O diretor do núcleo Sistema de Ensino, Marco Antonio Ferraz, de renome no universo da Educação brasileira, aposta na marca Abril para conquistar o mercado com produtos diferenciados
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"Pretendemos estruturar o SER Público de modo adequado, sempre apostando na Educação de qualidade"
Um sistema de ensino concebido para a rede pública será lançado pela Abril até agosto, o SER Público. Para incrementar ainda mais a carteira de produtos e serviços, fazendo-se notar entre a concorrência competente, um especialista foi escolhido a dedo: Marco Antonio Ferraz. Diretor do núcleo há quase dois anos, ele acumula 36 anos de atividades dedicadas à Educação: já foi professor de Biologia (Ensino Médio) e de Zoologia (Ensino Superior), diretor de escola (Pueri Domus, em São Paulo) e consultor independente. "Aceitei trabalhar na Abril porque percebi que poderia juntar a credibilidade desta empresa com a vontade política de criar produtos de alta qualidade", revela. O SER Público é mais um motivo de orgulho para quem já conquistou a notoriedade de grife no ensino nacional. E que sabe ir contra a maré, se necessário: "Recurso tecnológico não garante a Educação, e sim o professor que sabe mobilizar o aluno em seu aprendizado", diz.
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- Apesar da curta existência, o Sistema de Ensino da Abril, o SER, já é uma realidade no mercado da Educação brasileira?
- Marco Antonio Ferraz: Como núcleo dentro da empresa, o SER existe desde 2009, quando me tornei diretor. Antes, era tratado como um projeto embrionário, tanto é verdade que o ano de 2008 foi de estruturação do sistema. Havia a intenção de evoluir, mas não acontecia a ação para chegar à evolução... Com a minha chegada, porém, algo nasceu e ganhou corpo. Hoje temos 50 profissionais trabalhando na área, envolvendo Educação, marketing, comercial, editoração e tecnologia. O SER já cresceu 50% em vendas - há uma rede de 400 escolas utilizando o Sistema de Ensino da Abril, das quais 200 nas regiões Sul e Sudeste.
- Por que o SER trabalha apenas com a escola particular?
- Marco Antonio Ferraz: Foi uma estratégia da empresa... Para entrar no sistema de ensino público, é preciso dispor de uma estruturação específica - por isso, era necessário fazer primeiro a lição de casa para depois avançar nesse mercado. Agora que já temos uma rede privada de ensino estruturada, vamos conquistar a clientela da rede pública. A Fundação Lemann tem uma pesquisa na área de gestão escolar que deixa clara a melhoria no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) entre as prefeituras que já adotaram sistemas de ensino. Isso é fácil de entender, porque um sistema de ensino estrutura e organiza, e isso faz a diferença no universo das prefeituras, onde a Educação é bastante desarticulada. Daí o grande mercado que se abre. Mas é um mercado nada simples de ser explorado: será preciso negociar prefeitura a prefeitura, o que vai envolver licitação, edital etc. Pretendemos lançar até agosto um sistema de ensino voltado para esse mercado específico, o SER Público.
- Como surgiram os sistemas de ensino no país?
- Marco Antonio Ferraz: Sistema de ensino é um fenômeno brasileiro, não se vê isso em outro lugar do mundo. Curiosamente, os sistemas surgiram com os cursinhos: eles fizeram tanto sucesso que professores da capital paulista foram para o interior e abriram outras unidades... Isso aconteceu nas décadas de 1960 e 1970, quando houve um boom de cursinhos, que logo sentiram necessidade de melhor estruturar as aulas. Acontece que as redes de ensino de boa estrutura, como o Anglo, o Objetivo e o Positivo (que é do Paraná e surgiu de um cursinho chamado Bardal), perceberam que os modelos de ensino poderiam ser "replicáveis"... E foi assim que o sistema de ensino criado por cursinhos começou a formar clientela. Anglo e Objetivo são os mais antigos. Com o tempo, eles passaram a estruturar inclusive as aulas do Ensino Fundamental. Depois, surgiram casos como a Pueri Domus, que primeiro foi escola para depois colocar à venda o seu sistema de ensino. Ao todo, acredito que hoje se contam 70 sistemas de ensino no Brasil.
- Em um mercado tão competitivo, de que modo o SER faz a diferença?
- Marco Antonio Ferraz: Com a gama de produtos pedagógicos e de serviços que o sistema presta. Exemplos: o material didático é da Ática e da Scipione, nomes consagrados no país. O planejamento pedagógico cuida da organização das aulas e da distribuição de conteúdos, o que dá unidade à Educação infantil e ao Ensino Médio, evitando que o livro de História do Ensino Fundamental 2 não fale com o de História do Ensino Médio. Somos os únicos no mercado a entregar toda a documentação oficial que uma escola precisa ter. Também somos os únicos a preparar projetos de leitura, aproveitando a oferta de mais de 2 mil títulos da Ática e da Scipione. Nenhum outro sistema oferece, ao menos até o momento, projetos culturais regionais. A visita ao Museu de Arte Moderna de São Paulo, por exemplo, é pretexto para se prepar um roteiro didático antes que ela ocorra; outro, durante a visita; e então uma avaliação pós-visita - o que se transforma em aula, serviço que pode ser feito de acordo com as características de cada lugar.
- Pais têm atenção especial do Sistema de Ensino da Abril?
- Marco Antonio Ferraz: Claro, a ponto de ter sido criada a Orientação à Família - outra oferta só disponível no SER. Nela, explicamos o que a criança está aprendendo, de modo que os pais possam entrar no portal e acompanhar as aulas. Também preparamos newsletters, outra novidade, com textos de educadores que são enviados diretamente à casa dos pais, por e-mail.
- O SER também oferece serviços de Gestão e Marketing Educacional. É algo novo?
- Marco Antonio Ferraz: Sim, a avaliação institucional, serviço que propõe a avaliação da escola, é algo inédito no mercado.
- Qual seria o grande desafio a ser alcançado em 2010?
- Marco Antonio Ferraz: Este ano a ideia é disponibilizar 2 mil conteúdos digitais para o nosso público. Conteúdo digital pode ser um infográfico sobre o funcionamento dos vulcões, jogos, material da lousa digital, enfim, há inúmeras possibilidades. Mas o grande desafio é de fato organizar o ensino como um todo para a escola - conteúdo digital é apenas parte do desafio. Porque também é importante capacitar os professores. Eles precisam saber o quê, como e quando dar; avaliar o aprendizado; e, claro, saber usar a tecnologia em favor da Educação. A rigor, não sou deslumbrado com esses recursos e digo o porquê: quem tem de fazer a diferença na sala de aula é o professor, o professor motivador, aquele que sabe estimular a curiosidade da criança... E tanto isso é verdade que se encontra gente aprendendo sem ter nada por perto, nem um pedaço de papel! Indiscutivelmente a aula será mais rica se tiver à disposição um computador e essa montanha de recursos tecnológicos... Mas isso não garante a Educação, o que garante é o professor, mobilizando e orientando o aluno em seu aprendizado.
- Com o SER Público, será possível manter o mesmo padrão de qualidade, apesar dos problemas típicos dessa rede, como a formação deficiente do professor e a falta de informação do aluno?
- Marco Antonio Ferraz: Trabalhar com o ensino público é realmente o que vai exigir mais de nós, em razão desses problemas. Mas não é o caso de criar um produto mais "pobre", como alguns concorrentes fazem, uma espécie de material B para a escola pública e A para a privada. Pretendemos estruturar o SER Público de modo adequado, sempre apostando na Educação de qualidade. Para mim, a grande questão não é o "quê", mas "como". Porque a criança da escola pública é tão capaz quanto a da escola privada. Mesmo a mais carente, intelectualmente ela é igual... Diria até que ela tem a imaginação mais rica, por não ter recurso algum é ávida em "mergulhar", há um enorme preconceito a respeito... Mas, claro, é preciso transmitir informação de forma adequada, assim como formar corretamente o professor. Sim, ainda dá para encontrar crianças de 9 anos que não foram alfabetizadas, mas isso é outro problema. Agora, se já tiverem sido, vão aprender rápido! O que talvez elas não tenham é conhecimento, daí o cuidado ao estruturar o ensino para esse tipo de aluno.
- Ou seja, continua otimista em relação à Educação brasileira?
- Marco Antonio Ferraz: Otimista? Não, eu sou um apaixonado por Educação! E continuo a dizer que a única coisa que se tem em mãos para transformar as pessoas é a Educação. Sempre acreditei nisso, desde quando me dei conta, como professor, do que era ter umas 40 pessoas atentas, à espera da informação que eu iria transmitir... Isso é bom demais!