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Em 2001, quando saiu o resultado do Pisa, programa internacional que avalia conhecimento de alunos de vários países, Roberto Setubal, presidente do Itaú, reuniu-se com a equipe da Fundação Itaú, braço social da empresa, e perguntou a todos como poderiam contribuir para melhorar a classificação brasileira. Dessa reunião, nasceu uma ideia aparentemente simples: promover um concurso literário como meio de incentivar a leitura e desenvolver a escrita em alguns gêneros literários. O concurso Escrevendo Futuro, que premia as melhores redações de português de alunos a partir da 4ª série, ganhou importância e visibilidade. Criado em 2002, foi adotado pelo MEC cinco anos depois como política pública de educação - é uma das 32 ações do PDE (Programa de Desenvolvimento da Educação).
A Fundação Itaú Social coleciona cases de sucesso que, a exemplo do concurso literário, foram transformados em política pública. A partir da experiência com o Prêmio Itaú-Unicef, a fundação foi convidada pela prefeitura de Belo Horizonte, em 2002, a apoiar um projeto de Educação Integral. "Executamos as ações por quatro anos. Instituir esse programa foi um grande desafio para a fundação. Tivemos de falar com todas as secretárias, com a da Saúde, com a da Educação, com a do Esporte. Esse diálogo não é fácil, principalmente quando é preciso ter dos secretários o compromisso de que coloquem a criança e o adolescente no centro dos trabalhos. Mas deu certo. Em 2006, o prefeito Fernando Pimentel (PT) conseguiu aprovar uma lei tornando política pública a educação integral", explica Ana Beatriz Patrício, a diretora da instituição.
Outro programa adotado pelo MEC foi o Melhoria da Educação no Município. O Itaú Social oferecia o programa para pequenos municípios, treinando gestores municipais de educação durante dois anos para que fizessem um diagnóstico da situação sócio-econômica da cidade. Eles aprendiam a utilizar indicadores sociais, a identificar espaços educativos subaproveitados - como bibliotecas, parques, praças e museus - e analisar fragilidades do sistema educacional. Com os resultados, os gestores pensavam num plano de ação educativa para o município. O MEC adotou o projeto e o expandiu para mais municípios, responsabilizando a Fundação pelo treinamento de gestores em municípios de médio e grande porte. "Não vamos mais trabalhar com os municípios pequenos. Esse trabalho está sob responsabilidade do MEC."
Muitos dos programas da fundação nascem por desafios colocados pelo presidente da instituição, Roberto Setúbal. Outros têm desenvolvimento coletivo. "Nós compartilhamos os desafios com os parceiros, como o Cenpec, Instituto Fernand Braudel ou o Ficas", diz a diretora da fundação, Ana Beatriz Patrício. Ela deixa claro, porém, que a Fundação não é uma financiadora de projetos. "Apenas 20% no nosso orçamento é destinado a projetos de terceiros que tenham coerência com nossa crença".
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- 1. O que a Fundação Itaú Social faz?
- O Banco Itaú atua na área social desde os anos 90, com o Programa de Ação Continuada, de 1993, e o Prêmio Itaú-Unicef, de 1995. Em 2000, a Fundação foi instituída formalmente. Surgiram o concurso literário Escrevendo Futuro, que hoje é a Olimpíada da Língua Portuguesa - Escrevendo o Futuro, o Projeto Gestores de Aprendizagem Educativa, o Programa Jovens Urbanos, o Curso de Avaliação Econômica de Projetos Sociais e o Excelência em Gestão Educacional. Este último, lançado no final de 2008, é fruto de uma parceria com a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo.
O concurso literário, programa mais conhecido da instituição, foi criado em 2002 e adotado pelo MEC, cinco anos depois, como política pública de Educação - é uma das 32 ações do PDE (Programa de Desenvolvimento da Educação). A Fundação Itaú Social e o Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária) fazem a coordenação técnica e o MEC amplia o alcance do programa, permitindo que ele chegue a quase todas as cidades brasileiras. Em 2006, sem a participação do MEC, o concurso chegou a 33 mil escolas e 15 mil professores. Em 2008, depois da parceria, foram 55 mil escolas, 200 mil professores, 6 milhões de alunos e 98% dos municípios brasileiros. O convite de participação é enviado a todas as diretorias de ensino, que repassam às escolas, que por sua vez, encaminham aos professores. Não é obrigatório participar. "O convite do ministro nos deixou muito feliz. Nos fez acreditar que estamos conseguindo alcançar nosso objetivo, que é chegar a milhões de crianças, algo que nenhuma instituição privada consegue fazer sozinha. A única forma de ganhar escala e tocar nesses jovens e crianças é fazer alianças com o poder público. A Olimpíada se tornou emblemática para nós", diz a diretora da fundação, Ana Beatriz Patrício.
- 2. Qual o orçamento da Fundação?
- Cerca de R$ 50 milhões para 2009. "Apenas 20% desse valor é colocado em projetos de terceiros que não coordenamos, mas cobramos resultados", diz a diretora da fundação, Ana Beatriz Patrício.
- 3. Como definem onde a fundação pode atuar?
- Estudando as possibilidades de investimento. A fundação elegeu como prioridades a formação de professores em leitura escrita, educação integral, gestão educacional e avaliação econômica de projetos sociais. Nessas áreas, procura criar metodologias, testá-las, sistematizar processos e oferecê-las ao poder público e outras organizações sociais.
- 4. Quem executa os programas da Fundação Itaú Social?
- A execução é feita em parceria com outras instituições. "Quando procuramos um parceiro nunca nos colocamos como investidores de projetos, aquele que dará apenas o dinheiro. Sempre temos uma pessoa da fundação responsável por ele. Nossa equipe é formada por sociólogos, psicólogos e outros técnicos com trajetória em educação ou no terceiro setor", diz a diretora Ana Beatriz Patricio.
- 5. Quais os resultados do concurso de redação nas escolas?
- Levantamento feito pelo Prova Brasil, em 2006, mostrou que as crianças das escolas que participaram do Escrevendo Futuro foram melhores na prova. O impacto do concurso, segundo Ana Beatriz Patrício, foi significativo no exame.
- 6. Como avalia o impacto dos projetos?
- A fundação desenvolveu uma metodologia de avaliação de impacto própria, usando a expertise do banco Itaú. Além disso, faz parceria com outros institutos para avaliar seus programas. O impacto da Olimpíada de Língua Portuguesa, por exemplo, é avaliado com as Universidades Federais de Pernambuco (UFPE), de Minas Gerais (UFMG) e com o Instituto Vox Populi. Para Ana Beatriz, as avaliações servem para definir os rumos de cada projeto: mostram os pontos fortes e aqueles que precisam ser alterados nos programas. "Isso ocorreu com dois deles, o Melhoria da Educação no Município e o Jovens Urbanos. As avaliações mostraram que era preciso fazer alterações nos dois projetos", diz a diretora da fundação. Outra pesquisa, da AC-Nielsen, concluiu que diversos professores têm se inscrito em todas as edições do Escrevendo o Futuro por causa do material de apoio (curso de capacitação, caderno do professor para a orientação de produção de textos, orientação on line) que recebem. Para Ana Beatriz, o estudo mostra que o programa tem acertado em um de seus objetivos, que é o de constituir uma estratégia de mobilização que ofereça aos professores oportunidade de formação.
- 7. O que aprenderam depois de nove anos de atuação?
- Que os desafios são muitos e contínuos. "Queremos entender as centenas de amarras que existem no caminho entre as escolas e as secretarias de educação e que tornam o sistema educacional brasileiro pesado, ineficiente, com informações que se perdem no meio do caminho", diz a diretora da fundação, Ana Beatriz Patrício.
- 8. Como transformar a ação social da Fundação num bem para a marca do banco Itaú?
- Trabalho social sério, para Ana Beatriz, não pode ser movido pelo interesse do marketing. "Trabalhamos o investimento social do Itaú com clareza de que, sendo investimento, deve trazer retorno e, sendo investimento social, o retorno deve ser para a comunidade beneficiada pelo projeto desenvolvido. Por isso, trabalhamos fortemente avaliando o impacto social dos projetos." Segundo ela, para o Itaú, o investimento social está alinhado com as crenças e valores da fundação e, portanto, em coerência com a marca Itaú. "Temos clareza de que o investimento social em programas que buscam a sustentabilidade também fortalece a marca de uma empresa. Mas para isso é fundamental que a ação seja consistente e efetiva, se não, há mais riscos do que ganhos para a imagem da empresa, além de não se agregar valor para a sociedade."
- 9. Como separar as ações sociais das ações comerciais do Itaú?
- As ações da Fundação Itaú Social, segundo Ana Beatriz, são totalmente integradas à estratégia de sustentabilidade do banco. "Entendemos que a ação social deve ser resultado de um posicionamento de negócio sério, comprometido com o desenvolvimento social e econômico do país. As ações sociais, no Itaú, não são realizadas para alavancar negócios, mas a atuação da empresa é coerente com o seu posicionamento social e busca, sempre, promover a aproximação e comprometimento de suas equipes com a comunidade. A aproximação com a comunidade é um valor importante para o Itaú. Partimos do princípio que a responsabilidade social é um valor e um compromisso do banco que deve envolver todos os seus colaboradores e toda a sua estratégia de negócio."