunos poderiam estudar as dimensões históricas e culturais do catolicismo e de outras religiões.
- O ensino religioso trata os valores éticos e morais. Na minha escola lemos a Bíblia, de onde buscamos retirar as mensagens propostas ali. Jesus foi um grande filósofo, e mesmo quem não é cristão entende seus ideais de bondade e fraternidade. Esse tipo de ensino é fundamental e serve para refletir na maneira de pensar e agir.
Não
- O ensino religioso é usado por professores para propagar a própria fé, e não para refletir sobre a diversidade e manifestações culturais. Uma pesquisa da Universidade de Brasília mostrou que nos livros didáticos, utilizados na disciplina, o líder espiritual mais citado é Jesus Cristo. Líderes indígenas ou de religiões africanas são praticamente ignorados.
- A religião é uma prática íntima que deve aparecer apenas em espaços privados, como igrejas, templos, terreiros ou mesmo em casa. Por ser comum a todos, a escola não pode servir a interesses de qualquer crença. Além disso, as ideologias não devem ser colocadas em discussão, já que isso pode causar desavenças entre os alunos .
- O estudo das religiões não deve ser restrito a uma disciplina específica apenas. O tema tem um aspecto histórico importante e, nesse contexto, poderia ser explorado em aulas de história e geografia, por exemplo, já que elas têm espaço para explicar e refletir sobre as manifestações religiosas.
- Muitos usam a crise de valores morais e a falta de ética na sociedade como pretexto para induzir o ensino religioso. O fato é que boas maneiras e honestidade não podem ser ensinados. Usar a religião como parâmetro de bom caráter é uma atitude ingênua e, ao mesmo tempo, preconceituosa, já que 7,3% da população brasileira é ateia.
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