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LITERATURA

200 Crônicas Escolhidas

Essa antologia do "Sabiá da Crônica" revela como Rubem Braga elevou o gênero ao melhor da prosa brasileira


11/07/2011 19:29
Texto Daniel Schneider e Thiago Minani
Bravo
Foto: ALEXANDRE SASSAKI
Rubem Braga
Rubem Braga, também conhecido como o Sabiá da Crônica pela sonoridade de seus textos
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O papel de Rubem Braga (1913-1990) para a crônica brasileira está em ter elevado o gênero ao nível da melhor prosa já produzida em língua portuguesa. Nascido em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, e falecido no Rio, dedicou-se durante 62 anos ao jornalismo, nos quais escreveu mais de 15 mil crônicas. A efemeridade desses textos, escritos para jornal diário, Rubem Braga superou com o estilo e o tratamento que dava aos temas escolhidos. A antologia 200 Crônicas Escolhidas (1978) reúne os melhores exemplos desse trabalho.

Crônicas selecionadas de nove livros de Rubem Braga estão aqui: O Conde e O Passarinho, Morro do Isolamento, Com a FEB na Itália, Um Pé de Milho, O Homem Rouco, A Borboleta Amarela, A Cidade e a Roça, Ai de Ti, Copacabana, A Traição das Elegantes. Há nos próprios títulos dessas obras os indícios do universo do escritor. Homem do interior do Espírito Santo, ligado à terra - cultivava um jardim e uma horta na cobertura que tinha em Ipanema, no Rio -, deleitava-se com as coisas mais simples para então escrever. Um exemplo é a crônica O Conde e o Passarinho, de 1935, em que trata de uma condecoração que o conde Francisco Matarazzo recebera. Um passarinho, segundo o Diário de S.Paulo, tomou-lhe pelo bico uma medalha e saiu voando. É o mote para o "Velho Braga" discorrer sobre as fábricas de Matarazzo, o poder econômico e a natureza. Não de modo panfletário, mas com o lirismo de quem canta a natureza. Um outro exemplo é Um Pé de Milho, de 1945, que se abre com este parágrafo: "Os americanos, através do radar, entraram em contato com a Lua, o que não deixa de ser emocionante. Mas o fato mais importante da semana aconteceu com o meu pé de milho". O cronista deixa de lado a ciência, depois dessa referência rápida e fria, e conta uma pequena história sobre como nasceu, cresceu e floresceu um pé de milho no seu quintal, "um belo gesto da terra".

Os temas constantes de Rubem Braga - a natureza, o amor, a compaixão, os pequenos dramas do dia-a-dia - saem de cena na obra mais forte: Com a FEB na Itália (1945), fruto do trabalho para o jornal Diário Carioca. Como correspondente de guerra durante a ocupação da Itália pela Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra, Braga tinha, para si próprio, a missão de conciliar o relato jornalístico objetivo com o tom da crônica. A Menina Silvana e Cristo Morto foram destacados para esta antologia. No primeiro texto, o encontro de uma menina de 10 anos atingida por estilhaços de uma granada choca o cronista, que então é levado a refletir sobre o papel do repórter e seus limites como informante. Cristo Morto trata de uma imagem de Cristo decapitada: a descrença nos homens e no divino, diante dos horrores da guerra, manifesta-se.

Rubem Braga formava com os amigos Fernando Sabino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos o seleto grupo de cronistas brasileiros contemporâneos. Era considerado o "sabiá da crônica", o mais sonoro entre esses contadores de histórias.

 


 

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