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PARTICIPAÇÃO

Fundação Bradesco aposta no tradicional para melhorar Educação

Instituição mantém 40 escolas gratuitas pelo Brasil e atinge mais de 111 mil estudantes


18/06/2009 19:01
Texto Patricia Cerqueira
Educar
Foto: KRIZ KNACK
Foto: bradesco
"A Fundação Bradesco aprendeu a superar os desafios de implantação das escolas, que começam pela escolha do terreno"
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A Fundação Bradesco capitaneia um dos programas privados mais antigos para a melhoria da Educação brasileira. O principal objetivo da entidade, na década de 50, era levar escola para locais carentes. Desde então, mais de 40 escolas privadas, as Escolas da Fundação Bradesco, com ensino gratuito, da Educação infantil ao ensino médio, foram sendo abertas pelo país. Em 2006, a fundação se arriscou ao diversificar seu público-alvo e expandir a metodologia de ensino para escolas da rede pública. No ano seguinte, então, surgiu o Educa+Ação, programa que visa integrar a iniciativa privada e o setor público municipal, dando condições de ensino para que crianças aprendam a ler e escrever até os oito anos de idade.

O projeto piloto, implantando em cidades do Vale do Ribeira, adotou a metodologia de ensino utilizada nas 40 escolas da Fundação Bradesco e alcançou um resultado excelente: mais de 90% dos alunos no Educa+Ação sabiam ler e escrever. "Agora, queremos expandir o projeto. Só que não temos dinheiro para bancá-lo sozinhos. Nossa ideia inicial era que qualquer empresa que desejasse melhorar a Educação na sua região e não soubesse como, teria o projeto à disposição, desde que bancasse os custos de impressão das apostilas e de aperfeiçoamento e acompanhamento de uma pessoa da Fundação nas escolas. E isso ocorreu", afirma a diretora-adjunta da Fundação Bradesco, Denise Aguiar. Em 2009, o programa ampliará o atendimento no Vale do Ribeira, além de atingir nas cidades de Angélica e Ivinhema (MS) e em Embu (SP). 

Além da expansão do Educa+Ação, Denise quer continuar abrindo escolas pelo Brasil afora. Ela é neta do fundador do Bradesco, Amador Aguiar, que criou projetos de Educação muito antes da popularização do conceito de responsabilidade social no Brasil.

Conheça melhor a seguir os projetos desenvolvidos pela Fundação Bradesco.

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Para ler, clique nos itens abaixo:
1. O que a Fundação Bradesco faz?
Mantém 40 escolas de ensino gratuito em todos os Estados brasileiros e no Distrito Federal. Na Bahia, em Minas e em São Paulo há mais de uma unidade das escolas. Duas são internatos: a do Tocantis e a da Bodoquena, no Pantanal sul-matogrosense. Os colégios têm o perfil de grandes escolas particulares, para atender um número razoável de alunos: 111 mil alunos que frequentam as aulas dos cursos regulares e extracurriculares. A maior parte dos alunos, 50.845, está na Educação básica e no ensino médio. E o restante, dividido entre alunos do EJA (Educação de Jovens e Adultos), com 19.667, e da FIC (Formação Inicial e Continuada), com 41.250 estudantes. Na FIC, pessoas da comunidade, pais de alunos ou não, fazem cursos que vão de culinária à cabeleireira passando por bordado, babá até produção gráfica e informática. Os cursos podem ser de curto, médio e longo prazo e têm como objetivo fazer com que a renda familiar do aluno melhore. "Oferecemos essas possibilidades para trazer a comunidade para dentro da escola e ampliar o repertório dela", diz Denise Aguiar, diretora-adjunta da Fundação Bradesco. Para instalar escolas, a entidade leva em conta o IDH e Ideb de cada região. A região também precisa ter uma infraestrutura mínima, como ônibus, para o professor ir a escola. "Se nem ônibus chega no local, o professor também não chegará. E aí não dá certo", diz Denise.

Em 2006, a fundação decidiu que poderia expandir a metodologia de ensino para outras escolas públicas ou privadas. O objetivo era fazer com que todas as crianças atendidas terminassem o segundo ano alfabetizadas. Depois de um ano de estudo sobre como viabilizar a ideia e de conversas com prefeitos e secretários, o material pedagógico da fundação foi cedido às escolas participantes. No kit, apostilas para professores e alunos, livros didáticos (matemática, língua portuguesa, história, geografia e ciências), biblioteca de classe com 45 títulos, CDs de músicas infantis, videoteca e material pedagógico de apoio. O projeto também organizava capacitações com os professores a cada dois meses.

A iniciativa foi testada com crianças de 6 e 7 anos em oito cidades do Vale do Ribeira, região carente no interior de São Paulo. O projeto terminou no ano passado com o objetivo alcançado: mais de 90% dos alunos terminaram o segundo ano alfabetizados, sabendo ler e escrever. "Agora, queremos expandir para quem quiser. Só que não temos dinheiro para bancar o projeto sozinhos. Nossa ideia inicial era que qualquer empresa que desejasse melhorar a Educação na sua região e não soubesse como, teria o projeto à disposição, desde que bancasse os custos de impressão das apostilas e de aperfeiçoamento e acompanhamento de uma pessoa da Fundação nas escolas. E isso ocorreu. Estamos em dois municípios do Mato Grosso do Sul e no Embu, em São Paulo. Não queremos ganhar dinheiro com isso, de jeito nenhum, mas, sim, melhorar a Educação nas regiões", diz Denise Aguiar.
2. Quanto a Fundação Bradesco gasta?
Estão previstos 231 milhões para 2009
3. Quais os resultados dos investimentos?
Em 10 anos, a Fundação Bradesco atendeu mais de 1,4 milhão de alunos, com taxa de aprovação de 96,3% e a evasão em 2,8%.
4. Como avalia o impacto dos projetos?
As escolas da fundação têm uma rotina de escola particular tradicional, com provas, avaliações sistemáticas, relatórios, planilhas. "Mas cada escola tem a sua autonomia", diz a diretora-adjunta Denise Aguiar. A fundação também participa de avaliações governamentais, como o Enem. Segundo Denise, a média das escolas da fundação no último Enem foi de 5, melhor que o restante do país. Também há outro tipo de impacto, medido de maneira informal. "Sabemos que quando os alunos terminam o curso nos internatos são muito procurados porque todos saem como técnico em agropecuária", diz. Nas escolas urbanas, é possível perceber esse impacto observando o entorno. A escola do Jardim conceição, em Osasco, sofreu uma mudança radical, de acordo com Denise. As ruas eram de terra, predominavam barracos. Hoje, praticamente todas as ruas estão asfaltadas, e as casas são de alvenaria, coloridas. Até o preço do imóvel subiu com essa mudança. O índice de criminalidade na região caiu 90%. "Fizemos um levantamento há pouco tempo e descobrimos que alunos que saíram da fundação viraram juízes, foram trabalhar no gabinete da Presidência da República, no FMI, em empresas de jornalismo, na medicina. Um se formou como neurologista. Encontrei uma ex-aluna em Fernando de Noronha, aluna de hotelaria em Recife", diz Denise.
5. O que aprenderam em mais de 50 anos?
A Fundação Bradesco aprendeu a superar os desafios de implantação das escolas, que começam pela escolha do terreno. Também aprendeu a divulgar melhor seus projetos. "Em várias localidades, já enfrentamos a situação de poucos acreditarem que a escola seria de graça. Em alguns lugares, ninguém queria colocar o filho na escola porque achava que era pago", diz Denise. "No meio do Brasil, com pouca informação, ninguém conhecia a Fundação Bradesco. As pessoas conhecem o banco", explica a diretora-adjunta. Denise conta que a entidade também aprendeu a planejar melhor a seleção de professores. "No processo seletivo da última escola, inaugurada do Jardim Conceição, em Osasco, há cinco anos, tivemos 19 mil para pouco mais de mil vagas. É muita gente e requer uma logística absurda. Já tivemos de alugar salas em universidades para a realização da prova."
6. Como transformar uma ação social em bem para a marca do banco?
"A prioridade é que nossas ações tenham impacto social. O valor para a marca é uma consequência. Sabemos que uma das premissas básicas na relação de confiança nossos públicos é entregar o valor que propagamos", afirma Denise Aguiar. Segundo ela, , marca forte se constrói com a admiração das pessoas. "A prática da gestão responsável, com visão de longo prazo e foco em resultados, naturalmente, cria valor para todos os envolvidos, não só para a marca, mas para tudo o que ela representa, inclusive o compromisso social."
7. Como separar as ações sociais das ações comerciais do banco?
A ética deve balizar essa relação. "Em alguns aspectos é positivo que a empresa contribua com sua experiência para a área social. No entanto, a área social não deve estar suscetível, mas alinhada à estratégia da empresa e seus valores", explica Denise Aguiar. A medida ideal, para ela é a colaboração e não a subordinação. "A área social deve perseguir seus objetivos na direção do interesse público e não do privado, visando uma gestão sustentável para garantia da continuidade de sua missão."

 

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