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Samuel Carvalho não se considera um aluno estudioso. Esse paranaense de 27 anos sempre teve problemas com as tarefas de casa e listas de exercícios. Mas parece que isso não atrapalhou a sua aprendizagem. Ele ficou na terceira colocação no Enem 2008, ao lado de mais quatro pessoas que, assim como ele, tiraram 97,62. Samuel conta que sempre teve muita facilidade para aprender coisas novas e que é muito curioso, o que lhe ajudou muito. Formado em Ciências Sociais pela UFSCar e atualmente trabalhando no Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo, em São Paulo, ele pretende ingressar em uma segunda graduação, de preferência na USP. Na entrevista a seguir, Samuel fala de seus professores mais marcantes, da importância da família e de como a escola em que estudou - a ETEVAV (Escola Técnica Estadual Vasco Antônio Venchiarutti), em Jundiaí (SP) - foi fundamental na sua formação.
Os campeões do Enem
1º lugar: Caio Mancini
2º lugar: Renato Lopes
2º lugar: Daniella Rantin
3º lugar: Samuel Carvalho
3º lugar: Leonardo Lage
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- 1. Você se considera um aluno estudioso?
- Samuel Carvalho: Na verdade, não muito. Sempre tive problemas com as tarefas de casa. Na sala de aula, gostava muito de aprender novos exercícios, mas fazer aquelas listas de exercícios enormes e repetitivas me incomodava. Acho que o meu forte é justamente o momento do aprendizado. Talvez eu tenha uma facilidade maior para aprender, sou muito curioso, gosto de conhecer coisas, de resolver problemas, descobrir respostas.
- 2. Como era a sua rotina de estudos durante a escola?
- Samuel Carvalho: Apesar de um pouco indisciplinado com tarefas e listas de exercícios, eu não era mau aluno, tirava boas notas. Acho que uma certa facilidade e gosto por aprender compensava um pouco. Sempre fui muito de perguntar e discutir com os professores. Gostava de participar da aula. Quando as aulas eras muito expositivas, sem espaços para perguntas e debates, me dava um sono tremendo! Mas a falta de disciplina sempre acabava me causando problemas, como recado para os pais por não fazer a tarefa, no primário, ou pontos negativos por não completar as lições, nas séries mais avançadas.
- 3. Como a escola em que você estudou te ajudou a ser um dos primeiros do Enem?
- Samuel Carvalho: Apesar de estar a alguns anos sem estudar, eu já fiz uma Universidade - me formei em Ciências Sociais, pela UFSCar, em 2003. Então, apesar de estar longe da escola e dos cursinhos há um bom tempo, acredito que na universidade pude aprimorar o preparo que recebi na escola, principalmente para o tipo de prova que o Enem apresenta. E nesse sentido, acho que a escola em que fiz o Ensino Médio também foi muito boa - fiz o colegial técnico em processamento de dados, numa E.T.E. (Escola Técnica Estadual, do Centro Paula Souza) -, que, apesar de ter uma certa defasagem na grade curricular do ensino regular, não tem aquele modelo de ensino obcecado no vestibular como a maioria das escolas hoje em dia. Desde o início, os professores diziam que aquele curso não preparava para o vestibular - era um curso que pretendia formar profissionais técnicos. Aprendíamos a resolver problemas, construir soluções. Os professores eram muito bons, incentivavam a gente a discutir, chegar às respostas por nós mesmos.
- 4. Como a sua família ajudou?
- Samuel Carvalho: Meus pais sempre valorizaram muito a Educação, apesar de não acharem que, para isso, precisavam colocar os filhos na escola particular. Também tive ajuda do meu avô, engenheiro formado pelo Exército, que estudou várias vezes comigo na época em que prestei o vestibular pela primeira vez. Acho que veio pela da família um gosto por aprender, uma curiosidade que torna divertido tentar entender as coisas, perguntar, discutir... No fundo, acho que o principal papel, tanto da família, como da própria escola, é passar ao jovem o gosto por aprender. Isso vale mais do que uma fortuna paga em escolas particulares e cursinhos.