O novo ranking que o Ministério da Educação (MEC) divulgou, na semana passada, revela que as melhores escolas públicas de ensino fundamental do país não ficam nas cidades mais ricas nem nas mais conhecidas, mas, sim, num município rural encravado no interior de São Paulo. Foi em Barra do Chapéu, onde apenas 25% das casas têm banheiro próprio e as ruas carecem de asfalto, que as crianças apresentaram desempenho nas disciplinas escolares comparável ao dos estudantes de países mais ricos. O fato é surpreendente - e bem-vindo - em meio a um péssimo resultado geral.
De acordo com o MEC, enquanto a média alcançada pelos municípios foi de 3,8 - numa escala de zero a 10 -, o campeão Barra do Chapéu tirou nota 6,8. A avaliação tomou como base o índice de desenvolvimento da educação básica (Ideb), novo indicador que reúne dados objetivos de rendimento escolar. Uma das evidentes explicações para o sucesso de Barra do Chapéu é que o município cultiva, há cinco anos, um hábito que, só agora, o MEC promete difundir pelo país: nas escolas de lá, planeja-se tudo. Antes de prepararem o currículo para o novo ano letivo, por exemplo, as escolas submetem os estudantes a uma prova. Com base no resultado, fazem-se planos mais realistas. Resume a professora Neuza Ribas, secretária de Educação: "Professor sem meta de ensino é como cego em tiroteio".

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