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LITERATURA

Sem pesquisa, não dá para transformar livros clássicos em HQ

As adaptações literárias para HQs têm ganhado muito espaço no mercado editorial. Saiba como ficar atento para escolher uma obra de qualidade


11/05/2015 12:13
Texto Manoela Meyer
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Foto: spacca educar para crescer hq clássicos
Para adaptar obras clássicas para HQs, o ilustrador Spacca faz um processo de seleção e pesquisa para montar o roteiro e criar os desenhos

Frankstein, Romeu e Julieta, O Cortiço e O Guarani são alguns dos grandes clássicos da literatura que já podem ser encontrados no formato de história em quadrinhos. As adaptações ganharam ainda mais fôlego graças aos editais do Ministério da Educação que desde 2006 incluem as HQs nas listas de livros do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE). São milhares de exemplares encomendados para as editoras, que vão parar nas prateleiras das bibliotecas das escolas públicas brasileiras.

Apesar da lista de 2012 ter vindo com um número drasticamente menor de HQs do que a de 2011 (apenas 7, comparados aos 26 títulos do ano passado), editoras de todos os portes andam investindo pesado em novos títulos. Mas será que as adaptações mantém a qualidade dos textos originais? O que deve ser observado em um trabalho como esse?

"Para fazer uma boa adaptação, a pesquisa é essencial", garante Spacca, ilustrador, cartunista e autor de HQs. Ele trabalha com desenho há mais de 20 anos e é autor de quatro obras famosas: Santô e os Pais da Aviação (2005), Debret em Viagem Histórica e Quadrinhesca ao Brasil (2006), D. João Carioca (2007) e Jubiabá (2009) - todas publicadas pela Cia. das Letras. A última é uma adaptação do livro homônimo de Jorge Amado e foi com base nela que o autor conversou sobre o tema no QuantaCon, evento realizado no dia 22 de abril de 2012 em São Paulo.

A adaptação consumiu dois anos de trabalho e, para o autor, teve como foco os editais do governo e o público de escolas públicas e privadas. "Esse tipo de HQ não é feito para leitores de quadrinhos", conta. Apesar disso, Jubiabá não consta em nenhuma das listas do PNBE, desde seu lançamento em 2009. Uma estranha ausência, especialmente em 2012, quando o país comemora os 100 anos de nascimento de Jorge Amado.

"Você pode contar uma história de diversas formas, desde que você esteja atento às características do meio, como linguagem e esquema de distribuição". Além da pesquisa, veja mais outros processos que estão envolvidos na adaptação de um clássico para uma HQ, baseados na adaptação de Jubiabá:

A matéria foi elaborada com base no debate "Adaptação Literária", durante o evento QuantaCon, no dia 22 de abril de 2012 em São Paulo. Contou com a participação de Spacca, Rodrigo D´Mart e Indio San, com mediação de Paulo Ramos.

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Seleção e roteiro
Spacca acredita que adaptar é negociar, já que é financeiramente inviável realizar um projeto que transponha as centenas de páginas do texto original para outras centenas ilustradas.

O desafio então é conseguir selecionar as partes essenciais. Na imagem abaixo, é possível observar os trechos que Spacca destacou do texto original, que ora dizem respeito ao visual, ora ao textual.

Aqui já aparece o roteiro, com a paginação correspondente:
2. Pesquisa
Além dos personagens, havia o desafio de recriar o ambiente e a época nos quais a história se passa, a cidade de Salvador (BA) no começo do século 20. Para isso, o autor fez uma extensa pesquisa bibliográfica, buscou referências em museus, visitou pessoalmente parte dos cenários descritos na obra e conversou com moradores. "Tinha que reconstituir algo vivo, maior que o livro".


A pesquisa é crucial, especialmente para evitar erros. Em meio ao cruzamento do texto com as informações coletadas, Spacca chegou a identificar um erro cometido por Jorge Amado. E se deu a liberdade de corrigir. "Há um trecho em que o orixá da cura de doenças, chamado Omolú, é descrito como ‘a deusa da bexiga’. Consertei. Mas é importante lembrar que ele escreveu Jubiabá aos 22 anos, quando ainda não era muito familiarizado com o tema dos terreiros."
3. Desenho
Por fim, os desenhos da cena descrita no item 1., com os balões ainda em branco:

Outro ponto interessante é o tipo de traço utilizado na obra. Segundo Spacca, Jorge Amado não gostava que seus ilustradores fizessem imagens muito reconhecíveis. Ele preferia que os leitores criassem seus personagens na cabeça. Por isso o estilo modernista e folclórico das gravuras, a maioria feitas por Carybè.

"Eu não quis seguir essa linguagem porque queria transpor para o desenho o fato de Jorge Amado ter um texto simples de ler. Não queria nada erudito. Quis algo como um cartum, que transmitisse com facilidade o humor e a aventura da história", conta o autor.

Ele tentou se manter fiel às descrições feitas no livro. Antônio Balduíno, o personagem principal, por exemplo, é o negro malandro "alto como uma árvore, que tinha a gargalhada mais clara da cidade de Salvador".


 

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