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SAÚDE

O que fazer para combater o piolho?

Do preconceito ao tratamento correto, muito há o que se entender para derrotar esse inimigo do bem estar infantil


23/04/2014 10:43
Texto Marion Frank
Educar
Foto: Marcella Briotto
Mitos como "piolho voa" ou "piolho gosta de cabelo sujo" devem ser superados para um bom tratamento na escola e em casa

O piolho é minúsculo, mas poderoso. Capaz de provocar coceira intensa e, com ela, o início de uma infecção que irá comprometer a saúde da criança, se não for combatida de modo adequado. E o pior é que ele vem atormentando a humanidade há uma eternidade! Acredite: piolho já foi encontrado em múmias egípcias de mais de três mil anos. E a pediculose, doença provocada por ele, é mencionada até em textos da Bíblia.

No combate ao inseto cientificamente chamado de pediculus humanus capitis, talvez o mais difícil de lidar seja o preconceito que desperta. Como vive no couro cabeludo e é transmitido facilmente pelo contato direto, basta às crianças se agruparem para criar o ambiente de infestação. Quem tem pouca informação sobre piolho, tenta explicar o problema, associando à falta de higiene. Nada mais falso. Porque piolho também se faz notar nos cabelos lavados todos os dias.

Acontece que esse desconhecimento pode alimentar atitudes radicais, como a de discriminar a criança afetada, que se sente bastante humilhada no ambiente escolar. E, exatamente porque morre de vergonha, reage ocultando o problema que só vai piorar, com o passar dos dias, prejudicando a sua saúde e a de todos que estão próximos. O que fazer para combater o ‘vilão’ de modo inteligente e com atenção especial para a criança infestada? Veja, a seguir, as dicas de nossos especialistas, entre eles, o professor Paulo Roberto de Madureira, do Departamento de Saúde Coletiva da UNICAMP, e um dos coordenadores do Portal do Piolho.

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Piolho não pula, muito menos voa
Esse inseto não tem asas, nem pernas que permitem dar saltos. Por ser leve, também acaba sendo conduzido pelo vento. Mas é o contato entre as crianças, típico do ambiente escolar, que permite ao piolho se reproduzir com facilidade, seja em razão de um jogo disputado por toda a classe, seja por causa da escova de cabelo usada por dois ou mais colegas.
2. Piolho gosta de cabelo limpo
Essa é uma constatação difícil de ser aceita ainda hoje por um bom número de famílias. Que insistem em acreditar que o inseto só aparece na cabeça de quem é descuidado com a higiene pessoal. Atenção: piolho 'ataca' todo tipo de pessoa, independentemente da cor da pele ou do orçamento familiar. "Parece que o piolho está associado à pobreza, mas não é verdade", alerta Ana Elisa Siqueira, diretora da Escola Municipal Desembargador Amorim Lima, no bairro do Butantã, em São Paulo. "Aqui, temos alunos de família rica, família pobre e de classe média... Pois olhe, o piolho é bastante democrático e ataca todo mundo!"
3. O primeiro sintoma é a coceira intensa
O piolho tem na saliva uma substância que funciona como anestesia, "disfarçando" a percepção da picada. Depois, ele começa a se alimentar de sangue, provocando uma reação, a coceira. Se a criança coçar a picada com insistência, vai irritar de tal forma a área afetada que provoca uma ferida, início do processo infeccioso. Há casos raros, quando a criança não reage à picada, o que dá liberdade ao piolho de se reproduzir, agravando o sintoma. Como reagir? "Examine atentamente o corpo da sua criança durante semanas", aconselha Paulo Roberto, do Portal do Piolho. "Se encontrar área irritada ou bastante avermelhada, é sinal de que ela tem piolho".
4. O melhor tratamento continua a ser o pente fino
Para combater o inseto, há loções e xampus à venda no mercado, assim como medicamentos por via oral - caso do que contém a substância química revectina. "Ela é bastante eficaz contra o piolho", confirma Marum David Cury, diretor da Clínica Infantil Santa Isabella, em São Paulo. Para garantir o máximo de eficiência do tratamento, porém, recomenda-se também o uso diário do pente fino, método usado desde os tempos das nossas avós. Dica: passe o pente nos cabelos molhados, depois de aplicar o creme condicionador; assim, pentear será tarefa fácil - e a criança não terá razão para reclamar.
5. Usar tintura de cabelo pode matar o piolho, mas não elimina o problema
Receitas populares sugerem o uso de tintura de cabelo para matar o piolho, o que realmente acontece em razão das substâncias tóxicas da tintura. Mas há um senão: tintura não mata lêndeas - ou seja, os ovos da fêmea. A fêmea do piolho vive de 30 a 45 dias, período em que consegue depositar cerca de 200 ovos entre os cabelos de uma criança. Quem encontra lêndea morta pode ter certeza de que vai encontrar também piolho vivo no couro cabeludo. Por isso, é recomendado o uso do pente fino semanas a fio como forma de eliminar as lêndeas por completo; e secador quente, nos cabelos secos, se a criança for grande. "Os piolhos não resistem ao calor intenso e regular de um secador", garante o professor Paulo Roberto. Mas atenção: jamais use inseticidas para acabar com o problema. Além de ineficaz contra as lêndeas, é altamente tóxico, provocando sérios riscos à saúde da criança.
8. O combate ao preconceito começa com a transparência: nunca oculte uma infestação de piolho
Se duas ou mais crianças começarem a coçar a cabeça com frequência, sobretudo na região da nuca ou atrás das orelhas, é indício de que estão infestadas de piolho. Imediatamente, do professor ao vigilante da escola, todos devem ser informados sobre os alunos afetados - e o mesmo deve ocorrer em relação aos pais dessas crianças e daquelas que ainda não foram afetadas. Só assim será possível agir com eficiência e rapidez, impedindo o progresso da infestação.
7. Prevenir é educar. E uma das ações mais eficientes no combate ao piolho está em ensinar a criança a não compartilhar objetos
Vale a pena instruir sua criança a se servir apenas dos objetos que são de uso pessoal dela - escovas, pentes, tiaras, bonés, capacetes, travesseiros, lenços de cabeça etc. É a única maneira de evitar o contato com o objeto que passa de mão em mão, facilitando a transmissão do piolho.
9. Em casa, é preciso ter atenção especial com a roupa de cama utilizada pela criança afetada, por exemplo
Lençol e fronha devem ser lavados em separado, com água fervente; depois, a recomendação é passar a ferro bem quente. Pentes e escovas de cabelo também devem ser limpos com cuidado especial e colocados à parte, longe do contato das outras pessoas dessa casa. A propósito: todos os que vivem próximos de uma criança que apresenta esse tipo de problema, correm o risco de também serem afetadas pelo piolho; por isso, devem usar diariamente o pente fino para evitar a reprodução do inseto.
10. Animais domésticos também sofrem do problema, mas não transmitem para crianças e adultos
Cachorro, gato, galinha... Até mesmo o carneiro pode ser infestado por piolho. Mas são casos de outras espécies que não afetam homens e mulheres, independentemente da idade.

 

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