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O que Singapura pode ensinar para nossa reforma educacional?


04/05/2016 16:40
Texto Raphael Martins
Exame
Foto: Divulgação E E Mathias Aires

Valorizar o trabalho dos professores e estabelecer objetivos em políticas públicas: esse foi o segredo de Singapura para tornar referência mundial seu sistema de educação. A conclusão é de um dos responsáveis por colocá-los em tal posição: Lee Sing Kong, o ex-diretor do Instituto Nacional de Educação (NIE) do país.

Sob sua batuta, o órgão realizou um processo de reforma educacional que, como resultado, alçou a nação ao 2º lugar no ranking internacional PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), em que o Brasil figura apenas em 60º lugar entre os 76 avaliados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

"Sinto que há no Brasil um enorme potencial e expectativa para que a educação melhore porque há uma paixão e interesse da população em geral no assunto", diz Kong, em coletiva de imprensa concedida antes de evento da Fundação Itaú Social que discute planos educacionais. "Os passos que vêm sendo dados aqui lembram os nossos no começo da revolução educacional que fizemos."

O professor faz referência indireta à Base Nacional Comum (BNC), um plano do governo brasileiro que busca unificar o currículo escolar do país seja em ensino público ou privado.

Ele conta que um plano semelhante no Singapura deu certo porque, desde os anos 1960, o país vem coletando experiências positivas e discutindo amplamente como aplicá-las.

Por isso, a iniciativa divulgada pelo Ministério da Educação (MEC), apesar de amplamente criticada por correntes de docentes, vale como "intenção de mudança".

COMO MUDAR OS RESULTADOS?


"Nem sempre é possível transportar um modelo empacotado para o seu país", afirma o professor. "Singapura usa exemplos da Europa, Reino Unido e Estados Unidos, discute e contextualiza ideias para criar um plano de implementação que esteja de acordo com nossa cultura e ambiente."

Algo como a BNC é importante, segundo ele, para que se estabeleçam os objetivos da Educação. Para Kong, um plano de educação deve trabalhar em três eixos. Primeiro, é preciso identificar os resultados desejados de forma muito clara através de políticas públicas para que, então, as escolas possam "traduzir" essas políticas em técnicas pedagógicas e, por fim, que seus professores possam ser capacitados para transmitir o aprendizado.

"É necessário saber para que queremos educar nossas crianças, em que áreas e quais as habilidades elas têm que aprender para que tenham capacidade de se empregar e possam contribuir com a sociedade", diz Kong. "A cada período de alguns anos é preciso rever os objetivos para fazer ajustes e garantir que os estudantes continuem relevantes a seu tempo."

Singapura aplicou esse sistema em moldes meritocráticos extremamente rígidos. Por lá, professores são anualmente testados e, identificados os talentos, ganham promoções. Os melhores e mais interessados viram gestores educacionais, enquanto os que se saem mal sucessivamente são demitidos.

A Revista EXAME publicou matéria sobre o modo como os asiáticos tratam economia e trabalho que mostra a mesma linha de pensamento.

Segundo o professor, a profissão de docente é uma das mais bem pagas de Singapura, o que gera mais interesse na carreira. O país aplica 3,7% do PIB no setor, em contraste com o Brasil, cujos sindicados ligados a educação pedem 10% de investimento.

"Há muitas maneiras de se reconhecer o bom trabalho dos professores além da remuneração", diz Kong. "É claro que é importante, mas outras iniciativas como celebrar esse trabalho e reconhecer de forma pública a contribuição daquele professor para o futuro faz com que ele se sinta reconhecido."

TENDÊNCIA

As técnicas singapurenses estão em linha com a tese do Banco Mundial para melhoria da educação. Em palestra no EXAME Fórum Educação em setembro de 2015, a economista-chefe da instituição na área de educação para América Latina e o Caribe, Barbara Bruns, apresentou pesquisa que destaca o papel dos professores na necessária melhoria da educação no país.

O trabalho feito em 18 mil salas de aula e publicada no livro "Professores Excelentes: Como Melhorar a Aprendizagem dos Estudantes da América Latina e do Caribe" permite fazer comparações entre as políticas dos países e verificar carências. Para o Brasil, ela indicou as principais diretrizes que demandam mudanças, enfatizando justamente a capacitação dos docentes.

Para Barbara, o ponto mais crítico é que os professores brasileiros são, em geral, ineficientes e não há políticas para valorizar aqueles que se destacam.

"Dentro de cada escola, há uma variação enorme entre as práticas do melhor para o pior professor", disse. "O positivo disso é que já existe uma maior possibilidade de difusão de boas práticas dentro das escolas. O problema é que todos são tratados da mesma forma, mesmo aqueles com desempenho muito diferenciado. Os bons não recebem incentivo, os ruins não sofrem consequências."

Como solução, Barbara indicou políticas públicas mais exigentes, que eliminem os professores com baixo desempenho e dê bônus aos excelentes através de avaliações periódicas auditadas por instituições externas ao governo, como acompanhamento de aulas e supervisão da evolução didática dos alunos. Um modelo muito próximo ao de Singapura.


 

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