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ENTREVISTA

Palavra de grife

O diretor do núcleo Sistema de Ensino, Marco Antonio Ferraz, de renome no universo da Educação brasileira, aposta na marca Abril para conquistar o mercado com produtos diferenciados


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14/07/2010 16:56

Texto
Marion Frank

Foto:
Foto: Marco Antonio Ferraz

"Pretendemos estruturar o SER Público de modo adequado, sempre apostando na Educação de qualidade"

Um sistema de ensino concebido para a rede pública será lançado pela Abril até agosto, o SER Público. Para incrementar ainda mais a carteira de produtos e serviços, fazendo-se notar entre a concorrência competente, um especialista foi escolhido a dedo: Marco Antonio Ferraz. Diretor do núcleo há quase dois anos, ele acumula 36 anos de atividades dedicadas à Educação: já foi professor de Biologia (Ensino Médio) e de Zoologia (Ensino Superior), diretor de escola (Pueri Domus, em São Paulo) e consultor independente. "Aceitei trabalhar na Abril porque percebi que poderia juntar a credibilidade desta empresa com a vontade política de criar produtos de alta qualidade", revela. O SER Público é mais um motivo de orgulho para quem já conquistou a notoriedade de grife no ensino nacional. E que sabe ir contra a maré, se necessário: "Recurso tecnológico não garante a Educação, e sim o professor que sabe mobilizar o aluno em seu aprendizado", diz.

Para ler, clique nos itens abaixo:
Apesar da curta existência, o Sistema de Ensino da Abril, o SER, já é uma realidade no mercado da Educação brasileira?
Marco Antonio Ferraz: Como núcleo dentro da empresa, o SER existe desde 2009, quando me tornei diretor. Antes, era tratado como um projeto embrionário, tanto é verdade que o ano de 2008 foi de estruturação do sistema. Havia a intenção de evoluir, mas não acontecia a ação para chegar à evolução... Com a minha chegada, porém, algo nasceu e ganhou corpo. Hoje temos 50 profissionais trabalhando na área, envolvendo Educação, marketing, comercial, editoração e tecnologia. O SER já cresceu 50% em vendas - há uma rede de 400 escolas utilizando o Sistema de Ensino da Abril, das quais 200 nas regiões Sul e Sudeste.
Por que o SER trabalha apenas com a escola particular?
Marco Antonio Ferraz: Foi uma estratégia da empresa... Para entrar no sistema de ensino público, é preciso dispor de uma estruturação específica - por isso, era necessário fazer primeiro a lição de casa para depois avançar nesse mercado. Agora que já temos uma rede privada de ensino estruturada, vamos conquistar a clientela da rede pública. A Fundação Lemann tem uma pesquisa na área de gestão escolar que deixa clara a melhoria no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) entre as prefeituras que já adotaram sistemas de ensino. Isso é fácil de entender, porque um sistema de ensino estrutura e organiza, e isso faz a diferença no universo das prefeituras, onde a Educação é bastante desarticulada. Daí o grande mercado que se abre. Mas é um mercado nada simples de ser explorado: será preciso negociar prefeitura a prefeitura, o que vai envolver licitação, edital etc. Pretendemos lançar até agosto um sistema de ensino voltado para esse mercado específico, o SER Público.
Como surgiram os sistemas de ensino no país?
Marco Antonio Ferraz: Sistema de ensino é um fenômeno brasileiro, não se vê isso em outro lugar do mundo. Curiosamente, os sistemas surgiram com os cursinhos: eles fizeram tanto sucesso que professores da capital paulista foram para o interior e abriram outras unidades... Isso aconteceu nas décadas de 1960 e 1970, quando houve um boom de cursinhos, que logo sentiram necessidade de melhor estruturar as aulas. Acontece que as redes de ensino de boa estrutura, como o Anglo, o Objetivo e o Positivo (que é do Paraná e surgiu de um cursinho chamado Bardal), perceberam que os modelos de ensino poderiam ser "replicáveis"... E foi assim que o sistema de ensino criado por cursinhos começou a formar clientela. Anglo e Objetivo são os mais antigos. Com o tempo, eles passaram a estruturar inclusive as aulas do Ensino Fundamental. Depois, surgiram casos como a Pueri Domus, que primeiro foi escola para depois colocar à venda o seu sistema de ensino. Ao todo, acredito que hoje se contam 70 sistemas de ensino no Brasil.
Em um mercado tão competitivo, de que modo o SER faz a diferença?
Marco Antonio Ferraz: Com a gama de produtos pedagógicos e de serviços que o sistema presta. Exemplos: o material didático é da Ática e da Scipione, nomes consagrados no país. O planejamento pedagógico cuida da organização das aulas e da distribuição de conteúdos, o que dá unidade à Educação infantil e ao Ensino Médio, evitando que o livro de História do Ensino Fundamental 2 “não fale” com o de História do Ensino Médio. Somos os únicos no mercado a entregar toda a documentação oficial que uma escola precisa ter. Também somos os únicos a preparar projetos de leitura, aproveitando a oferta de mais de 2 mil títulos da Ática e da Scipione. Nenhum outro sistema oferece, ao menos até o momento, projetos culturais regionais. A visita ao Museu de Arte Moderna de São Paulo, por exemplo, é pretexto para se prepar um roteiro didático antes que ela ocorra; outro, durante a visita; e então uma avaliação pós-visita - o que se transforma em aula, serviço que pode ser feito de acordo com as características de cada lugar.
Pais têm atenção especial do Sistema de Ensino da Abril?
Marco Antonio Ferraz: Claro, a ponto de ter sido criada a Orientação à Família - outra oferta só disponível no SER. Nela, explicamos o que a criança está aprendendo, de modo que os pais possam entrar no portal e acompanhar as aulas. Também preparamos newsletters, outra novidade, com textos de educadores que são enviados diretamente à casa dos pais, por e-mail.
O SER também oferece serviços de Gestão e Marketing Educacional. É algo novo?
Marco Antonio Ferraz: Sim, a avaliação institucional, serviço que propõe a avaliação da escola, é algo inédito no mercado.
Qual seria o grande desafio a ser alcançado em 2010?
Marco Antonio Ferraz: Este ano a ideia é disponibilizar 2 mil conteúdos digitais para o nosso público. Conteúdo digital pode ser um infográfico sobre o funcionamento dos vulcões, jogos, material da lousa digital, enfim, há inúmeras possibilidades. Mas o grande desafio é de fato organizar o ensino como um todo para a escola - conteúdo digital é apenas parte do desafio. Porque também é importante capacitar os professores. Eles precisam saber o quê, como e quando dar; avaliar o aprendizado; e, claro, saber usar a tecnologia em favor da Educação. A rigor, não sou deslumbrado com esses recursos e digo o porquê: quem tem de fazer a diferença na sala de aula é o professor, o professor motivador, aquele que sabe estimular a curiosidade da criança... E tanto isso é verdade que se encontra gente aprendendo sem ter nada por perto, nem um pedaço de papel! Indiscutivelmente a aula será mais rica se tiver à disposição um computador e essa montanha de recursos tecnológicos... Mas isso não garante a Educação, o que garante é o professor, mobilizando e orientando o aluno em seu aprendizado.
Com o SER Público, será possível manter o mesmo padrão de qualidade, apesar dos problemas típicos dessa rede, como a formação deficiente do professor e a falta de informação do aluno?
Marco Antonio Ferraz: Trabalhar com o ensino público é realmente o que vai exigir mais de nós, em razão desses problemas. Mas não é o caso de criar um produto mais "pobre", como alguns concorrentes fazem, uma espécie de material B para a escola pública e A para a privada. Pretendemos estruturar o SER Público de modo adequado, sempre apostando na Educação de qualidade. Para mim, a grande questão não é o "quê", mas "como". Porque a criança da escola pública é tão capaz quanto a da escola privada. Mesmo a mais carente, intelectualmente ela é igual... Diria até que ela tem a imaginação mais rica, por não ter recurso algum é ávida em "mergulhar", há um enorme preconceito a respeito... Mas, claro, é preciso transmitir informação de forma adequada, assim como formar corretamente o professor. Sim, ainda dá para encontrar crianças de 9 anos que não foram alfabetizadas, mas isso é outro problema. Agora, se já tiverem sido, vão aprender rápido! O que talvez elas não tenham é conhecimento, daí o cuidado ao estruturar o ensino para esse tipo de aluno.
Ou seja, continua otimista em relação à Educação brasileira?
Marco Antonio Ferraz: Otimista? Não, eu sou um apaixonado por Educação! E continuo a dizer que a única coisa que se tem em mãos para transformar as pessoas é a Educação. Sempre acreditei nisso, desde quando me dei conta, como professor, do que era ter umas 40 pessoas atentas, à espera da informação que eu iria transmitir... Isso é bom demais!


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