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O estudante Thales Whately, 20 anos, viu no Enem a chance de realizar o sonho de fazer Medicina. Natural de Resende (RJ), ele prestou o exame para tentar melhorar a nota em instituições que, mesmo antes da proposta do Ministério da Educação (MEC) de substituir o vestibular pelo Enem, já o utilizavam como parte do processo seletivo. É o caso da Unirio, em que Thales foi aprovado sem nem precisar prestar o vestibular - graças a sua nota de 97,62 no Enem, que lhe rendeu a terceira colocação no exame, junto com mais quatro estudantes. Thales passou o ano de 2008 estudando sozinho, sem frequentar cursinhos pré-vestibulres, como havia feito em 2007. A escolha foi tão acertada que ele conseguiu passar também na Uerj e na Universidade Federal de Juiz de Fora - nessas, sem a ajuda do Enem. Optou pela Uerj. "O ensino na Uerj é mais qualificado", justifica. Na entrevista a seguir, Thales conta como o apoio dos pais foi essencial quando ele já pensava em desistir do sonho de ser médico e fala da importância da disciplina para quem opta por estudar por conta própria.
Para ler, clique nos itens abaixo:
- 1. Você se considera um aluno estudioso?
- Thales Whately: Sempre estudei bastante, desde pequeno, mas intensifiquei bastante o ritmo de estudos durante a preparação para o vestibular.
- 2. Como era a sua rotina de estudos durante a escola?
- Thales Whately: Na época da escola, eu assistia às aulas e fazia as tarefas de casa, mas não era muito de ficar estudando. Estudava mais para as provas, mas fazia todas as tarefas de casa e prestava atenção durante as aulas. Nunca estudei mais do que três horas por dia nessa época. Mas, durante a preparação para o vestibular, estudava umas oito horas diariamente. No ano passado, não fiz cursinho, estudei sozinho. Organizei meus horários e tive muita disciplina. Cada dia eu estudava uma matéria. A única aula que eu fazia era de Redação. Também assisti a algumas aulas de Biologia, mas era mais para tirar dúvidas mesmo. Normalmente eu começava às 8h e ia até a noite, com alguns intervalos.
- 3. Como a escola em que você estudou te ajudou a ser um dos primeiros do Enem?
- Thales Whately: Eu estudei no Colégio Salesiano, em Resende. É uma escola muito boa. Toda a base que eu tenho foi dada por eles, porque eu estudei a vida inteira lá, desde a 1ª série. Para o Enem, é preciso ter uma base muito boa. Se não fosse pelo colégio, eu não teria ido tão bem. Os professores são excelentes, assim como a estrutura da escola. Além disso, o foco deles não era só nos estudos. Eles tinham esportes e valorizavam a amizade. Isso é muito bom, porque eu não consigo só estudar. Preciso de lazer, intervalos. E o Salesiano tinha isso, não era extremamente rigoroso. Ser rigoroso demais não leva a lugar algum.
- 4. Como a sua família ajudou?
- Thales Whately: Os meus pais sempre me apoiaram em tudo. Eles me incentivaram a estudar, a fazer Medicina e, principalmente, a não desistir. Porque, depois de dois anos fazendo vestibular, dá vontade de desistir. Mas eles me incentivaram a continuar lutando pela realização do meu sonho.
- 5. E os professores? Há algum em especial que tenha contribuído para esse resultado?
- Thales Whately: Tem vários. É difícil citar um só. O Júlio Vidal, de Geografia, sempre me ajudou muito. A Juliana, de Química, também é muito especial. Mas a maioria sempre me ajudou. E, além disso, todos eram meus amigos, sempre me deram muita força. Mesmo quando eu estava estudando sozinho, eles não deixaram de me apoiar. Continuaram tirando as minhas dúvidas, pois ficamos amigos durante a escola. Além de excelentes professores, eles também me deram apoio psicológico. Não importava a hora, eles nunca me negaram ajuda.
- 6. Como é a sua relação com os livros? Você lê muito?
- Thales Whately: Sempre fui de ler muito, gosto de qualquer coisa. Ler, para mim, nunca foi sacrifício, pois acredito que não somos nada sem leitura. No Enem, a redação é muito importante. Se você não tem um conhecimento bom de atualidades e até mesmo de literatura em geral, você não vai bem, não consegue escrever bem. Por isso, leitura é muito importante. Para mim, é até complicado citar um ou outro autor, mas gosto muito do Chico Buarque como escritor. Budapeste é excelente, foi o melhor livro que eu li no ano passado. Mas agora, infelizmente, não estou conseguindo ler muito por causa da faculdade. Os únicos livros que eu tenho conseguido pegar são os da Medicina mesmo. Também não tenho conseguido ir ao cinema, que é outra coisa que eu adoro.
- 7. O que você costuma fazer no seu tempo livre?
- Thales Whately: Ultimamente, tenho aproveitado o meu tempo livre para ir para Resende, ver minha família, minha namorada e meus amigos. Mas sou caseiro. Gosto bastante de ficar em casa, namorar. Gosto de sair com os amigos também, mas para barzinhos, programas mais leves. Não sou muito badalador. Até gosto de festa, mas prefiro coisas mais tranquilas.
- 8. Por que você decidiu fazer o Enem, que não é um exame obrigatório?
- Thales Whately: Porque eu sempre quis Medicina, então tentei entrar em várias faculdades, inclusive na Unirio. O Enem serve de nota para Unirio, Unicamp, Unifesp, para várias faculdades. Fiz o Enem para tentar melhorar a minha nota. E deu certo, porque eu passei na Unirio graças ao Enem. Nem precisei fazer vestibular, passei direto só com a nota do Enem. Acabei passando também na Uerj e na Universidade Federal de Juiz de Fora e optei pela Uerj. Acho que o ensino na Uerj é mais qualificado.
- 9. Quais são os seus planos para o futuro?
- Thales Whately: Não tenho muitos planos ainda, mas sei que eu quero ser um bom médico. Acho que está muito no começo da faculdade para fazer planos concretos. Mas estou estudando para ser um bom profissional, qualificado e que consiga fazer um trabalho excelente. Isso é o essencial. Quando terminar a faculdade, quero voltar para Resende. Gosto bastante de lá, é cidade muito boa para viver.
- 10. Qual a sua dica de sucesso para quem vai fazer o Enem 2009?
- Thales Whately: O mais importante é a leitura, muita leitura. Além disso, é preciso ter muita atenção, porque as questões são bem capciosas. E estudar, claro. Ninguém chega a lugar algum sem estudar. Tem que estudar bastante, colocar a cara nos livros, mas não esquecer da vida pessoal, porque ficar bitolado demais no estudo também não é bom. É importante ter uma vida social, sair às vezes. Ficar 10,11 horas por dia estudando sem ter momentos de diversão não é bom. Mas o fundamental é ler e escrever bastante. Tem que treinar a redação, fazer vários textos, levar para um professor para que ele os avalie. E dedicação, claro, é fundamental. Foi o que eu fiz e deu certo!