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Por que São Paulo foi mal no Enem?

No ranking dos colégios particulares que participaram do Enem, São Paulo ficou na 11 ª posição entre as capitais. Especialistas explicam como a cidade chegou neste ponto


Foto: Rodrigo Montenegro
Foto: Colégio

Mesmo colégios de boa reputação ficaram para trás, como o Dante, na 228° posição

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A cidade de São Paulo concentra 12% da riqueza nacional. Das 500 maiores empresas em atividade no país, 137 ficam aqui. Tem ainda os melhores hospitais, as universidades mais renomadas e equipamentos culturais sem igual. Surpreende, portanto, a 11ª colocação das escolas particulares paulistanas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em comparação com as das outras capitais. Para mudar essa situação, é preciso que pais, alunos e professores exijam reformas no currículo

Cidade mais rica do país, São Paulo acostumou-se a figurar no topo de qualquer lista, seja de museus, restaurantes, salas de espetáculo, comércio ou hospitais. Causa espanto, portanto, o fraco desempenho dos colégios paulistanos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), do Ministério da Educação. Apenas uma escola aparece entre as dez melhores do país: o Vértice, do Campo Belo, em nono lugar. Lá, os pouco mais de 200 alunos são conhecidos pelo nome e pela carreira que pretendem seguir - já que essa é levada em conta na elaboração de um plano de estudos com metas individuais. Duas posições para baixo está o colégio Bandeirantes, do Paraíso, que conseguiu uma nota excepcional considerando-se a totalidade de 545 formandos da turma de 2008. "Seríamos os primeiros se apenas a nota dos 300 melhores contasse na média", calcula o diretor Mauro Aguiar. As salas de aula do Bandeirantes são divididas de acordo com o desempenho dos alunos. Nas mais fracas, há um monitor ajudando o professor. "Os alunos sem base recebem auxílio extra para vencer."

À parte esses dois casos, inscritos no grupo das vinte melhores, onde é que foram parar as demais escolas da cidade, sobretudo as que têm maior renome e, como o Vértice e o Bandeirantes, cobram mensalidades altas? "Tive de correr os olhos lista abaixo para encontrá-las", afirma o economista Gustavo Ioschpe, colunista de VEJA e especialista em educação. "É um mistério que os colégios da elite paulistana não se saiam bem no Enem." A unidade Morumbi do Colégio Visconde de Porto Seguro, por exemplo, ficou em 435º lugar no ranking nacional, incluindo escolas públicas e privadas. O resultado caiu como uma bomba. Até pouco tempo atrás, a instituição colhia os louros por ter sido eleita a melhor da cidade, em 2001, numa pesquisa do instituto Ipsos Marplan encomendada por Veja São Paulo. Naquela sondagem, foram avaliados os colégios que ofereciam ensino básico completo em cerca de 100 aspectos, desde o número de idiomas lecionados até o nível de formação do corpo docente. "Sabemos que o Enem só analisa uma faceta do ensino das escolas, mas ainda assim estamos nos perguntando: como é que fomos tão mal?", diz a diretora Mariana Battaglia. A aprovação dos alunos em faculdades, segundo ela, supera 70%. Entre os enigmas a ser esclarecidos está, também, a grande diferença no resultado das três unidades do Porto - Morumbi, Panamby (452º) e Valinhos (81º). "A proposta educacional é a mesma, assim como o investimento na formação dos professores", conta a diretora pedagógica Sonia Bittencourt. A direção da escola distribuiu 7000 cartinhas compartilhando com os pais a decepção e reforçando o empenho na superação. 

Em outras instituições de boa reputação, como Santo Américo (103º), Dante Alighieri (228º) e Nossa Senhora das Graças, o Gracinha (287º), o descontentamento não saiu do controle - até porque os jornais costumam dar destaque aos rankings estaduais, fato que mascara a deficiência de São Paulo. "Recebi apenas três e-mails de contestação", diz Lauro Spaggiari, diretor do Dante. "Fiquei com a pulga atrás da orelha e solicitei uma reunião com a coordenadora pedagógica", afirma Fadua de San Juan, mãe de Marcela, aluna do 9º ano do Gracinha. Segundo ela, sua filha "vai bem, mas podia estudar mais e passar menos tempo navegando na internet". A coordenadora pedagógica Maria Stella Scavazza não gostou de ver que a escola perdeu algumas posições, mas garante que confia em sua proposta. "Simulação de reuniões da ONU, projetos de voluntariado e atuação em miniempresas preparam o aluno para a vida", diz. 

Talvez esteja aí uma das explicações para o desempenho decepcionante no último exame. "São Paulo foi a primeira cidade do Brasil a entrar na onda das escolas liberais e construtivistas", lembra a psicóloga Ceres Alves de Araujo, especialista no atendimento de crianças e adolescentes. "O professor perdeu autoridade e os caminhos individuais para a aquisição de conhecimento forjaram alunos autônomos, porém indisciplinados." Isso é ruim? Em provas ou vestibulares, sim. A cobrança de resultados - não necessariamente rigidez na disciplina - caracteriza boa parte dos colégios campeões. "O importante é que as famílias se sintam confortáveis com as regras e os objetivos das escolas", opina Ilona Becskeházy, diretora executiva da Fundação Lemann, ONG que mantém um programa de oferta de bolsas a alunos da escola pública. Ela conhece bem o clima no melhor colégio do Enem 2008, o São Bento, do Rio de Janeiro, por ser um de seus parceiros. "Nenhum pai questiona por que lá só são aceitos meninos e há aulas aos sábados", diz. "Para que os filhos pertençam àquele grupo tradicional e bem-sucedido, os pais estão dispostos a sacrifícios, como deixar de viajar ou de ir à praia." 

Desde que o Enem passou a divulgar as médias das escolas, em 2005, educadores puderam olhar para as instituições mais bem colocadas, examinar suas práticas e, por que não?, copiá-las. Especialmente em colégios como o Pentágono (156º), que custam mais de 1600 reais por mês. "Instituímos o período integral já no ensino fundamental, pelo menos duas vezes por semana", explica Nancy Izzo, dona da rede. "Criamos uma sala especial, com livros, lousa eletrônica, computadores,