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PRODUTIVIDADE

O melhor jeito de atrair os estudantes

Montar um planejamento compromissado com o projeto pedagógico e a proposta curricular é o caminho para dar sentido às aulas


19/01/2009 19:45
Texto Luis Carlos Meneses
Nova-Escola
Foto: Stock
Foto: Planejar é organizar e dimensionar atividades que garantam que todos avancem e coordenar os recursos existentes e o tempo disponível.
Planejar é organizar e dimensionar atividades que garantam que todos avancem e coordenar os recursos existentes e o tempo disponível.
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O planejamento da construção de um prédio só faz sentido com um projeto arquitetônico, que por sua vez depende de uma proposta de uso (ele pode virar moradia, hotel ou escritório, por exemplo). Da mesma forma, cada hotel tem um projeto diferente em função do terreno disponível e do público previsto para ocupá-lo. Numa analogia simples, fica fácil entender por que um planejamento de ensino não se sustenta sem um projeto pedagógico capaz de tornar realidade a proposta curricular - tomando por base as condições reais dos alunos.

"Quanto mais genérico o planejamento, mais vazio, pois o que serve para qualquer situação é só um exercício burocrático."

Isso fica difícil quando a rotatividade de professores é endêmica e se torna impossível quando não há registros que orientem a continuidade formativa. Por isso, é essencial fugir das repetitivas listas de tópicos para as séries e disciplinas. Afinal, quanto mais genérico o planejamento, mais vazio e inútil ele é, pois o que serve para qualquer situação não passa de exercício burocrático, nunca é trabalho educacional.

Se uma rede pública propõe que Geografia e Ciências tratem da degradação ambiental numa determinada série, alunos de uma periferia metropolitana, defasados no letramento, podem fazer observações do saneamento urbano com registros que reforcem o exercício da escrita. Já os estudantes que são de famílias de agricultores atraídas por trabalho sazonal e temporário nas colheitas podem ser estimulados por suas escolas a observar a contaminação de solos e rios e, assim, valorizar sua experiência nômade. Em ambos os casos, as duas disciplinas articulariam suas temáticas específicas aos objetivos formativos gerais. Melhor ainda se levassem em conta as dimensões sociais e afetivas do processo de aprendizagem.

Além de adaptar o currículo às circunstâncias e à realidade locais, planejar é organizar e dimensionar atividades que garantam que todos avancem e coordenar os recursos existentes e o tempo disponível. Dependendo das possibilidades, jovens podem ser convidados a promover o julgamento ético de uma atitude discutível, num chat via internet ou numa roda de papo ao vivo. Do mesmo modo, o que em certas escolas pode ser aprendido nos laboratórios, em outras tem de ser feito na forma de demonstrações em classe ou investigações fora dos muros escolares. Também os momentos de avaliar (e as maneiras mais eficazes de comprovar a evolução das turmas, de preferência ao longo do processo e não apenas com provas formais) devem ser planejados conforme as condições específicas.

Uma questão que poderia ter aberto este texto, eu lanço agora como um fechamento: a quem interessa o planejamento? É claro que interessa ao professor (para organizar seu trabalho cotidiano) e aos gestores escolares (para implementar o projeto pedagógico definido pela equipe), mas, quando ele é bom, tem como ótimo efeito colateral a criação de programas de ensino que atraem os alunos e suas famílias - pois, se queremos responsabilidades partilhadas, precisamos informar a proposta, o projeto e o programa.

Se os próprios professores se sentem isolados, como se estivessem de passagem por aquele lugar, ou se o que se espera deles é que façam um plano igual ao das outras escolas em que lecionam (e cujos projetos pedagógicos ignoram), nesse caso não há sequer como criar expectativas sobre o destino dessa equipe. Só mesmo com um milagre para escapar do rebaixamento...

 



 

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