Educar para Crescer
busca

Educar para crescer

AVALIAÇÃO

As lições da melhor escola estadual da capital

O que a Rui Bloem melhor escola estadual de Ensino Médio da capital paulista fez para chegar ao topo do ranking


Educar

23/04/2009 18:18

Texto
Marina Azaredo

Foto: Cida Souza
Foto: Escola

A tradição da Escola Estadual Rui Bloem não é de agora, a escola também já ficou em primeiro lugar no Enem por dois anos

----- PAGINA 01 -----

Campeã do Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) entre as escolas paulistanas de Ensino Médio, a Rui Bloem alcançou uma média de 3,71. Também já foi primeiro lugar no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) - por duas vezes, o colégio obteve o melhor desempenho entre as unidades da rede estadual na capital paulista - e acabou se transformando em uma escola-modelo.

É verdade que o Idesp, um índice que combina o desempenho dos alunos no Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) com o fluxo escolar, é medido em uma escala de zero a 10, o que torna preocupante que a escola com nota mais alta tenha uma média de apenas 3,71. No entanto, é preciso lembrar que, de uma lista de 573 escolas, a última teve nota 0,40. Diante desses números, o resultado da Rui Bloem deve, sim, ser encarado como exemplo para outros colégios. Afinal, é a escola que mais se aproxima da meta da Secretaria de Estado da Educação, que é 5 para o Ensino Médio. Mas o que essa escola tem de diferente?

A escola é bem cuidada, bonita, organizada e limpa. Não há vandalismo. "Somos rigorosos, vigilantes", afirma a diretora Maria Cleusa dentro de sua sala envidraçada, enquanto observa os alunos que estão no pátio, na aula de Educação Física. Diretora da Rui Bloem há seis anos, ela credita o bom desempenho da escola de 2 mil alunos nas avaliações governamentais a um conjunto de fatores. "Temos excelentes professores e pais muito participativos", afirma. Segundo ela, a APM (Associação de Pais e Mestres) é muito atuante e as famílias mais interessadas são aquelas que lutam muito para conseguir uma vaga na escola. "Eles ficam tão felizes que, depois, fazem questão de acompanhar o desenvolvimento dos filhos".

Outro ponto de destaque é o centro de línguas. O centro, fruto de uma parceria com a Secretaria Estadual de Educação, tem 900 alunos, entre jovens da própria escola e de outros colégios, e oferece aulas de francês, alemão, japonês e espanhol.

"Os professores e os alunos são interessados", respondem quase em uníssono Caio Alves, 15 anos, João Batista, 15, e Henry Hortega, 16, quando questionados sobre a qualidade da escola. Embora ainda não tenham certeza sobre qual profissão seguir, todos pretendem fazer vestibular e consideram as aulas de línguas um "investimento para o futuro". Moradores de bairros da zona sul de São Paulo, os três chegam à escola todos os dias de ônibus e, da mesma maneira, voltam para casa no final do dia.

Esse também é o caso de Thuany Cristini Cardoso, 16 anos. Moradora do Jabaquara, ela vai para a escola de carro, com a mãe, e volta de ônibus, mas não reclama da distância. "Eu estudava em uma escola particular antes de vir para cá, mas as nossas condições financeiras pioraram e tive de mudar para uma pública. Como a Rui Bloem tem toda essa fama de ser ótima, achamos que seria a melhor opção", conta. Aluna do 3º ano, ela afirma não perceber grandes diferenças em comparação com o colégio privado em que estudava. "A única diferença é a quantidade de alunos por sala (são cerca de 40 na Rui Bloem), mas, com a colaboração de todos, isso não chega a influir no nosso aprendizado", afirma Thuany, que pretende prestar vestibular para Artes Cênicas e virar atriz de televisão.

Além do centro de línguas, que conta com salas exclusivas, a Rui Bloem tem também sala de leitura, laboratório, sala de informática com 22 computadores novos, anfiteatro, sala de TV e quadras de esportes. Na sala de informática, estagiários da própria escola trabalham como monitores. É o caso de Paula Maria Suassuna, 16 anos. Aluna de uma turma noturna do 3º ano, a adolescente ganha R$ 340 por mês para trabalhar das 8h às 12h na sala. Ela coordena a distribuição dos computadores entre os alunos, que têm meia hora para utilizá-los, caso a demanda seja maior do que o número de máquinas. "Vale a pena estudar aqui, porque tem disciplina, a direção é boa e a escola é 'arrumadinha'", resume a garota.

Enquanto isso, na sala dos professores, Adamaris Corrêa e Sandra Serafim aproveitam o horário livre para preparar uma aula de português. Elas contam que fazem de tudo para tornar as aulas mais interessantes. "Usamos materiais diversificados e trabalhamos com filmes e músicas", exemplificam, enquanto manuseiam o material didático usado pela escola, cedido pelo curso Objetivo. Por meio dessa parceria, os alunos de 2º e 3º ano da Rui Bloem também podem tirar dúvidas com os professores do curso e têm descontos no curso pré-vestibular.

Pais participativos, professores motivados, alunos interessados, ambiente limpo e organizado, uma boa estrutura física, aulas de línguas no contraturno, parceria com uma instituição privada. Tudo isso está na fórmula da Rui Bloem para ser uma escola campeã. Mas a diretora Maria Cleusa resume esse conjunto de fatores em uma única palavra: perseverança. "Aqui a gente veste a camisa da escola e corre atrás dos objetivos", afirma. De acordo com ela, não há nenhum segredo para o bom desempenho da escola em avaliações como o Enem e o Idesp. "O que nós fazemos aqui é algo que qualquer escola pode fazer. Basta querer", garante Maria Cleusa.

Leia também:
-10 segredos das melhores escolas estaduais da capital