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GUIA DO ESTUDANTE

Sem medo de envelhecer

Fabio Volpe, diretor do ALMANAQUE ABRIL e do GUIA DO ESTUDANTE, tem na ponta da língua os exemplos de como essas publicações continuam vitais no dia a dia do estudante


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11/06/2010 16:54

Texto
Marion Frank

Foto: Rafael Cusato
Fabio Volpe

"O próximo desafio será adequar tanto Almanaque quanto Guia à plataforma digital"

O ALMANAQUE ABRIL foi famoso pelo formato enciclopédico. Hoje, acerta o passo com a comunicação ágil, de modo a se mostrar atraente para a geração visual: recheado de infográficos, é fonte de consulta de grande popularidade entre os alunos do ensino médio e superior. Já o GUIA DO ESTUDANTE usa a linguagem jornalística para atrair a atenção do estudante, ajudando-o a passar no vestibular. "Ambos têm papel fundamental na Educação deste país", orgulha-se Fabio Volpe, à frente das duas redações. Fabio, que está na Abril desde 1996 e já trabalhou nas revistas BOA FORMA, PLACAR e MUNDO ESTRANHO, tem orgulho especial das publicações que dirige, marcas de enorme confiabilidade em pesquisa e consulta. "O próximo desafio será adequar tanto ALMANAQUE quanto GUIA à plataforma digital", adianta. Tarefa difícil, mas de final feliz, antevê-se desde já, a levar em conta a competência demonstrada.

Para ler, clique nos itens abaixo:
No mundo da comunicação rápida e de alta tecnologia, de que modo uma publicação como o ALMANAQUE se faz notar?
Fabio Volpe: O ALMANAQUE ABRIL continua a ser ferramenta de trabalho de fundamental importância para os estudantes - os do Ensino Médio e os universitários são o principal público. Alunos de Ensino Superior sempre precisam dados de referência 100% confiáveis para realizar seus trabalhos, o que encontram no nosso ALMANAQUE, fonte de consulta rápida e com lastro de credibilidade imenso, que é o Grupo Abril. Para ter essa credibilidade, o ALMANAQUE é construído a partir de fontes primárias de informação, são dados que pegamos diretamente do IBGE, outros do Banco Mundial etc. Ou seja: a nossa credibilidade está no fato de fazermos pesquisas junto das maiores organizações e entidades nacionais e internacionais que produzem estudos e estatísticas. Seria o caso de perguntar: por que o estudante não coleta esses dados diretamente nas organizações? Afinal, todas elas têm sites que podem ser pesquisados. Mas nem sempre é fácil encontrar a resposta, as informações às vezes estão "escondidas" ou precisam ser "decifradas"... O ALMANAQUE também tem esse papel de traduzir e editar a informação numa linguagem acessível, mostrar o que é mais relevante, o que demonstra o quanto continua a ser útil, ajudando o estudante a não perder tempo na pesquisa que precisa fazer.
O ALMANAQUE ABRIL foi lançado em meados dos anos 1970. O que mudou na linha editorial desde então?
Fabio Volpe: Ao longo dessas três décadas de trabalho, foram testados vários formatos. O ALMANAQUE já teve um estilo enciclopédico, formato que teve enorme sentido... Porém, quando a internet começa a existir, a se tornar acessível e a disponibilizar uma base enorme de dados, a vocação de enciclopédia perdeu força e a publicação teve de se reposicionar, o que aconteceu a partir do final dos anos 1990, trazendo mais assuntos de atualidade e dados recentes. O ALMANAQUE não pode brigar com a internet, mas pode servir de complemento. Ele não tem a pretensão de transmitir tudo a respeito de um assunto; contudo, o aluno sabe que vai encontrar nele informações checadas e editadas com extremo rigor. Essas informações também estão na internet? Sim, boa parte delas, mas sem a confiabilidade que o material divulgado pelo ALMANAQUE tem.
A edição 2010 traz mudanças importantes?
Fabio Volpe: O formato do ALMANAQUE ABRIL 2010 é o mesmo desde 2007, quando houve uma importante mudança na forma de estruturar os capítulos e na definição do foco do conteúdo. A cada edição, é claro, fazemos uma atualização das informações que são anuais, além de produzir o chamado "conteúdo novo". O ALMANAQUE é dividido em capítulos sistemáticos, Política, Economia, Meio Ambiente e assim por diante. Temos a preocupação de trazer, a cada edição, matérias em forma de infográfico que abordam grandes temas e servem para abrir os capítulos. Para o ALMANAQUE 2010, fizemos duas séries de infográficos. O de Política, por exemplo, ilustra a evolução do voto no Brasil, o surgimento dos partidos políticos etc. - é ano de eleições, grande pretexto para abordar o tema. Na abertura de cada capítulo, portanto, há sempre a preocupação de apresentar matérias visuais. Essa é a grande mudança editorial que vem ocorrendo no ALMANAQUE de uns cinco anos para cá, a mudança visual. Um jeito de tratar a informação de modo mais atraente para uma geração que é muito visual. Assim, o que normalmente seria divulgado em uma página de texto corrido, agora é transmitido com dois ou três infográficos de forma sucinta e atraente.
De que forma o tema Educação marca presença no Almanaque?
Fabio Volpe: Educação é um capítulo tradicional e importante na história da publicação. Nesta última edição, por exemplo, há um infográfico na abertura sobre a evolução do Ensino Superior do Brasil: quando surgiram as primeiras faculdades e as primeiras universidades privadas, quando começou o vestibular etc. Depois, são apresentados verbetes com grandes assuntos relacionados à Educação - o que é o método Paulo Freire, o que é o método construtivista, como está estruturada a Educação no país, quais são os nossos indicadores de ensino, quantos alunos estão matriculados em cada esfera escolar, quais são os mecanismos de avaliação do MEC... Por fim, na seção Panorama, que fecha cada grande capítulo com a apresentação de um tema bastante discutido ao longo do ano, aparece o ENEM, com tudo o que foi dito a favor - e contra.
O capítulo de Geografia continua com as fichas sobre os países...
Fabio Volpe: Sim, é um ponto forte da publicação. Praticamente 1/3 do ALMANAQUE figura no capítulo de Geografia, subdividido em blocos de Mundo e Brasil, com os indicadores econômicos e sociais de cada país e os destaques de sua história, além dos dados e estatísticas sobre os estados brasileiros. Em relação ao Mundo, criamos boxes com temas notoriamente importantes a respeito do país em questão - em Israel, por exemplo, destacamos as guerras protagonizadas pelo país nos últimos tempos. Todos os países são apresentados com suas bandeiras, há mapas que localizam as principais cidades, patrimônios naturais etc. Para pesquisar, é uma ferramenta riquíssima: o aluno consegue encontrar desde os partidos políticos até a composição populacional e o tamanho do PIB de um país. E tudo isso por R$ 29,95.
Sob a sua direção também é produzido o GUIA DO ESTUDANTE. De que maneira essa publicação tão segmentada consegue se renovar?
Fabio Volpe: Estamos sempre tentando inovar dentro do segmento da Educação. Dez anos atrás, o mercado do ensino era menor do que hoje. Basta ver o número de matriculados no Ensino Superior, dado que impulsionou o surgimento de publicações. Algumas talvez não tivessem sentido no final dos anos 1990, como as que preparam o aluno para passar no vestibular, mas hoje elas têm. O GUIA DO ESTUDANTE se desenvolveu em consequência desse crescimento. Ele nasce, nos anos 1980, com o foco na avaliação do Ensino Superior, apresentando a listagem das universidades, mas, de uns anos para cá, vem se preocupando com a preparação do aluno. Ele serve como complemento da sala de aula. Temos hoje uma geração de jovens que sonha com o ingresso na universidade, apesar de não possuir boa formação no Ensino Médio. Então havia uma lacuna de material que ajudasse o estudante, sobretudo das classes B e C, a alcançar esse ideal, a melhorar sua preparação para o processo seletivo. Um filão que soubemos explorar com o GUIA DO ESTUDANTE de Atualidades, o de Redação... Atualidades é um guia que já existia em 2002, mas essa linha paradidática vem crescendo ao longo dos últimos oito anos com a criação dos guias de Português, Geografia, História... Enfim, há paradidáticos para cada disciplina do Ensino Médio. As lacunas de informação existem até mesmo entre os alunos que estudam em escolas particulares e têm poder aquisitivo para investir na compra do nosso guia - ele custa cerca de R$ 15.
De que forma se constrói esse tipo de guia?
Fabio Volpe: Os guias são anuários, têm conteúdos atualizados na medida do necessário e são lançados entre março e setembro. Cada guia é preparado para o aluno do 3º ano do Ensino Médio, que vai prestar vestibular em breve. Ele passa pelo controle de um grupo de professores, que atuam como consultores e ajudam a orientar a publicação do ponto de vista pedagógico, apontando temas, maneiras de abordar etc. É claro que o que nos diferencia de um livro didático é a linguagem jornalística, a forma de editar a informação. Isso torna o guia atraente e fácil de ser entendido: os alunos sempre dizem que se trata de uma publicação "que fala com a gente" - e não a partir do professor. Normalmente, dividimos os guias em dois blocos: o de Serviços e o Paradidático. O de Serviços lista as principais universidades do Brasil, detalha as carreiras (GUIA DO ESTUDANTE Profissões), dá a avaliação das universidades, além de informações sobre Pós-Graduação e MBA. No Paradidático, há o GUIA DO ESTUDANTE Atualidades (o único produzido por semestre), História, Geografia, Redação, Português (lançamento deste ano) e Matemática, além do GUIA DO ESTUDANTE ENEM.
Por falar em Enem, acaba de ser lançada uma coleção em fascículos...
Fabio Volpe: Essa coleção de 20 fascículos semanais com o curso preparatório para o ENEM é o resultado de uma parceria entre GUIA DO ESTUDANTE e a área de Colecionáveis do grupo Abril. Estávamos pensando em explorar os "filhotes" do Enem com guias específicos sobre as disciplinas: por exemplo, Enem Ciências da Natureza, Enem Ciências Humanas... Foi quando apareceu o pessoal da área de Colecionáveis com a ideia que, na verdade, complementa o que é oferecido pelo GUIA DO ESTUDANTE Enem: a nova coleção tem por foco o conteúdo da prova. Aliás, o nosso grande campeão de vendas é o GUIA DO ESTUDANTE Enem, com 115 mil exemplares, em 2009.
Tanto o Guia do Estudante quanto o Almanaque exploram a plataforma digital?
Fabio Volpe: Temos um site, www.guiadoestudante.com.br, que é hoje um dos 10 sites de maior audiência da Abril, cerca de 6 milhões de visitas - foi ao longo dos últimos dois anos que conseguimos torná-lo atraente, parada obrigatória para o aluno que está navegando na internet e quer notícias sobre vestibular, testes, simulados etc. Ele serve de complemento às nossas publicações: não tem o viés de conteúdo para estudo, esse está disponível na linha impressa; porém, como a linha impressa é composta de anuários, não traz notícias, algo que o site supre bem. Agora, precisamos encontrar uma forma de adequar o Almanaque ao mundo digital. A ideia não é competir com a Wikipédia que, apesar dos pesares, é muito acessada na internet. Na passagem do Almanaque para a plataforma online, ele tem de se posicionar em um segmento específico, informações de referência, enfim, encontrar seu nicho. O grande desafio para os próximos anos está justamente aí, encontrar o futuro do Almanaque fora do papel. Vamos tentar incluir os paradidáticos também nesse pacote, ou seja, aproveitar a passagem do Almanaque para a plataforma digital e fazer o mesmo com os paradidáticos. O Guia do Estudante e o Almanaque Abril são publicações muito utilizadas por estudantes, por que não unir marcas tão fortes no mesmo ambiente de pesquisa e consulta? O ambiente digital talvez seja o mais adequado para fazer a integração e unir forças.
Você conseguiria sintetizar o papel dessas publicações para o estudante brasileiro?
Fabio Volpe: Acho que temos um papel fundamental na Educação deste país. O GUIA DO ESTUDANTE é uma espécie de braço direito do aluno em um momento muito difícil da vida dele, momento de pressão e escolha que vai influenciar seu próprio futuro. Muitas vezes esse aluno não tem o apoio necessário, tanto em relação à orientação pedagógica, vocacional, quanto a respeito do material necessário para vencer o processo seletivo. Somos como um "amigo" nesse período marcante da vida dele, desempenhamos um papel fundamental ao suprir essas lacunas - e acho que estamos conseguindo atingir o nosso objetivo. Quanto ao ALMANAQUE, também há um papel importante na Educação: é uma publicação que dá valor à informação de credibilidade, aos dados de referência... Vivemos em um mundo onde não falta informação - falta informação confiável.


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