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Diálogos de Educação

Prêmio Nobel de Economia é a favor de cotas para minorias

Criador do IDH, o indiano Amartya Sen discutiu desafios do Brasil na Educação em encontro no Rio de Janeiro


27/04/2012 15:30
Texto Iana Chan
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Foto: Divulgação
Foto: Amartya Sen
Amartya Sen também é professor de economia na Universidade Harvard, nos Estados Unidos

O indiano Amartya Sen, Prêmio Nobel de Economia em 1998 e um dos criadores do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, clique aqui para entender como ele é calculado), elogiou a iniciativa de reservar vagas para minorias nas Universidades, em visita ao Brasil em abril de 2012. Para o economista, as cotas "ajudam os que sempre viveram em situação de desprivilégio". A Índia foi o primeiro país a adotar essa medida para a casta dos intocáveis (dalit).

Por não conhecer em detalhes a realidade do país, Amartya Sen preferiu não elaborar um diagnóstico mais específico, mas mencionou pesquisas americanas que acompanharam a vida de pessoas beneficiadas pelas cotas e mostraram que essas pessoas não só obtiveram sucesso profissional, mas também tendiam a ter maior preocupação social. "Muitos vão para a filantropia e contribuem com instituições de caridade", afirmou.

No talk-show "Diálogos sobre Educação", promovido pelo Instituto Unibanco no Rio de Janeiro, autoridades e educadores tentaram extrair do ilustre economista orientações para encurtar a contraditória distância entre o desenvolvimento econômico e as condições sociais de nosso país.

O Brasil é a 6ª economia do mundo no ranking do PIB (Produto Interno Bruto), porém dados do PISA (Programme for International Student Assessment, clique aqui para entender como ele funciona) e do próprio IDH mostram o desafio que a Educação terá de enfrentar nos próximos anos para alcançar o bom desempenho da nossa economia.

O que podemos aprender com a Índia

Com o valor recebido ao ganhar o Prêmio Nobel, Amartya Sen fundou duas ONGs, uma na Índia (Pratichi India Trust) e outra em Bangladesh (Pratichi Bangladesh Trust), focadas no combate ao analfabetismo e na melhoria da saúde básica e da igualdade entre gêneros.

As duas fundações comprovaram a eficácia da estratégia de trazer as famílias para o dia a dia escolar, reforçou o diretor acadêmico do IBMEC/RJ, Fernando Schüller. "A parceria família e escola contribui para a melhoria da qualidade da Educação, porque garante que os deveres, tanto dos pais, como dos professores, sejam cobrados e cumpridos". Para ele, é uma pena que, no Brasil, esse processo se restrinja às escolas privadas, principalmente pela relação de consumo que se estabelece, que implica o raciocínio de fiscalizar para assegurar o retorno do dinheiro investido.

"Não podemos nos concentrar apenas nos índices"

A grande inovação de Amartya Sen foi considerar o bem-estar social da população para a mensuração do progresso dos países, incluindo indicadores de saúde (expectativa de vida) e educação (taxa de alfabetização e taxa bruta de matrícula). Para ele, importa a dimensão humana, principalmente a liberdade de que dispõem um indivíduo para determinar sua vida.

Antes da criação do IDH, o PIB reinava como índice mais importante. "Olhar apenas para a renda de um indivíduo pode dar uma ideia muito ruim sobre ele. Ela não reflete as liberdades que uma pessoa tem", criticou o indiano.

Na sua concepção, a liberdade estaria ancorada em dois preceitos básicos: oportunidades oferecidas equanimente a indivíduos capazes de aproveitá-las. A Educação desempenha papel básico nessa operação. "Hoje em dia temos uma miríade de oportunidades no Brasil graças aos avanços econômicos, mas nossos jovens não estão preparados para aproveitá-las", lamentou Wanda Engel, superintendente do Instituto Unibanco.

O cocriador do IDH também relativizou a importância dada aos rankings. Para ele, apesar de lançarem luz sobre determinado quadro, números nunca são capazes de mostrar a realidade das pessoas. "Há uma necessidade por números facilmente utilizáveis [para comparações]", alfinetou.

Também estiveram presentes no evento o subsecretário de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Ricardo Baes de Barros e o economista chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn.


 

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