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Fabio Barbosa fala sobre educação responsável

Transmitir valores, respeito. Educar é tarefa primordial da família, não da escola. Uma das bandeiras defendidas com paixão por Fabio Barbosa


12/12/2014 16:50
Texto Marion Frank
Educar
Foto: Maurício Mello
Foto: Para Fábio Barbosa, o governo dá a base para a educação, mas a família também precisa estar envolvida
Para Fábio Barbosa, o governo dá a base para a educação, mas a família também precisa estar envolvida

Vários foram os motivos que levaram Fabio Barbosa a trocar, em setembro de 2011, a trajetória de sucesso no mercado financeiro (City Bank, ABN AMRO/Banco Real e Santander) para ingressar no Grupo Abril como presidente executivo. Entre eles, o desafio profissional de sair "da zona de conforto e trabalhar num mundo completamente diferente", como ele próprio ressaltou na Abrilnet. Outra razão, menos conhecida, revela o envolvimento de Fabio Barbosa com a conquista de um País instruído, justo. Ele folheava revistas da casa, quando reparou na campanha publicitária "Falta de Educação", do Educar para Crescer, que chama a atenção de pais e mães para o papel fundamental que exercem na educação dos filhos. A reação do mais novo CEO do grupo foi imediata: "Quando vi os anúncios, disse para mim mesmo, ‘essa é a empresa em que eu quero trabalhar!".

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Fabio Barbosa é um dos executivos brasileiros de imagem mais bem burilada pelo empenho em difundir responsabilidades - e despertar a consciência de pais e mães para a importância do que ensinam em casa é um de seus compromissos mais caros. "A sociedade é a somatória do que cada um de nós faz no dia a dia", reforçou em palestra recente. "E é na família que vai acontecer a reforma de valores que o País tanto necessita".

Outras ideias, todas elas imprescindíveis para formar opinião e agir, em destaque na entrevista a seguir.

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Como vai a educação no Brasil?
Fábio Barbosa: Nunca vi a educação pautada no País como nos dias de hoje! Há dez, vinte anos, não percebia a sociedade mobilizada e conscientizada de que a educação é o caminho - antes, só a ouvia falar e ficava nisso. Agora, dos amigos às empresas, todos falam e estão conscientes de que a educação é um grande problema... Essa valorização da educação, entre os brasileiros, é muito importante.
2. Educar é tarefa do governo?
Fábio Barbosa: Entendo que a educação básica seja tarefa do governo, ela é de um gigantismo que só pode mesmo ser enfrentado pelo governo. Para ter uma ideia: quando falamos do ensino no estado de São Paulo, estamos falando do universo de quatro milhões de alunos - e ninguém tem recursos suficientes para encarar um desafio desse tamanho, só o governo. Uma das responsabilidades que a sociedade deveria ter é dar oportunidades a todos os seus cidadãos - depois, cada um que faça o que puder, usando o seu talento, o seu empenho, o seu interesse...
3. Mas educar também é uma tarefa do pai e da mãe, certo?
Fábio Barbosa: Estava falando da educação formal, aquela que dá cultura para as pessoas... Porque educação não é só isso, mas sim dar respeito, bons modos, valores - e isso quem dá é a família e, em algum momento, também a Igreja. É por isso que gostei muito da campanha "Falta de Educação", do Educar para Crescer, ao colocar a família como responsável pela educação e não uma delegação para que a escola o faça. Quero deixar isso bem claro: o governo dará as bases, irá pavimentar o caminho para as crianças serem educadas, mas as famílias também precisam estar envolvidas, sejam estimulando os filhos a estudar, sejam transmitindo valores que não se ensinam na escola. Não gosto da ideia de uma família delegar à escola aquilo que não cabe a ela fazer: ensinar valores, respeito aos mais velhos e tudo o mais que se ensina em casa.
4. E qual seria o papel do Grupo Abril nesse contexto?
Fábio Barbosa: Trata-se de um desafio, claro, mas nós podemos reforçar a conscientização da sociedade em relação à relevância da educação e do envolvimento de todos, governo, escola e família. Porque não é para colocar na escola e deixar, mas sim colocar na escola e acompanhar! Acontece que a Igreja não está alcançando grande penetração entre os jovens, as famílias não vem conseguindo controlar os filhos e depois, quando o aluno malcriado bate no professor, os pais põem a culpa na escola - é a "terceirização da educação", disso eu realmente não gosto! Não é a sociedade que vai educar seus filhos, nem as empresas e suas iniciativas, mas sim uma parceria entre o Estado e a sociedade. E aí o papel do Grupo Abril é muito importante, destacar a relevância da educação e do papel que cabe a cada participante desse processo.
5. Acontece que o brasileiro ainda não sabe como pressionar o governo...
Fábio Barbosa: Sim, os canais de comunicação entre a sociedade civil e o governo, no Brasil, não funcionam direito, infelizmente. Você tem uma sociedade ‘nervosa’ por um assunto, mas incapaz de pressionar o Congresso - a sociedade não sabe o que fazer, nem como fazer, ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, por exemplo, onde isso funciona maravilhosamente. Será preciso transformar essa ‘energia’ que vem sendo criada na sociedade cada vez mais consciente sobre a relevância da educação em uma forma efetiva de pressionar o Governo... Sei que é grave o que vou dizer, mas a sociedade anda meio sem esperança, existe um descrédito grande a respeito da capacidade do governo fazer alguma coisa, e isso está errado! A Abril poderia ajudar a aumentar a pressão sobre o governo a respeito do desempenho de cada unidade da federação em educação, por exemplo, informando a população sobre o que realmente está acontecendo em educação em todo o País, algo que ela muitas vezes não sabe.
6. O que falta na educação brasileira para ganhar nota 10?
Fábio Barbosa: A resolução do problema da educação no Brasil é tarefa hercúlea, não tem uma bala de prata... Vai ser preciso muito trabalho - e de gestão - para efetivamente melhorar o nível da nossa educação, com professores melhor preparados e muito mais motivados, infraestrutura adequada, idem currículos, logística eficiente de distribuição de material de ensino etc., poderia elencar dezenas de tópicos. Por isso, da parte do governo, não é simplesmente colocar mais dinheiro na educação, mas sim fazer um diagnóstico de quais os gargalos e as metas, qual é o plano, e começar a trabalhar efetivamente nisso - só aumentar o salário do professor e construir escola não vai resolver o problema.
7. É verdade que você está vem colaborando com uma iniciativa da Secretaria de Educação do estado paulista?
Fábio Barbosa: Sim, venho participando de um programa da secretaria de educação do estado de São Paulo, um grupo de pessoas que, junto da Mckinsey & Company (consultoria internacional), vem fazendo um diagnóstico sobre os gargalos da educação do estado e de como resolvê-los, é o programa Educação - Compromisso de São Paulo, que tem duas metas: colocar a educação paulista entre as 25 melhores do mundo nos próximos 20 anos e ter a profissão de professor como uma das dez mais desejadas no País. O que não é de fácil solução, não. Daí a minha crença de que é preciso gestão, metas, métricas, um Norte... Hoje, o problema não são recursos, o estado tem recursos, mas sim gestão. E estou animado porque se trata de um plano de longo prazo, a educação sendo analisada para os próximos 20 anos!
8. Qual o papel da educação em sua vida?
Fábio Barbosa: A educação fez, sim, toda a diferença em minha vida. Estudei na Fundação Getúlio Vargas, fiz MBA de administração na Suíça e, ao contrário de vários amigos que também tiveram boas oportunidades, mas não souberam aproveitar, eu digo que honrei as oportunidades que surgiram pelo caminho. A minha família valorizou muito a educação dos seus filhos (somos três irmãos; eu sou o mais novo), sempre houve um esforço financeiro para nos colocar em boas escolas, isso foi uma prioridade na minha casa... Morei no exterior durante anos e voltei para o Brasil exatamente com essa ideia: por ter tido acesso a boas oportunidades, era na minha terra que eu deveria construir a minha vida e aplicar o que aprendi, ajudando a fazer um País melhor.
9. Em relação aos seus filhos, você conseguiu acompanhá-los na escola?
Fábio Barbosa: Tenho três filhos, a mais velha já estudou Direito, fez pós-graduação em Oxford (Inglaterra) e agora está em Berkeley (EUA). Os menores também fizeram Getúlio Vargas... Posso dizer que vi meus filhos crescerem, sempre estive próximo, acompanhei o dia a dia escolar deles até quando estavam na faculdade! Mas, a verdade é que nunca tive problema por causa de estudo com nenhum deles.
10. Um tema que lhe caro é a defesa de valores... O que tira você do sério no modo de agir do brasileiro?
Fábio Barbosa: O Brasil realmente precisa de uma reforma de valores. E ela não depende do Congresso, mas sim de nós, do que cada um faz no seu dia a dia. Nós construímos o País diariamente com as nossas ações e as nossas ambições. Ainda vejo muita gente cometendo os chamados pequenos delitos, o que me incomoda muito, a sociedade é muito tolerante a esse respeito - entrar na contramão, furar a fila, dirigir falando ao celular, comprar produto pirata e por aí vai.
11. Falta educação ao brasileiro, seria isso?
Fábio Barbosa: Pois é, estou muito animado e também bastante desanimado... Sempre achei que a educação resolveria esse problema, mas, morando em um bairro bom de São Paulo e vendo que esses delitos também acontecem por ali, cheguei à conclusão de que o problema da educação é mais complexo... Tem essa questão de a classe mais alta, por se achar vencedora, se sentir à vontade de cometer os pequenos delitos, há uns seis meses essa "ficha caiu", a educação sozinha não vai resolver o problema dos valores e da cidadania... E então? Acredito que é na família que vai acontecer a reforma necessária, é aí que vamos mudar de fato a história. Porque não cabe à escola ensinar que os professores precisam ser respeitados - e sim à família ensinar seus filhos a respeitar os mais velhos. Delegar para que outro o faça, não é correto, insisto: a responsabilidade é da família.

 

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