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Fundação Telefonica foca em tecnologia da Educação

Tecnologias de Informação e Comunicação são a base dos trabalhos do braço social da empresa espanhola de telefonia


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18/06/2009 19:26

Texto
Patricia Cerqueira

Foto: Cintia Sanchez
Foto: telefonica

Segundo Sérgio Mindlin, os projetos da Fundação Telefonica já , beneficiaram mais de 5 milhões de pessoas nos últimos 10 anos

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Quando a Telefonica desembarcou no Brasil, no final da década de 90, trouxe na bagagem seu braço social, a Fundação Telefonica. Com a expertise da matriz espanhola, parecia óbvio que o início dos trabalhos sociais da filial brasileira, em 1999, seria mais fácil. A realidade mostrou o contrário. Criar uma fundação do zero, mesmo tendo um modelo a ser copiado, é trabalhoso e desafiador. "Primeiro a empresa precisa ter alguém que cuide, segundo um estatuto desenvolvido para definir público e ações. No nosso caso, o estatuto era muito amplo. Conseguimos fechar a atuação e o público-alvo, que seriam a criança e o adolescente", diz Sérgio Mindlin, presidente da Fundação Telefonica. As ações da fundação estavam definidas pela matriz espanhola: era necessário apoiar projetos de Educação usando tecnologia, projetos de saúde, de cultura e de desenvolvimento social. 

Em Educação, os projetos da Fundação Telefônica usam as Tics (Tecnologias de Informação e Comunicação) como base. "Nossa ideia é a de que a tecnologia de informação serve para conectar as organizações sociais que trabalham com crianças e adolescentes", diz Mindlin. E completa afirmando que o primeiro "estalo" de uma corporação, antes de definir o público e os programas, é a direção da empresa ter a percepção que há uma responsabilidade social a ser exercida. "Uma responsabilidade que vai além de produtos, serviços, qualidade, preço, que deve uma contribuição para o desenvolvimento da sociedade", diz Mindlin. 

Conheça melhor a seguir os projetos desenvolvidos pela Fundação Telefonica.

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Para ler, clique nos itens abaixo:
1. O que a Fundação Telefonica faz?
Coordena sistemas de tecnologia de informação para, principalmente, conectar organizações sociais e escolas que trabalham com crianças e adolescentes, como o portal Pró-Menino (promenino.org.br), no ar desde 2000. "Quando começamos, as ONGS trabalhavam completamente desconectadas, ninguém sabia o que a outra fazia", lembra Sérgio Mindlin, presidente da Fundação Telefônica. No portal, todas as organizações sociais cadastradas podem acrescentar dados do público com os quais desenvolve projetos educativos ou não. Há ainda informações jurídicas, testes e notícias sobre criança em risco de trabalho infantil, um dos focos do Pró-Menino. O núcleo básico do sistema de informação, o Redeca, é disponibilizado para qualquer pessoa cadastrada, ONGs, Ministério Público, Conselho Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente. As informações servem de base para ações e programas e para a comunicação entre elas. "Um administrador, que pode ser uma prefeitura, uma secretária, organiza as informações que são colocadas no banco de dados. A Fundação é um gestor desse sistema. O Redeca não é apenas para as ONGS. A escola deveria participar dele e incluir ali informações sobre seus alunos. Mas, infelizmente, elas ainda não despertaram para a força desse banco de dados", diz Mindlin.

O contato da Fundação com as escolas se dá mais intensamente pelo portal Educarede, desenvolvido pela matriz na Espanha e adaptado para a realidade brasileira. Seu conteúdo é voltado para professores e alunos. "Este é um portal para apoiar o professor no processo de ensino e um indicador de bons conteúdos, além de incluir sugestão de projetos e de aulas que mobilizam docentes para trazer alunos para o site, porque nenhum projeto anda sem mobilização", afirma o presidente da fundação. Entre os usuários, 43% dos usuários são alunos, 43%, professores. O restante é sociedade em geral. "Gente como eu e você", diz Mindlin. Atualmente, o Educarede é o principal programa da Fundação gerador de conteúdo para Educação. O portal tem Cenpec, a Fundação Vazolini e o Terra como parceiros. "Nosso papel é o de direção estratégica do projeto, dizer o que se quer e onde se deseja chegar. O do Cenpec é de conhecer as carências da escola e produzir conteúdo. O da Vanzolini é o de desenvolver tecnologia para montar o site. O portal Terra diz como usar a internet e se ela está funcionando", explica Mindlin. O Educarede tem trabalhado nos últimos meses em conjunto com o Pró-Menino pela melhoria da qualidade Educação para combater o trabalho infantil.

A Fundação também gerencia o Aulas Fundação Telefônica, um projeto-piloto que leva a informática para dentro da sala de aula. Doou, para 11 escolas no Estado de São Paulo, 40 laptops. "Escolhemos escolas onde estudam crianças em risco de trabalho infantil. Mas todos os alunos são beneficiados. Capacitamos os professores para que usem o computador em sala de aula, para que ensinem os alunos a escrever direto do computador, melhorando o português, a fazer tabelas, gráficos. No mínimo, o processo de aprendizagem fica mais interessante e menos chato", diz Mindlin. Os computadores rodam entre os alunos da escola toda.
2. Quanto gasta?
O orçamento da Fundação previsto para 2009 é de R$ 21 milhões.
3. Quais os resultados?
A continuidade dos projetos - com expansão de alguns - durante esses anos todos é o principal indício de que os resultados estão sendo alcançados, segundo o presidente Sérgio Mindlin. Os programas da fundação, incluindo Educação e defesa dos direitos das crianças e dos jovens, beneficiaram mais de 5 milhões de pessoas nos últimos 10 anos.
4. Como a Fundação Telefonica avalia o impacto de seus projetos?
Por meio de pesquisas e pelos acessos aos portais. O Educarede reúne atualmente mais de 150 mil usuários cadastrados e recebe mais de 100 mil visitantes únicos a cada mês, que acessam, em média, 1,15 milhão de páginas mensalmente. Essa audiência corresponde à vigência do ano letivo. "Percebemos que no período de férias os acessos caem absurdamente. Só esse indicativo nos mostra que o Educarede é um portal usado para a Educação", diz Sérgio Mindlin, presidente da instituição. O Pró-Menino passou por uma avaliação em 2001, que mostrou que os usuários não usavam o sistema por considerá-lo difícil. A Fundação passou os três anos seguintes adaptando e reformulando o portal.
5. O que aprenderam depois de 10 anos de ações?
Que os projetos levam tempo para ganharem a cara desejada e que são passíveis de mudanças, sempre. "Quebramos muito a cara no meio do caminho, financiando projetos que não deram em nada. Em 2001, fizemos uma pesquisa e descobrimos que ninguém usava o sistema de unificação de informação do Pró-Menino porque ele não funcionava e faltava mobilização", diz o presidente Sérgio Mindlin. Os executivos da fundação também se surpreenderam quando se colocaram à disposição da Secretaria de Educação à Distância do Ministério da Educação (MEC) para colaborar pela melhoria da qualidade da Educação no país. "Falamos que gostaríamos de investir em tecnologia para a Educação. A primeira resposta que ouvi foi: 'Então, agora vocês entendem de Educação e estão aqui para dizer o que precisa ser feito'. Claro, que não era isso. Expliquei que era o contrário, que não entendíamos nada de Educação, mas tínhamos a vontade de investir na área usando a nossa expertise, que é a tecnologia de informação, e queríamos saber onde poderíamos ajudar”. As primeiras demandas recebidas do MEC eram por conexão e equipamento. "Não era isso que desejávamos. Universalização de acesso é um dever do Estado", lembra Mindlin. Outro ponto definido antes do início das ações era o de que a fundação não iria apenas financiar projetos. "Queríamos contribuir com o diferencial da nossa área de negócio, que é a telecomunicação e a informação. Ela seria a base dos projetos e por isso passamos a investigar as carências sociais nessa área. Mas também decidimos que iríamos investir em programas de organizações sociais", diz Mindlin.
6. Como transformar a ação social da Fundação Telefônica num bem para a marca da empresa?
Na medida em que seus projetos desenvolvidos são reconhecidos como sérios, duradouros e promovem efetivamente melhorias e para os seus beneficiários, a Fundação Telefonica adquire reputação positiva, que se transfere à marca da Telefonica. "Ações de divulgação dos projetos e seus resultados, especialmente através de entrevistas e matérias nos veículos de mídia, são um complemento importante a essa transferência, na medida em que possibilitam atingir outros públicos", afirma Sérgio Mindlin.
7. Como separar as ações sociais das ações comerciais da empresa?
Sérgio Mindlin, presidente da Fundação Telefônica, afirma que a Fundação não é um departamento da empresa e assim não vende produtos em nenhum dos seus projetos. "Nos portais Educarede e Pró-Menino não há qualquer mensagem comercial, nem as informações cadastrais dos usuários (necessárias para aqueles que desejam utilizar as ferramentas interativas dos portais, como as comunidades virtuais) são disponibilizadas para as áreas de negócio das empresas do Grupo Telefônica", diz Mindlin. A área de negócios não entra na esfera social, mas esta segunda se utiliza da área comercial para divulgar as ações da Fundação. Mindlin dá um exemplo: "Quando veículos de divulgação comercial, como o folheto Conexão, que é distribuído junto com a conta telefônica aos clientes, divulgam ações da Fundação, há uma clara separação entre ações comerciais e sociais. É legítimo divulgar as ações sociais, pois elas são parte da ação da empresa".
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