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AVALIAÇÃO

As lições da Ennio Voss

A escola de melhor desempenho de 5ª a 8ª série na capital paulista não tem fórmula mágica: a direção trabalhou muito para chegar lá


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23/04/2009 17:47

Texto
Marina Azaredo

Foto: Cida Souza
Foto: Escola

A atual diretora da Ennio Voss, Tatiana Kym, atribui o bom desempenho da escola no Idesp à antiga diretora, que se dedicou ao cargo durante 10 anos

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A Escola Estadual Ennio Voss encabeça a lista das melhores instituições da capital paulista de 5ª a 8ª série em um ranking baseado no Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo). Esse indicador, divulgado recentemente, foi criado pela Secretaria de Estado da Educação para avaliar todas as escolas estaduais de São Paulo, com base no desempenho dos alunos no Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) e no fluxo escolar.

Logo que o desempenho das escolas paulistas foi divulgado, a Ennio Voss virou notícia. O motivo do destaque foi o resultado obtido nas séries finais do Ensino Fundamental. Com 4,13, a escola, apesar de ser a melhor da cidade de São Paulo, ainda está longe de atingir a meta estabelecida pela secretaria para o nível, que é 6. Mas, encabeçando um ranking de 585 escolas - em que a última colocada ficou com apenas 0,93! -, a Ennio Voss tem algumas lições a dar para outros colégios públicos. Participação da família, professores empenhados, ambiente limpo e organizado, diversidade na sala de aula e, principalmente, continuidade de gestão. Eis os principais aspectos que levaram à escola ao topo do ranking. “Sozinha, a escola não faz nada”, resume a diretora Tatiana Kym. A receita, portanto, pode ser aplicada em qualquer escola. Basta que a comunidade escolar se una pelo mesmo objetivo.

Tatiana, há um mês no cargo, tem a explicação para o bom desempenho na ponta da língua. “Tudo se deve a um longo trabalho da diretora anterior, que ficou dez anos aqui”, afirma. Segundo ela, a antiga direção trabalhou arduamente para motivar todos os professores e funcionários, assim como os pais dos alunos. O resultado é que, além de os professores serem empenhados, os pais são frequentadores assíduos do colégio e a comunidade escolar trabalha em conjunto. “Os pais não deixam de vir nas reuniões que fazemos aos sábados e nunca falta gente para ajudar na organização das festas da escola.”

Para atender aos 1.205 alunos, a escola conta com 50 professores, um auditório, um laboratório de ciências, uma sala de artes, uma sala de recursos para crianças especiais, uma biblioteca, uma quadra, um ginásio e duas salas de informática - uma delas têm 23 computadores novos recém comprados pelo governo; a outra, usada apenas pelos alunos de 1ª a 4ª, tem 35 notebooks doados pela empresa de telefonia Vivo, que adotou a escola através de uma parceria feita pelo Parceiros da Educação. O programa reúne empresas interessadas em ajudar escolas públicas. “Conseguir essa parceria foi uma das lutas da direção anterior”, conta Tatiana. Além dos 35 notebooks doados, a Vivo fez um levantamento das prioridades junto à comunidade escolar. A partir disso, investimentos devem começar a ser feitos no colégio em 2009.

As coordenadoras pedagógicas da Ennio Voss, Vera Lúcia Torres e Edith Paes, apostam na conscientização da família sobre a importância da formação de uma criança ou adolescente para tentar garantir que a escola continue tendo bom desempenho e atinja as metas do governo do Estado. Mas ressalvam: será difícil chegar à nota 6 nas condições atuais. “O ideal seria que tivéssemos apenas 20 alunos por sala, em vez de 35, e que o salário dos professores fosse digno. Mas não deixamos de fazer nosso trabalho por causa disso”, afirma Edith. No entanto, apesar do primeiro lugar, a escola sofreu uma redução no seu desempenho em relação ao Idesp de 2007 - passou de 4,33 para 4,13. De acordo com a coordenação pedagógica e a direção, a queda se deve ao aumento do índice de repetência na 8ª série. Em 2008, 27 de 180 alunos foram reprovados. “Eram alunos que ainda não tinham condições de começar o Ensino Médio”, justifica Vera Lúcia.

Os alunos, no entanto, não reclamam da rigidez da escola. Natália Alves, que freqüenta a 6ª série, diz que gosta muito da escola e sente orgulho do bom desempenho no Idesp. “As aulas são legais e eu me divirto muito aqui”, conta. Natália mora com a família no bairro do Morumbi. O pai, Nicolau Alves, trabalha como zelador em um prédio do bairro e escolheu a Ennio Voss porque o filho mais velho, de 20 anos, estudou lá da 1ª à 8ª série. “Sempre gostamos muito da escola. Hoje o meu filho faz faculdade de Engenharia Mecânica”, conta Alves, que nunca passou da 5ª série. Hoje, sente orgulho em dizer que os dois filhos já estudaram mais do que ele.

Assim como no Blanca Simões, escola de 1ª a 4ª série com melhor Idesp da cidade de São Paulo, a Ennio Voss recebe muitos alunos vindos de escolas particulares. São crianças e adolescentes de famílias que perderam seu poder aquisitivo, mas que têm acesso a bens culturais e melhores condições de vida. Segundo a diretora Tatiana, muitos dos alunos novos desse ano vieram do Japão. "São filhos de brasileiros que perderam o emprego lá em decorrência da crise financeira e resolveram voltar", explica. Apesar de contar com estudantes de classe média, também há alunos carentes na Ennio Voss. "No mínimo, 60% dos nossos alunos moram na favela de Paraisópolis, que é uma comunidade muito pobre", afirma a diretora.

Apesar do bom desempenho no Idesp, a escola não está imune a problemas como a violência e o uso de drogas. "É claro que aqui também existe indisciplina. Mas praticamente nunca tivemos problemas com drogas", afirma Tatiana. "Quando acontece algo desse tipo, chamamos imediatamente os pais. É bom perceber que a maioria apoia a escola e gosta dessa rigidez." 

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