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LITERATURA

Os 100 livros essenciais da literatura mundial

Saiba o que é importante ler, de Homero a Machado de Assis, para entender a história da literatura


26/10/2011 17:29
Texto Almir de Freitas
Bravo
Foto: A redação da revista BRAVO! e colaboradores selecionaram os 100 livros mais importantes da literatura mundial
A redação da revista BRAVO! e colaboradores selecionaram os 100 livros mais importantes da literatura mundial

Jorge Luis Borges imaginou certa vez uma biblioteca que contivesse todos os livros do mundo - não apenas os existentes, mas também todos os possíveis. Mais: um único volume desse acervo fantástico ofereceria a chave de compreensão de todos os outros, permitindo que decifrássemos, afinal, o que somos. O texto, A Biblioteca de Babel, foi publicado no Brasil no livro Ficções, uma das 100 obras presentes na lista de 100 livros essenciais da literatura mundial. Esta lista, naturalmente, é mais modesta que o volume imaginado pelo escritor argentino, mas não deixa de ser ambiciosa na sua abrangência. 


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Centenas de dicas de todos os gêneros literários, para você e sua família!

 

Para fazer a seleção, nos baseamos sobretudo nos estudos do crítico americano Harold Bloom, autor de O Cânone Ocidental e Gênio, além de rankings anteriores, como os da revista Time e da Modern Library, selo tradicional da editora americana Random House. No entanto, a decisão final coube à redação da revista BRAVO! e aos colaboradores especialmente convidados para este trabalho. 

Uma lista tão reduzida como esta, diante de uma produção tão vasta, implicou escolhas difíceis já na seleção dos livros. Como conciliar a importância histórica com o apreço pessoal? Não há ciência que possa responder a questões como essa - nem é nossa intenção. A lista que aqui apresentamos tem por objetivo estimular os leitores a fazer as suas próprias. A partir dessas infinitas listas, que contam infinitas histórias pessoais, quem sabe não nos aproximamos um pouco mais, como imaginou Borges, de entender o que somos.

 

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Ilíada, de Homero

"Aira, Deusa, celebra do Peleio Aquiles o irado desvario, que aos Aqueus tantas penas trouxe, e incontáveis almas arrojou no Hades." Com esses versos inicia-se a Ilíada, que, junto com a Odisseia, ambas atribuídas a Homero, lançou as bases da literatura ocidental. Ao discorrer sobre uma realidade vasta e profunda, esses dois poemas épicos não só contribuíram para moldar uma nação e uma cultura, mas também causaram impacto duradouro no que veio depois - ou seja, em quase todos os autores e obras descritos nas páginas que se seguem. Continue lendo.
2. Odisseia, de Homero

Transposta para a literatura do século 20 por James Joyce, em Ulisses, e presente na estrutura de um sem-número de obras artísticas desde a Antiguidade em gêneros que vão do teatro às artes plásticas, a Odisseia é o que o crítico Otto Maria Carpeaux definiu como "a bíblia estética, religiosa e política dos gregos que se transformou na bíblia literária da civilização ocidental inteira". Continuação da Ilíada, a obra acompanha Odisseu (nome grego de Ulisses) em sua jornada de regresso à sua cidade natal, Ítaca, após a Guerra de Troia. Durante os dez anos de sua viagem, ele enfrenta a ira de deuses, a sedução de ninfas, é capturado por ciclopes e sofre o assédio de sereias, entre outras peripécias. Continue lendo.
3. Hamlet, de William Shakespeare

Não existiria o homem moderno sem um autor como ele. "William Shakespeare, psicólogo incomparável, inventou para nós uma nova origem, na ideia mais iluminada até hoje descoberta ou inventada por um poeta: o autorreconhecimento gerado pela autoescuta", diz o crítico americano Harold Bloom. Ele acrescenta que sem a peça Hamlet (1600-1602) não haveria autores como o alemão Johann Wolfgang von Goethe, como não seria possível o russo Fiódor Dostoiévski escrever livros como os Irmãos Karamazov e Crime e Castigo. Continue lendo.
4. O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes

Antes de ser batizado com o título de Dom Quixote de la Mancha, o modesto fidalgo rural Alonso Quijano gostava de caçar em sua propriedade, comia lentilhas às sextas-feiras e vestia calças de veludo para ir a festas. Era um homem comum, na casa dos 50 anos, "rijo de compleição, seco de carnes, enxuto de rosto, madrugador". Seu principal passatempo, que por vezes lhe consumia dias e noites inteiros, era ler livros de cavalaria. Continue lendo.
5. A Divina Comédia, de Dante Alighieri

Mais que um compêndio interminável dos símbolos da história europeia até o século 14, escrito concisamente na forma de um grande poema, A Divina Comédia é uma alegoria, em si mesma, da vida humana - ou, pensam alguns, a bíblia escrita por um só homem. A obra narra a odisseia (além dos moldes do clássico de Homero) de um homem, que é o próprio Dante, em busca do paraíso onde estará a amada Beatriz - que, para muitos historiadores, foi o amor não concretizado do autor. A Divina Comédia é organizada em três livros - Inferno, Purgatório e Paraíso -, num total de 33 cantos. Continue lendo.
6. Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust

Monumental é um termo corriqueiro e rasteiro para descrever os sete volumes de Em Busca do Tempo Perdido, do escritor francês Marcel Proust. Não apenas pelas mais de 3 mil páginas que acompanham as dezenas de edições já publicadas em qualquer língua - ou pelo número de personagens (25 principais e uma miríade de secundários) e cenários (cinco, cada qual com seu papel na narrativa) -, mas pelo gigantismo da proposta literária de Proust: dissecar a relação do homem com o tempo e com a memória. Em As Ideias de Proust, o crítico Roger Shattuck discute qual a melhor maneira de ler um dos livros mais complexos e densos da história. Continue lendo.
7. Ulisses, de James Joyce

"Um romance para acabar com todos os romances." Foi assim que parte dacrítica literária recebeu o lançamento de Ulisses em Paris, em 1922. Depois de quase oito anos debruçado sobre o livro, o irlandês James Joyce (1882-1941) finalmente lançava a versão integral da sua grande obra. Continue lendo.
8. Guerra e Paz, de Leon Tosltói

"O irmão mais velho de Deus." Foi essa a alcunha dada pelo historiador Paul Johnson ao escritor russo Leon Tolstói no ensaio que lhe dedicou em seu livro Os Intelectuais. Polêmicas do britânico à parte, Tolstói foi, de fato, um homem extremamente ambicioso. Continue lendo.
9. Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski

A Rússia do quarto romance de Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski (1821-1881), Crime e Castigo, publicado em 1867, é uma sociedade desigual e decadente, tomada pela tradição czarista e por arroubos revolucionários socialistas, miséria e corrupção. Nascido em Moscou e vivendo em São Petersburgo, o autor, que já escrevera romances e participara de periódicos, entrega-se ao socialismo, e acaba preso e condenado à morte - quando a comutação da pena lhe envia à Sibéria, onde conviverá com criminosos, prostitutas e maníacos que povoarão a densidade das páginas de seus livros e darão origem a Recordações da Casa dos Mortos (1862). Se era considerado um jovem escritor promissor, é só depois dos 40 anos, ao escrever sua célebre obra, que cairá nas graças do público leitor da Rússia e do mundo. Continue lendo.
10. Os Ensaios, de Michel de Montaigne

Há figuras do passado que o tempo aproxima ao invés de afastar. Montaigne é uma delas. Como observa o historiador italiano Carlo Ginzburg, somos irresistivelmente atraídos pela sua abertura nas relações com as culturas distantes, pela sua curiosidade diante da multiplicidade e diversidade da vida humana e pelo diálogo cúmplice e implacável que ele entretem consigo mesmo. Continue lendo.
11. Édipo Rei, de Sófocles

"Sabes, ao menos, de quem és nascido?" A pergunta que o cego vidente Tirésias faz a Édipo, rei de Tebas, é a síntese de Édipo Rei, de Sófocles (496-406 a.C.), um dos fundadores da tragédia grega ao lado de Ésquilo (525-456 a.C.) e Eurípides (480-406 a.C.). A história do homem que, sem saber, mata o pai e se casa com a mãe teve diversas versões e larga influência sobre a literatura, chegando ao século 20 na esteira da teoria dapsicanálise, criada por Sigmund Freud (1856-1939). Continue lendo.
12. Otelo, de William Shakespeare

Escrita e representada pela primeira vez em 1604, Otelo é vista como um grande estudo psicológico das fraquezas humanas. Inveja, ciúme e vingança forjam, pelo jogo entre a ação premeditada e a ação impensada, uma das mais encenadas tragédias da história do teatro e do cinema. Talvez a mais comovente das tragédias shakespearianas, Otelo levou aos palcos discussões modernas para a época, como o casamento inter-racial e a ascensão dos árabes na política. Continue lendo.
13. Madame Bovary, de Gustave Flaubert

Gustave Flaubert (1821-1880) escreveu que gostaria de ser enterrado junto de seus manuscritos, para que durassem tanto quanto ele. A fixação pelas páginas explica seu apuro literário. Nenhuma frase era impensada, nenhum cenário, descrito sem os menores detalhes - tudo em Flaubert é sistemático, matemático, preciso, do estilo que flui de seu texto ao objeto colocado na sala de um personagem, que o definirá para sempre. Continue lendo.
14. Fausto, de Johann Wolfgang von Goethe

Fausto, de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), é a obra de uma vida. O alemão tinha apenas 23 anos quando fez o primeiro esboço dahistória, que depois seria conhecido como Fausto Zero (Urfaust). Retomaria a obra lançando Fausto: Uma Tragédia com quase 60 anos (1808), por fim concluindo-a em 1832, ano de sua morte, aos 83. Continue lendo.
15. O Processo, de Franz Kafka

Na manhã em que completa 30 anos, Josef K é visitado no quarto de pensão onde mora por dois sujeitos que o informam de que está preso. Os homens se recusam a revelar a natureza da acusação e comunicam ao réu que ele poderá responder ao inquérito em liberdade, desde que se apresente para interrogatórios periódicos no tribunal. É esse o argumento inicial de O Processo (1925), romance que Franz Kafka (1883-1924) - advogado que se ocupou vários anos de um ofício burocrático em uma companhia de seguros e se tornou, segundo o filósofo francês Jean-Paul Sartre, "pai da literatura moderna" - nunca concluiu. Continue lendo.
16. Doutor Fausto, de Thomas Mann

Thomas Mann (1875-1955) queria escrever um livro sobre a lenda de Fausto desde 1901, mas só o fez em 1947, depois de encontrar sua fonte de inspiração - a barbárie nazista, que o levou a exilar-se nos Estados Unidos e a escrever um dos maiores livros da literatura alemã. A lenda de Fausto é antiga. Surge numa Europa do século 16 impregnada pela religião, que explicava o presente com as tintas do medo e expiava a culpa nos que a transgrediam. Continue lendo.
17. As Flores do Mal, de Charles Baudelaire

Charles Baudelaire (1821-1867) é conhecido em todo o mundo pela alcunha de "poeta maldito". Maldito pela sífilis, pela predileção pelas drogas, pela sexualidade exacerbada e pela defesa de todos esses vícios numa poesia agressiva e existencial. Ele é o "poeta da arte pela arte e da busca da forma perfeita", diz a crítica Glória Carneiro do Amaral. Continue lendo.
18. O Som e a Fúria, de William Faulkner

Indagado em entrevista para a revista The Paris Review, em 1956, sobre a dificuldade de seus livros, que exigiam por vezes duas ou três leituras, William Faulkner (1897-1962) foi lacônico: "Sugiro que leiam quatro vezes". Da mesma forma que era rigoroso com seus leitores, cobrava muito de si mesmo. Antes de publicar O Som e a Fúria (1929), considerada uma das obras-primas da literatura contemporânea, Faulkner reescreveu o texto cinco vezes. Continue lendo.
19. A Terra Desolada, de T. S. Eliot

Nas cinco partes do longo poema A Terra Desolada (1922), do americano naturalizado inglês T. S. Eliot (1888-1965), encontra-se um sumário conciso da história do pensamento ocidental. Entre as vozes que se alternam, há constantes empréstimos à literatura europeia, à literatura indiana e à Antiguidade clássica. Homero, Dante Alighieri (1265-1321), Virgílio (70-19 a.C.), William Blake (1757-1827) e William Shakespeare (1564-1616) - entre pelo menos mais 35 escritores e pensadores -, além de canções populares, passagens e citações em seis línguas estrangeiras, inclusive o sânscrito, podem ser localizados nas múltiplas paisagens da obra. Continue lendo.
20. Teogonia, de Hesíodo

A Teogonia, ou o nascimento dos deuses, é um poema fundacional que explica a suposta origem do mundo pela narrativa da genealogia dos deuses. Tradicionalmente atribuído a Hesíodo, data do século 7 a.C. - época anterior ao período áureo da vida grega, quando surgem a pólis, a moeda, o alfabeto e a escrita, todos adventos do século 5 a.C., o mesmo do filósofo Platão. Por ser originalmente cantada, e não escrita, a Teogonia é composta em hexâmetros dactílicos (arranjo de sílabas longas e breves), que garantiam musicalidade aos versos e poderiam ser facilmente memorizados. Continue lendo.
21. Metamorfoses, de Ovídio

A pax romana, período de prosperidade do "século de Augusto", foi ambiente propício para o "poeta do amor" - epíteto que se colou a Ovídio (43 a.C.-18 d.C.), autor favorito da sociedade mundana do Império. Roma investia na construção de bibliotecas públicas, templos e monumentos e financiava o trabalho de historiadores como Tito Lívio (59 a.C.-17 d.C.), arquitetos como Vitrúvio (80/70-25 a.C.) e poetas como Virgílio (70 a.C.-19 d.C), além do próprio Ovídio. Foi um período de ascensão das letras latinas, cuja influência perduraria mil anos depois no Renascimento, chegando até os dias atuais. Continue lendo.
22. O Vermelho e o Negro, de Stendhal

Não se sabe ao certo o que Stendhal (1743-1842) queria dizer com o título de sua obra mais célebre, O Vermelho e o Negro. Muitos atribuem o negro à cor da batina do protagonista e o vermelho ao sangue em que esta é lavada após a guilhotina; ou à batina em contraposição à farda militar, vermelha na época de Napoleão; ou simplesmente à morte e à paixão presentes na trama. Certo é que Sthendal (cujo nome real é Marie-Henri Beyle) conseguiu escrever um tratado sobre o amor e o ódio na psique humana e sobre uma sociedade que estraçalha a ambição de um jovem em guerra com seus anelos com a mesma frieza que o faz com os soldados na guerra. Continue lendo.
23. O Grande Gatsby, de Francis Scott Fitzgerald

"Ninguém deveria viver além dos 30 anos." A frase de Francis Scott Fitzgerald (1896-1940) quase pode ser aplicada ao próprio escritor. Corroído por uma vida de excessos, sobretudo os alcoólicos, ele morreria aos 44 anos vítima de parada cardíaca. Continue lendo.
24. Uma Temporada no Inferno, de Arthur Rimbaud

Uma obscuridade envolve o francês Arthur Rimbaud (1854-1891), que, de certo modo, teve duas vidas. Uma até os 20 anos, quando se tornou um dos desbravadores da lírica moderna, influenciando desde os surrealistas até a geração beat americana. A outra começa com sua total renúncia ao fazer poético para correr o mundo. Continue lendo.
25. Os Miseráveis, de Victor Hugo

Um homem condenado a anos de prisão por ter roubado um pão pode não soar estranho no Brasil. Mas nenhum caso até hoje rendeu uma história tão extraordinária como a de Jean Valjean, o protagonista maltrapilho de Os Miseráveis, de Victor Hugo (1802-1885), um clássico da literatura francesa que já inspirou filmes, seriados, musicais e até uma novela brasileira. Historiadores dizem que o autor de O Corcunda de Notre Dame (1831) e Os Trabalhadores do Mar (1866) escreveu mais de 1 milhão de versos, além de engajar-se nas lutas políticas e ideológicas do século 19. Continue lendo.
26. O Estrangeiro, de Albert Camus

Albert Camus (1913-1960) nasceu em Mandovi, na Argélia, então uma colônia francesa. Da sua terra natal, guardou apenas algumas lembranças da infância pobre em um bairro operário que serviria de inspiração para seu primeiro romance, O Avesso e o Direito (1937). Foi professor de filosofia, jornalista e ativista da Resistência francesa. Continue lendo.
27. Medeia, de Eurípides

Na mitologia grega, Medeia era uma feiticeira conhecida por seus poderes mágicos, que poderiam ser usados para o bem e para o mal. A lenda entraria para a história, porém, como a da mãe que mata os próprios filhos por vingança a um homem que não a quer, protagonista na peça do dramaturgo grego Eurípides, escrita por volta do ano 430 a.C. A distância entre o mito e a realidade era tênue na sociedade grega da época. Continue lendo.
28. Eneida, de Virgílio

A Eneida está para Roma assim como a Ilíada está para Atenas. É, acima de tudo, a compilação de uma história da fundação de Roma, narrada epicamente para dar ao passado a resposta pelo presente romano nos tempos do Império a partir dos anos 70 a.C., quando o poeta Virgílio nasceu. Desde muito jovem, Virgílio teve contato direto com o poder, sendo amigo próximo e notório protegido do tribuno Mecenas (daí a origem do termo "mecenas", que designa patrocinadores da arte). Continue lendo.
29. Noite de Reis, de William Shakespeare

Uma das características mais importantes da obra de Shakespeare é seu humor. As comédias, na trajetória do bando, precedem as tragédias. Seu maior trunfo cômico é Noite de Reis. Continue lendo.
30. Adeus às Armas, de Ernest Hemingway

Ernest Hemingway (1899-1961) foi um homem de ação. "Tinha mais de 1,80 de altura, um peito largo, era bonito, efusivo, um guerreiro, um caçador, um pescador, um bebedor", conta o biógrafo e romancista Anthony Burgess. "Foi a fusão do artista sensível e original com o musculoso homem de ação que transformou Hemingway em um dos maiores mitos internacionais do século 20", conclui o autor de Laranja Mecânica (1962). Continue lendo.
31. O Coração das Trevas, de Joseph Conrad

Jósef Teodor Konrad Nalecz Korzeniowski (1857-1924), ou Joseph Conrad, é um fenômeno da literatura - um autor que alcançou a perfeição artística num idioma que não era o seu. De família polonesa, nasceu na Podolia, província ucraniana dominada pelo Império Russo. Era filho único de um nobre proprietário de terras de espírito letrado, condenado ao exílio por se rebelar contra os czares Continue lendo.
32. Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley

O ano seria 2540 d.C. se fôssemos contar o tempo pelo calendário cristão. Mas, no livro, se fala de 632 d.F., ou seja, depois de Ford, pois um novo período na história humana teria sido inaugurado com Henry Ford, o criador das linhas de montagem e precursor da moderna sociedade de consumo. É nessa época - em que não há fome, desemprego, pobreza, guerras, doenças e os indivíduos convivem em suposta harmonia em um mundo asséptico - que se situa Admirável Mundo Novo (1932), romance do autor inglês Aldous Huxley (1894-1963). Continue lendo.
33. Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf

"Mrs. Dalloway disse que ela própria iria comprar as flores." Assim começa este romance de 1925, escrito após um dos vários colapsos nervosos sofridos pela escritora inglesa Virginia Woolf (1882-1941). A história se passa em um único dia na vida de uma socialite londrina às voltas com os preparativos para uma recepção doméstica. Continue lendo.
34. Moby Dick, de Herman Melville

Moby Dick foi um fracasso de vendas quando lançado, em 1851. Herman Melville (1819-1891) tinha então 32 anos e já era autor de cinco romances. O público ficou decepcionado, porque aguardava a mesma aventura de apelo popular de Typee (1846), baseada na experiência do autor marinheiro nos Mares do Sul. Continue lendo.
35. Histórias Extraordinárias, de Edgar Allan Poe

Uma mansão envolta em uma atmosfera de morte ou um gato preto que leva seu dono à perdição podem ser suficientes para que Edgar Allan Poe (1809-1849) teça alguns dos contos mais aterrorizadores da história - muitos deles reunidos no livro Histórias Extraordinárias. Publicado pela primeira vez com esse nome em 1848 pelo poeta Charles Baudelaire (antes era intitulado Contos do Grotesco e do Arabesco), Histórias Extraordinárias traz A Queda da Casa de Usher, O Barril de Amontilado, O Gato Preto e Os Crimes da Rua Morgue, entre outros, nos quais, com extrema habilidade, Poe enfoca o fantástico e o sobrenatural com descrições minuciosas e realistas, conduzindo o leitor a um mundo soturno e repleto de enigmas. Não que os escritos de terror fossem novidade na época. Continue lendo.
36. A Comédia Humana, de Honoré de Balzac

Se os franceses foram os pais dos romances caudalosos (romans-fleuves), nos milhares de páginas de Victor Hugo, Émile Zola, Marcel Proust, então Honoré de Balzac (1799-1850) foi o pai de todos os franceses. A Comédia Humana, em uma edição francesa, enche mais de 11 mil páginas. São 88 romances e novelas com vida independente, mas que atuam harmonicamente para alcançar o propósito de Balzac - cristalizar numa única obra tudo quanto fosse humano, fazendo com a pena o que só Napoleão fez com a espada. Continue lendo.
37. Grandes Esperanças, de Charles Dickens

Grandes Esperanças é em essência um romance de formação, aquele tipo de obra em que o personagem evolui conforme a leitura - física, psicológica, moral e esteticamente. O Pip das primeiras páginas, criança inocente e bondosa, e o Pip do fim do livro, fidalgo, frio e calculista, são os polos de uma história que fazem o leitor sorrir com as conquistas financeiras, chorar com as desilusões amorosas e aplaudir as conclusões prévias. Charles Dickens (1812-1870) publicou em 1861 o que para muitos é uma obra semiautobiográfica, em que ele traria à tona a própria infância. Continue lendo.
38. O Homem sem Qualidades, de Robert Musil

Para a maioria dos alemães, o escritor austríaco Robert Musil (1880-1942) publicou o mais importante romance do século 20 escrito na língua germânica. Mas não sem traumas. O Homem sem Qualidades fez seu autor entrar na lista de obras "indesejáveis e nocivas" dos nazistas, que o enxotaram da Alemanha para a Suíça - onde viveu anos na miséria até morrer no exílio. Continue lendo.
39. As viagens de Gulliver, de Jonathan Swift

As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift (1667-1745), foram escritas para um público sedento por comédias satíricas - o cenário é o Reino Unido do começo do século 18, mais precisamente 1726, quando foram publicadas pela primeira vez em Londres. O fato de carregar forte carga moralista, ao oferecer um retrato de uma humanidade em essência vergonhosa, parece não ter encontrado resistência. O livro virou um sucesso especialmente entre os mais jovens, o que até hoje permanece nas dezenas de versões infanto-juvenis da obra. Continue lendo.
40. Finnegans Wake, de James Joyce

"Demoroso, langoroso, livro das trevas." Assim James Joyce (1882-1941) descreveu o livro ainda sem nome que começara a escrever em 1924 e publicava de forma seriada na revista Transition. Em 1939, ela saiu, por fim, com o nome tomado de empréstimo a uma canção popular: Finnegans Wake. Continue lendo.
41. Os Lusíadas, de Luís de Camões

Como Homero na Ilíadia ou Virgílio na Eneida, Luís Vaz de Camões (1524?-1580) buscou no épico, gênero por excelência dos poemas fundacionais de grandes nações, o modelo poético narrativo para contar a história do povo português. Em Os Lusíadas, publicado em 1572, Camões bebe da fonte clássica literária no auge do classicismo europeu e, usando como mote a descoberta por Vasco da Gama, anos antes, do caminho marítimo para as Índias, traduz em verso toda a história do povo português e suas grandes conquistas. Resultado do extremo apuro técnico típico do classicismo, a epopeia portuguesa é composta de 1.102 estrofes de oito versos, ou 8.816 versos decassílabos, divididos em dez cantos e organizados em cinco partes. Continue lendo.
42. Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas

"Um por todos e todos por um" era o lema dos Três Mosqueteiros - que na verdade eram quatro -, ao lutarem pela justiça e pela honra da coroa francesa. O livro homônimo do romancista francês Alexandre Dumas (1802-1870) foi publicado em 1844 na revista parisiense Siècle. Cada edição trazia um capítulo da história, que logo se tornou popular por ser uma aventura nos moldes dramáticos adorados na época - e até hoje. Continue lendo.
43. Retrato de uma Senhora, de Henry James

Hoje em dia é estranho pensar que Henry James (1843-1916) já foi um autor popular. Seu romance The American (1877) foi pirateado na Inglaterra. De sua novela Daisy Miller (1879) se tomou emprestado o nome da personagem-título: "daisy miller" passou a designar qualquer jovem americana, ingênua e deslumbrada, em férias na Europa no fim do século 19. Continue lendo.
44. Decamerão, de Giovanni Boccaccio

A obra mais famosa de Giovanni Boccaccio (1313-1375), Decamerão, é até hoje lembrada como um compêndio sobre a capacidade humana de perverter-se de todas as formas. Mas foi também uma das grandes responsáveis pela fixação do idioma italiano na Itália, ao percorrer, com seus contos divertidos, uma gama imensa de sentimentos humanos e situações cotidianas nos idos da Idade Média. Numa manhã de terça-feira do ano de 1348, sete moças e três rapazes resolvem deixar a cidade de Florença para fugir da peste negra. Continue lendo.
45. Esperando Godot, de Samuel Beckett

Deus. Liberdade. Morte. Esperança. Muitos foram os nomes que Godot recebeu. Mas, como o personagem do irlandês Samuel Beckett (1906-1989) nunca deu as caras para dizer quem era - ou a que veio ou aonde iria -, sua verdadeira identidade permanece um mistério literário. Indagado sobre o significado de Godot, o autor disse: "Se soubesse teria dito na peça". Continue lendo.
46. 1984, de George Orwell

O romance 1984 foi lançado um ano antes da morte do autor, George Orwell (1903-1950). Em 1949, Eric Arthur Blair, seu nome verdadeiro, achava-se isolado em um casebre no arquipélago escocês das ilhas Hébridas. Doente e desgostoso após uma vida de militância política, redigiu o romance que passaria para a história literária como um dos mais contundentes contra os regimes totalitários. Continue lendo.
47. A Vida de Galileu, de Bertolt Brecht

A primeira versão do texto de A Vida de Galileu foi escrita em 1938, quando a vitória do nazismo na Alemanha parecia inevitável. Na iminência da barbárie, Bertolt Brecht (1898-1956) foi buscar na trajetória do astrônomo Galileu Galilei (1564-1642) o subtexto para expressar suas ideias sobre o comportamento dos intelectuais diante de uma sociedade repressora. Na época, o dramaturgo havia deixado a Alemanha, sua terra natal, e passava uma temporada de exílio na Dinamarca. Continue lendo.
48. Os Cantos de Maldoror, de Lautréamont

O livro Os Cantos de Maldoror foi publicado em 1969, mas de maneira discreta - seu editor temia represálias e processos que poderiam advir de uma obra com tamanho teor de perversão. Zoofilia, pedofilia, homossexualismo e sadomasoquismo são os temas prediletos do microcosmo do autor, que os coroa sempre com uma provocante naturalização da loucura, do imoral, do perverso. O conde de Lautréamont, cujo nome real era Isidore Ducasse (1846-1870), nasceu no Uruguai, perdeu a mãe aos 2 anos e quase não conviveu com o pai, tendo estudado toda a vida na França. Continue lendo.
49. A Tarde de um Fauno, de Stéphane Mallarmé

A melodia de Debussy é doce, suave, ilude os sentidos e vai se pronunciando como que pisando em ovos, da mesma forma que o poema, pai da música, o fizera anos antes. Em 1890, o poeta Stéphane Mallarmé (1842-1898) pediu ao compositor Claude Debussy que musicasse um poema de sua autoria, já reconhecido em toda a Europa: A Tarde de um Fauno. Nascido em Paris, em 1842, Mallarmé foi professor de inglês durante mais da metade da vida, profissão que adquiriu estudando e se especializando em Londres. Continue lendo.
50. Lolita, de Vladimir Nabokov

"Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve no terceiro contra os dentes. Lo.Li.Ta." É com essa "onomatopeia erótica", exagerada e passional, bem ao modelo dos folhetins românticos, que Vladimir Nabokov (1899-1977) inicia seu romance mais famoso, Lolita (1955). O título, assim como o termo "ninfeta", criado pelo protagonista para definir sua atração irresistível por garotas na faixa dos 9 aos 12 anos de idade, foi incorporado ao vocabulário universal. Continue lendo.
51. Tartufo, de Molière

Foi com Tartufo que Molière (1622-1673) passou a ser acusado de imoral, libertino e diabólico pela burguesia e pela Igreja francesas, incomodadas com as críticas de seus personagens quase reais. Atentar contra a moral e os bons costumes era um crime sério nos idos do século 17 - tanto que um padre sugeriu que o autor fosse queimado vivo. A solução foi mais simples: Molière, já um dramaturgo famoso entre as massas, adaptou o fim da peça para dobrar o clero e levar às graças do público seu hilariante Tartufo. Continue lendo.
52. As Três Irmãs, de Anton Tchekhov

As Três Irmãs é considerada a obra-prima no teatro de Anton Tchekhov (1860-1904), escritor russo que marcaria a história da literatura pelo grau de laconismo dilacerante de seus contos curtos e pela profundidade psicológica de seus personagens na dramaturgia. E o teatro de Tchekhov traduz sua busca pelo sentido objetivo da vida. Olga, Macha e Irina são três irmãs que tentam, cada uma a sua maneira, sobreviver à monotonia do dia-a-dia. Continue lendo.
53. O Livro das Mil e Uma Noites

Quando o rei Sahriyar descobre que foi traído, decide não mais confiar nas mulheres e passa, então, a executar suas noivas no dia seguinte ao casamento. Depois de muitas mortes, o grão-vizir encarregado de levar as pretendentes à alcova real não encontra mais candidatas. Mas, para seu espanto, sua filha Sahrazad se oferece para casar com o monarca. Continue lendo.
54. O Burlador de Sevilha, de Tirso de Molina

Gabriel Téllez, conhecido no mundo da literatura por Tirso de Molina (1571-1648), nasceu em Madri, Espanha, no século 17, mas ganhou fama mundial ao transportar para um romance coeso o mito de Don Juan em El Burlador de Sevilla y Convidado de Piedra, publicado pela primeira vez em 1630. Uma obra que talvez não seja totalmente sua, ponderam alguns críticos. Pedro Henrique Ureña diz que Tirso de Molina é, sim, o criador de Don Juan, mas apenas do germe. Continue lendo.
55. Mensagem, de Fernando Pessoa

Míope, tímido, cortês, sempre metido em ternos escuros. Com o salário contado de redator ambulante de cartas comerciais, morava como inquilino em casas de parentes ou em quartos de pensão. Dado a especulações esotéricas, gostava de passar as horas em tabernas e cafés. Continue lendo.
56. Paraíso Perdido, de John Milton

O inglês John Milton compôs os cerca de 10 mil versos de seu poema mais conhecido, Paraíso Perdido (1667), quando já estava completamente cego. Ditando a obra a diversos copistas, inclusive filha caçula, e inspirado pelo Gênesis e pela Eneida de Virgílio, escreveu um dos maiores épicos religiosos da história da literatura. Paraíso Perdido está dividido em 12 cantos e conta a história da danação do homem, que perde o direito ao paraíso depois de provar o fruto proibido. Continue lendo.
57. Robinson Crusoé, de Daniel Defoe

"A vida e as mais surpreendentes aventuras do marinheiro Robinson Crusoé, natural de York, que viveu 28 anos completamente só numa ilha deserta, situada na América do Sul, não longe da embocadura do Orenoco, após escapar de um naufrágio em que pereceram todos os demais homens da tripulação." Assim o jornalista e autor de panfletos polêmicos Daniel Defoe (1660-1731), já com 60 anos, em conluio com um editor de livros populares de Londres, oferece sua obra ao público. Lançada em 1719, Robinson Crusoé não contou com o nome de Defoe na capa. Continue lendo.
58. Os Moedeiros Falsos, de André Gide

O francês André Gide (1869-1951) não era um escritor para mentes cativas. Acusado de complexo, barroco, hermenêutico, chegou a dizer que Os Moedeiros Falsos, de 1926, era seu único romance. Nele, Gide utiliza uma imagem concreta (pequenos fora-da-lei que falsificam dinheiro) como metáfora para traduzir as relações humanas, frequentemente pervertidas por mal-entendidos e erros de compreensão. Continue lendo.
59. Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

O romance Memórias Póstumas de Brás Cubas (de 1881), de Machado de Assis, foi o texto que inaugurou o padrão moderno nas letras nacionais. Bebendo nas águas tanto do Realismo quanto do Romantismo, com influência de prosadores ingleses e franceses do século 18, mas, sobretudo, escrevendo com grande independência e originalidade, Machado de Assis criou com este livro a ponte que uniu o passado ao futuro na nossa literatura. A razão para esse salto qualitativo deve ser buscada nas inovações formais deste romance, o primeiro da chamada fase realista de sua obra. Continue lendo.
60. O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde

"Costuma-se dizer que a beleza é somente superficial. Pode ser que seja. Mas não tão superficial como o pensamento. Para mim, a beleza é a maravilha das maravilhas. Só o medíocre não julga pelas aparências. O verdadeiro mistério do mundo é o visível e não o invisível. Sim, Sr. Gray, os deuses foram generosos com o senhor. Mas o que os deuses dão, tomam logo em seguida." A última frase dessa fala do persuasivo lorde Henry Botton a Dorian Gray em O Retrato de Dorian Gray (1890) também pode ser aplicada a seu autor. Continue lendo.
61. Seis Personagens à Procura de um Autor, de Luigi Pirandello

"Manicômio, manicômio!" Na noite de 9 de maio de 1921, o Teatro Odescalchi de Roma veio abaixo gritando que o autor de Seis Personagens à Procura de um Autor, Luigi Pirandello (1867-1936), deveria ser internado por apresentar uma peça absolutamente ininteligível para o espectador. Quatro anos depois, diante de tamanha incompreensão, o escritor resolveu explicar em uma nota o significado da obra. Continue lendo.
62. As Aventuras de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll

Um coelho de cartola passa correndo, de olho no relógio: "Oh, céus! Vou chegar atrasado!". E a curiosa Alice o segue. Entra numa toca que se alça sobre um imenso precipício, tão profundo que ela acaba caindo no sono durante a queda. Mais adiante, Alice conversa com um bando de aves e animais sem que, por um instante, a situação lhe pareça inaceitável ou absurda. Continue lendo.
63. A Náusea, de Jean-Paul Sartre

Em 1931, o filósofo francês Jean-Paul Sartre (1905-1980) começou a escrever A Náusea, seu primeiro romance. À época, estava imbuído das teorias fenomenológicas preconizadas pelo alemão Edmund Husserl (1859-1938), que privilegiava o ponto de vista do ser humano no estabelecimento da realidade. A fenomenologia o levou ao Instituto Francês de Berlim, onde mergulhou nas teorias de Martin Heidegger (1889-1976) e Karl Jaspers (1883-1969), que teorizaram sobre o vazio e a angústia da existência - questões cruciais em A Náusea, publicado somente em 1938. Continue lendo.
64. A Consciência de Zeno, de Italo Svevo

O século 20 seria, de certa forma, inaugurado com a publicação, em 1900, de A Interpretação dos Sonhos, obra de Sigmund Freud, fundadora da psicanálise. É a partir dessa ciência do inconsciente e do desejo, de seu novo olhar sobre os problemas que reprimem o ser humano moderno, que grande parte dos intelectuais pensaria o mundo contemporâneo. O italiano Italo Svevo (1861-1928) foi, nesses termos, pioneiro. Continue lendo.
65. Longa Jornada Noite Adentro, de Eugene Gladstone O’Neill

Eugene Gladstone O’Neill (1888-1953) nasceu para o teatro. Filho de um ator popular de ascendência irlandesa, O’Neill cresceu em viagens durante as temporadas teatrais pelos Estados Unidos. A vida errante fez com que a mãe se tornasse dependente de remédios e o irmão mais velho, que mais tarde se suicidaria, do álcool. Continue lendo.
66. A Condição Humana, de André Malraux

Publicado em 1933 e ganhador do Prêmio Goncourt, A Condição Humana é algo entre um romance e um relato ficcional dos acontecimentos que deram início à Revolução Chinesa, observados do ponto de vista politicamente engajado do escritor francês André Malraux (1901-1976). Estruturado como romance, mas escrito em tom de reportagem, o livro é um depoimento pessoal de Malraux sobre um dos momentos históricos mais marcantes do século passado - o surgimento do comunismo na China e a guerra civil no país, acontecimentos que marcariam a história chinesa e mundial até hoje. Questões morais, intelectuais e políticas permeiam todo o livro, que não deixa de ser um manifesto favorável a uma revolução tida como possível há 70 anos. Continue lendo.
67. Os Cantos, de Ezra Pund

Os primeiros esboços de Os Cantos foram feitos pelo americano Ezra Pound (1885-1972) em 1904. Mas os primeiros poemas que integrariam o volume foram publicados apenas em 1917, enquanto os últimos só vieram à luz em 1970. O gigantesco conjunto de versos sofreu inúmeros acréscimos e modificações ao longo da vida do poeta. Continue lendo.
68. Canções da Inocência-Canções da Experiência, de William Blake

"Não há dúvida que esse pobre homem foi louco, mas há algo na loucura dele que me interessa mais que a sanidade de Lorde Byron ou Walter Scott." As palavras do poeta inglês William Wordsworth (1770-1850) foram proferidas por ocasião da morte de seu compatriota e companheiro na poesia William Blake (1757-1827) e marcam bem a impressão que o autor de Canções da Inocência (1789) e Canções da Experiência (1794) deixou em seu tempo. Mal compreendido, Blake tinha sido tomado por profeta louco em seus últimos anos, quando publicara uma miscelânea de poemas de fundo místico, como As Visões das Filhas de Albion (1793), Milton (1808) e o épico Jerusalém (1820). Continue lendo.
69. Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams

Um Bonde Chamado Desejo, do dramaturgo Tennessee Williams (1911-1983), tornou-se um clássico entre os clássicos do teatro americano ao narrar a decadência de Blanche Dubois, que se refugia na casa da irmã Stella para fugir do passado e sucumbe ao presente vulgar de seu cunhado Stanley. Estrelado em 1947 por Marlon Brando e Jessica Tandy na Broadway, dirigido por Elia Kazan, o texto ganharia notoriedade mundial no cinema, quatro anos depois, quando o mesmo Kazan dirigiu Brando e Vivian Leigh nos papéis principais. Apesar do clima de tensão deixado após os anos de luta na Segunda Guerra Mundial, a Broadway dos anos 1940 não atendia às expectativas de uma sociedade que mudava a passos rápidos e era dominada por musicais de comédia e releituras dos clássicos gregos, de William Shakespeare e Bernard Shaw (1856-1950). Continue lendo.
70. Ficções, de Jorge Luis Borges

Ficções, do escritor argentino Jorge Luis Borges (1889-1986), foi editado em 1944 a partir de alguns dos melhores textos do maior contista latino-americano. Num jogo entre ordem e acaso, entre a lógica combinatória e o simbolismo mágico, Borges mescla duas coleções distintas, O Jardim dos Caminhos que Se Bifurcam (1941) e Artifícios (1944), alcançando uma obra, para usar um termo que a consagrou, "fantástica". Continue lendo.
71. O Rinoceronte, de Eugène Ionesco

De modo inesperado, sem mais nem menos, um rinoceronte surge na praça de uma cidade indefinida. Todos se surpreendem, mas a vida continua. Então aparecem outros rinocerontes. O burburinho ganha vulto. Seria uma ilusão? Teriam vindo da África ou da Ásia? Seriam unicórnios ou bicórnios? Continue lendo.
72. A Morte de Virgílio, de Hermann Broch

"Que importa que os deuses se limitem ao povo e não queiram conhecer o indivíduo! A alma pouco precisa dos deuses que ela própria criou, já não precisa deles, nem deste deus nem daquele, desde que trave o seu piedoso diálogo com o insondável." Como se observa, é grande a carga dramática do poema-romance A Morte de Virgílio, escrito pelo alemão Hermann Broch e publicado pela primeira vez em 1945. Continue lendo.
73. Folhas de Relva, de Walt Whitman

Com imensa barba e cabelos longos e brancos, que remetem à imagem de um eremita, Walt Whitman (1819-1892) tornou-se uma figura lendária ainda em vida. Isolado em uma cabana em Camden, Nova Jersey, com metade do corpo paralisado por sequelas de um ferimento recebido quando foi voluntário na Guerra Civil Americana, o poeta revisou até o último ano de vida sua maior realização literária: Folhas de Relva (1855). A primeira edição do volume, com 12 poemas, foi publicada pelo próprio Whitman em tiragem pequena. Continue lendo.
74. O Deseros dos Tártaros, de Dino Buzzati

A espera parece ter sido a razão de viver do escritor e jornalista italiano Dino Buzzati (1906-1972). Entediado com as tarefas que cumpria à noite no jornal Corriere della Sera, Buzzati percebeu que a rotina consumia sua existência - o que serviria de enredo para escrever sua obra-prima, ao transportar o drama para um forte militar onde os soldados aguardassem, dia e noite, o ataque do inimigo. Publicado em 1940, O Deserto dos Tártaros traz a história de Giovanni Drogo, jovem oficial convocado para servir num forte à beira do deserto que poderia - eventualmente, num acaso do destino - ser atacado pelos tártaros. Continue lendo.
75. Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez

"Era irrepetível desde sempre e por todo o sempre, porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda oportunidade sobre a terra." Essa foi a terrível constatação do último dos Aureliano Buendía, quando desvenda nos pergaminhos do cigano Melquíades o destino já cumprido de sua família. Seu filho, último descendente da dinastia, morrera engolido por formigas, e agora ele se dava conta de que as oito gerações dos Buendía estavam, desde o princípio, condenadas à solidão e à extinção junto com Macondo, cidade onde viveram e que ajudaram a fundar. Continue lendo.
76. Viagem ao Fim da Noite, de Louis-Ferdinand Céline

O dedicado dr. Louis-Ferdinand Destouches - que trabalhou na avaliação de operários em uma fábrica da Ford em Detroit, nos Estados Unidos, na Liga das Nações na África e medicando pobres na periferia de Paris - teve uma vida difícil. Nascido em 1894, sofreu privações na infância e, aos 18 anos, alistou-se na cavalaria para fugir da "pobreza digna" (em suas palavras), que amargava ao lado da família de pequenos comerciantes. Mas encontrou sorte pior nas fileiras do Exército. Continue lendo.
77. A Ilustre Casa de Ramires, de Eça de Queirós

Publicado em 1900, logo após a morte do escritor, A Ilustre Casa de Ramires é uma obra da fase em que o português José Maria d’Eça de Queirós (1845-1900) retomava as pazes com seu Portugal querido. São duas narrativas que se mesclam. A primeira é a trajetória de um fidalgo português, Gonçalo Mendes Ramires, cujo destino se confunde com o de Portugal na busca de ressurgir moralmente após a decadência. Continue lendo.
78. O Jogo da Amarelinha, de Julio Cortázar

Em O Jogo da Amarelinha (Rayuela), romance do escritor argentino Julio Cortázar (1914-1984), o leitor pula do jeito que quiser. Como um labirinto que avança e retrocede brincando com quem lê, a obra pode ser lida tanto de forma fluida, clássica, em capítulos (do 1 ao 56), compreendendo de modo claro a história de um triângulo amoroso, como também, a partir do capítulo 73, seguindo a ordem indicada pelo autor, como um mapa de leitura, com mil encadeamentos possíveis, incluindo capítulos antes ironicamente denominados "dispensáveis". Nesse segundo modo de pular a amarelinha, o curso principal da narrativa oferece ramificações insondáveis, que partem de um comentário sobre o personagem para desaguar em uma reminiscência surreal - citações, cartas, breves episódios, textos que debatem a literatura atual, artigos sobre os personagens, desvarios, tudo vale para reforçar o caráter ambíguo e irônico da história. Continue lendo.
79. As Vinhas da Ira, de John Steinbeck

Num bilhete endereçado a seu colega de quarto, quando ainda era um jovem calouro da Universidade Stanford, na Califórnia, John Steinbeck (1902-1968) despede-se da carreira acadêmica. "Fui para a China. Vejo-o de novo qualquer dia desses", escreveu. Steinbeck não fora à China. Continue lendo.
80. Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar

Memórias de Adriano, a obra-prima de Marguerite Yourcenar (1903-1987), consumiu 30 anos de pesquisa da escritora belga, que começou a escrever o livro nos anos 1920, destruiu inúmeras versões e o lançou apenas em 1951, quando virou febre na Europa e imediatamente se tornou um clássico da literatura moderna. A obra é escrita como se fosse uma autobiografia do imperador Adriano, retratado como o protótipo de governante ideal: cultor do classicismo grego, mecenas e político preocupado com o povo. É essa personalidade humanizada, tão distante de um perfil historicista, que faz do Adriano de Yourcenar o mais lembrado e aceito até hoje. Continue lendo.
81. O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger

Dois dias antes das férias de Natal, Holden Caulfield, de 16 anos, foge de um rico colégio interno e vaga por estradas de ferro até chegar a Nova York. Com essa trama simples sobre um adolescente em crise, O Apanhador no Campo de Centeio tornou-se um imenso sucesso. Poucas semanas após o lançamento, em 1951, a obra já tinha vendido mais de 15 milhões de exemplares. Continue lendo.
82. As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain

Samuel Langhorne Clemens (1835-1910) se aproximava dos 50 anos quando publicou um dos seus livros mais famosos, As Aventuras de Huckleberry Finn (1884). No prefácio escreveu: "Embora este livro se destine, sobretudo, a divertir meninos e meninas, espero que não seja desprezado por adultos, pois parte do meu plano foi tentar relembrar-lhes, de maneira agradável, o que outrora foram". Ao rogar que seus leitores recordassem a infância, o velho Mark Twain - pseudônimo de Clemens - na verdade fazia reviver a própria. Continue lendo.
83. Contos - Hans Christian Andersen

"Sempre isto que vemos é muito grande!", diria o patinho desajeitado, ao pular da casca do ovo e observar a realidade no lado de fora. Com O Patinho Feio, assim como O Soldadinho de Chumbo e A Pequena Sereia, o dinamarquês Hans Christian Andersen (1805-1875) entraria para o grupo de autores mais lidos de todos os tempos, mas por crianças. "Era uma vez vinte e cinco soldados de chumbo, todos irmãos, porque tinham sido todos feitos da mesma colher de cozinha." Continue lendo.
84. O Leopardo, de Tomasi di Lampedusa

Giuseppe Tomasi di Lampedusa (1896-1957) morreu antes de publicar sua grande obra, O Leopardo (o original Gattopardo foi mantido em algumas traduções para o português), um estrondoso sucesso logo após o lançamento, em 1958. O livro, que inspirou o filme homônimo do cineasta Luchino Visconti, aborda a decadência da aristocracia siciliana, da qual o próprio autor fez parte, e tem como ponto de partida a conquista da Sicília por Garibaldi e a unificação da Itália. A decadência é traduzida por Don Fabrizio Corbera, o príncipe de Salina, o Leopardo. Continue lendo.
85. A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Tristram Shandy, de Laurence Sterne

A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Tristram Shandy, do escritor irlandês Laurence Sterne (1713-1768), é considerado pela crítica o "antirromance do século", alcunha mais do que merecida para uma obra que faz não uma paródia de um livro, mas de todo o gênero romanesco. Originalmente publicado em vários volumes - os dois primeiros em 1759, e os demais no decorrer dos dez anos seguintes - o livro teve reações dissonantes entre os escritores da época, mas o humor grosseiro foi bem aceito pela sociedade londrina. Em nenhum outro romance as expectativas de um leitor comum são tão destratadas como na obra-prima de Sterne. Continue lendo.
86. Uma Passagem para a Índia, de Edward Morgan Forster

Até o início do século 20, os romances sobre a Índia colonial privilegiaram o ponto de vista do colonizador britânico. A contribuição de Edward Morgan Forster (1879-1970) em Uma Passagem para a Índia, publicado em 1924, foi ter lançado dúvida sobre as virtudes morais desse olhar, ao reconstituir os múltiplos aspectos de uma realidade complexa. O romance acompanha a viagem de Adela Quested e sua futura sogra, a senhora Moore, a Chandrapore. Continue lendo.
87. Orgulho e Preconceito, de Jane Austen

Nada indicava que Jane Austen (1775-1817), filha de um pastor anglicano de província, se tornaria uma das escritoras mais lidas da Inglaterra. Mas o fato é que a observação do ambiente rural serviu de esteio às suas comédias de costumes, em que a descrição social e humana se iguala à dos grandes mestres. A primeira versão da obra se chamou First Impressions a partir do ditado que diz "first impressions are half of the battle" (as primeiras impressões perfazem metade da conquista). Continue lendo.
88. Trópico de Câncer, de Henry Miller

Quando o americano Henry Miller (1891-1980) se mudou para Paris, em 1930, não tinha trabalho fixo nem dinheiro no bolso. Pretendia viver da pena. Acabou entre vagabundos e mendigos, passando fome e divertindo-se com meretrizes. Continue lendo.
89. Pais e Filhos, de Ivan Turguêniev

Pais e Filhos é uma das obras mais polêmicas de toda a literatura russa e uma das poucas a transpor pragmaticamente a tênue barreira entre ficção e realidade. Escrita por Ivan Turguêniev (1818-1883) e publicada originalmente em 1862, o livro trouxe à tona debates considerados perigosos em uma época de grande perturbação social, especialmente no campo. O romance narra a tragédia existencial de um homem inteligente e repleto de qualidades morais, Bazárov, que se propusera a viver uma vida niilista, livre de crenças e moralismos, uma espécie de rebeldia que "não se inclina a nenhuma autoridade nem aceita nenhum princípio sem exame". Continue lendo.
90. O Náufrago, de Thomas Bernhard

Thomas Bernhard (1931-1989), conhecido pela violência de suas palavras, cria, em O Náufrago (1983), um Narrador como figura central para abusar da parcialidade, da virulência, das idiossincrasias e da misantropia que lhe são comuns, em um romance sobre desilusão e morte, um monólogo interior quase niilista, pessimista, rascante e por isso tomado por ácido humor. O romance começa pelo fim, narrando o término de uma longa amizade entre três grandes homens que pretendiam ser três grandes pianistas. Apenas um deles conseguiu, relegando aos dois primeiros uma vida amargurada, autocomiserativa e vazia. Continue lendo.
91. A Epopeia de Gilgamesh

Tesouro literário da antiga Mesopotâmia, este épico deriva principalmente de 12 tábuas de argila descobertas em Nínive, na biblioteca do rei assírio Assurbanípal, que reinou entre 668 e 627 a.C. Trata-se do mais antigo texto literário preservado, precedendo em 1,5 mil anos as narrativas homéricas. O personagem de Gilgamesh se baseia num rei que governou Uruk no terceiro milênio antes de Cristo. Continue lendo.
92. O Mahabharata

Não se sabe ao certo a autoria do mais extenso poema épico da literatura indiana - e também da literatura universal -, escrito há mais de 5 mil anos. O Mahabharata tem mais de 200 mil versos em 18 livros, ou parvas, que por muito tempo foram creditados unicamente a um autor, Krishna-Dwaipayana. Hoje a tendência é vê-lo mais como um compilador, como um mentor da grande obra. Continue lendo.
93. As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino

Em As Cidades Invisíveis (1972), o escritor italiano Italo Calvino (1923-1985) descreve um diálogo inusitado entre o mercador veneziano Marco Polo, "o maior viajante de todos os tempos", e o imperador dos tártaros Kublai Khan. Por meio de curtas narrativas construídas por palavras mágicas, Calvino tece um emaranhado de símbolos que dão conta de qualquer cidade, país ou realidade imaginável. Façanha que o próprio autor reconhece. Continue lendo.
94. Oh The Road, de Jack Kerouac

As quatro viagens que Jack Kerouac (1922-1969) fez com seu amigo Neal Cassady cruzando os Estados Unidos nos últimos anos da década de 1940 serviram de inspiração para o livro que se tornou símbolo da geração beat americana: On the Road (1957). Ser beat naqueles tempos significava andar mal-vestido, odiar a burguesia, explorar os limites da mente com alucinógenos, curtir jazz e embebedar-se constantemente. Esse é o estilo de vida de Sal Paradise e seu companheiro Dean Moriarty, os protagonistas do romance - e alter egos de Kerouac e Cassady. Continue lendo.
95. O Lobo da Estepe, de Herman Hesse

"Era uma vez um certo Harry, chamado o Lobo da Estepe. Andava sobre duas pernas, usava roupas e era um homem, mas não obstante era também um lobo das estepes. Havia aprendido uma boa parte de tudo quanto as pessoas de bom entendimento podem aprender, e era bastante ponderado. O que não havia aprendido, entretanto, era o seguinte: estar contente consigo e com sua própria vida." Assim escreve Hermann Hesse (1877-1962) no livro que virou a febre hippie dos anos 1960. Continue lendo.
96. O Complexo de Portnoy, de Philip Roth

Publicado em 1969, este romance sobre as confissões de um homem no divã de seu psicanalista conquistou rapidamente o aplauso da crítica e a aceitação do público, catapultando o nome de Philip Roth (1933) ao panteão das letras americanas. Considerado pela revista Time e pela Modern Library um dos cem melhores romances do século 20, o livro conta a história de um jovem advogado nova-iorquino, Alexander Portnoy, às voltas com a mãe castradora, o pai pusilânime e uma longa série de namoradas - nenhuma do credo judeu, como queria sua família. Quando enfim conhece uma israelense numa viagem a Israel, vê-se, significativamente, impotente. Continue lendo.
97. Reparação, de Ian McEwan

Ganhador do Booker Prize, o mais importante prêmio literário da Grã-Bretanha, Ian McEwan, nascido em 1948, é considerado um dos principais autores ingleses da atualidade. De início influenciado pelo crítico e escritor Malcolm Bradbury, escreveu Primeiro Amor, Último Sacramento, O Jardim de Cimento e Ao Deus-Dará (The Comfort of Strangers), estes dois últimos adaptados para o cinema. Aos poucos, vai perdendo a chave satírica e certo gosto para o escabroso e o horrível, evoluindo para os temas mais nuançados, de perfeito equilíbrio entre o corte introspectivo e as implicações políticas e sociais, de seus romances da maturidade. Continue lendo.
98. Desonra, de J. M. Coetzee

"O homem só é feliz quando morre." A frase inaugural de Desonra (1999), concisa como o livro do sul-africano J. M. Coetzee, diz tudo sobre o protagonista, David Lurie, um professor universitário de meia-idade que vê a carreira ruir por causa de um escândalo sexual. A realidade trazida por Coetzee é crua, retrato da África do Sul após o fim do apartheid. Continue lendo.
99. As Irmãs Makioka, de Junichiro Tanizaki

O choque entre o Japão antigo, baseado em tradições milenares e lastreado em rígida estratificação social e sexual, e o país no caminho para a modernização, com costumes mais libertários, mas movido por valores estrangeiros e por vezes carentes de grandeza: esse é o tema não só de As Irmãs Makioka, obra-prima de Jun’ichiro Tanizaki (1886-1965), como também de quase toda a obra do escritor. Neste romance volumoso - cujo título original remete à neve fina, a última a cair no inverno -, o embate se trava dentro de uma família e se representa pelas quatro irmãs do título pelo qual o livro ficou conhecido no Ocidente. A personagem central é Yukiko, que perdera várias oportunidades de matrimônio, pois a família tradicional dispensara os candidatos a noivo. Continue lendo.
100. Pedro Páramo, de Juan Rulfo

O realismo fantástico como hoje se conhece não teria existido sem Pedro Páramo, o pequeno grande romance do mexicano Juan Rulfo (1917-1986). É dessa fonte que beberam o colombiano Gabriel García Márquez e o peruano Mario Vargas Llosa, entre tantos latino-americanos que narram as odisseias latino-americanas. Editado em 1955, Pedro Páramo é o único romance e o primeiro de dois livroslançados em toda a vida do autor - o outro é O Chão em Chamas, uma coletânea de contos longos. Continue lendo.

 

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