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Longe da excelência

Dados do Ministério da Educação indicam que o Brasil avançou em ritmo lento em sala de aula - e a qualidade do ensino é ainda uma meta distante


Veja

11/03/2010 18:13

Texto
Ronaldo França

Foto: Stock
Sala de aula

Apenas 14% dos jovens entre 18 e 24 anos (idade ideal para o Ensino Superior) está na universidade

Um novo conjunto de dados sobre a educação brasileira traz à luz um fato incômodo: na última década, os avanços em sala de aula foram bem mais lentos do que o esperado - e o necessário. Os números, reunidos na versão preliminar de um relatório do Ministério da Educação (MEC), revelam que o Brasil deixou de atingir as metas mais básicas rumo à excelência acadêmica. Elas compõem o Plano Nacional de Educação, documento formulado dez anos atrás, durante o governo Fernando Henrique, que, pela primeira vez, definiu objetivos concretos para a educação pública do país, justamente até 2010. Fica bem claro ali que o Brasil patinou no enfrentamento de questões cruciais, tais como os elevadíssimos índices de repetência, indicador-mor da incompetência da própria escola. A meta para este ano era chegar a 10%, índice ainda alto - mas a repetência estacionou em 13%, como em alguns dos países africanos. Outro dado que ajuda a traduzir a ineficácia do ensino é a evasão escolar. Nesse caso, pasme-se, o Brasil até piorou. De 2006 a 2008, o porcentual de estudantes que abandonaram a sala de aula pulou de 10% para 11% - quando o objetivo era baixar a taxa, nesse mesmo período, para 9%. Alerta a especialista Maria Helena Guimarães: "Essas são questões que os países mais ricos já equacionaram, com eficácia, mais de um século atrás".

Ainda que a tendência geral seja de melhora do ensino, a persistência da má qualidade nas escolas brasileiras faz refletir sobre a necessidade de acelerar o passo. Sabe-se que as deficiências no nível básico repercutem, de forma decisiva, nos indicadores de acesso à universidade - um dado que merece atenção por sinalizar as chances de um país competir globalmente. O Brasil conta hoje com apenas 14% dos jovens em idade considerada ideal (entre 18 e 24 anos) na universidade. É um número mínimo na comparação até com países da América Latina, como o Chile, onde a taxa já está em 21% - e também frustrante diante da meta do presente plano de educação, que previa, a esta altura, pelo menos 30% dos jovens brasileiros no ensino superior. O atraso do país ainda se reflete no medidor do analfabetismo: a taxa é de 10%, quando deveria ter caído para 4%. Ao escancarar esse e outros nós, o atual documento do MEC tem o mérito de traçar um diagnóstico preciso, iluminar as várias lacunas e reforçar a ideia de que, com o acesso já garantido à sala de aula, é premente investir com mais vigor na tão almejada excelência acadêmica.

Para ler, clique nos itens abaixo:
Faltou fazer a lição
O Brasil não conseguiu cumprir três das principais metas - diminuir o analfabetismo a partir dos 15 anos, reduzir os casos de repetência no Ensino Fundamental, aumentar o número de pessoas entre 18 e 24 anos matriculadas no Ensino Superior - estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação para 2010 - e está ainda a anos-luz dos indicadores da OCDE (organização que reúne os países mais desenvolvidos)
Como está a situação do Analfabetismo a partir dos 15 anos?
A Meta para 2010 era reduzir para 4%
O Estágio atual* é de 10% de analfabetos com 15 anos ou mais
A taxa de analfabetismo nessa faixa etária em países da OCDE é de 4%
* Com base nos últimos dados disponíveis
** Com base em números da Unesco
Fontes: Ministério da Educação e Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)
Como está a situação da Repetência no Ensino Fundamental?
A meta para 2010 era reduzir para 10,7%
O estágio atual* é um índice de 13%
A incidência em países da OCDE** é de 3%
* Com base nos últimos dados disponíveis
** Com base em números da Unesco
Fontes: Ministério da Educação e Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)
Qual a porcentagem de pessoas na idade ideal matriculadas no Ensino Superior e qual era a meta?
A meta para 2010 era matricular 30% das pessoas em idade ideal - entre 18 e 24 anos - no Ensino Superior.
Mas apenas 13,7%* das pessoas nessa faixa etária teve acesso a esse nível.
O índice em países da OCDE é de 39%
* Com base nos últimos dados disponíveis
Fontes: Ministério da Educação e Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)


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