Dois dias antes das férias de Natal, Holden Caulfield, de 16 anos, foge de um rico colégio interno e vaga por estradas de ferro até chegar a Nova York. Com essa trama simples sobre um adolescente em crise, O Apanhador no Campo de Centeio tornou-se um imenso sucesso. Poucas semanas após o lançamento, em 1951, a obra já tinha vendido mais de 15 milhões de exemplares. Escrito em primeira pessoa, o romance faz farto uso da linguagem coloquial para se aproximar do registro de fala juvenil - uma ousadia na época. Personificação dos jovens da geração do pós-guerra à procura de uma identidade, Caulfield foi chamado de sucessor de Huckleberry Finn, protagonista do célebre romance de Mark Twain (1835-1910). Mas, se o desfecho da obra de Twain contém uma ponta de esperança, com a fuga do personagem para o Oeste em busca da liberdade, o destino de Caulfield fica em aberto. Talvez o herói tenha de conformar-se com o destino burguês do qual tentara escapar.
A repercussão da obra tirou do relativo ostracismo J. D. Salinger (1919), até então um obscuro contista de periódicos. Em vez de cultivar a notoriedade, porém, o autor passou a viver recluso nas montanhas do estado de New Hampshire. Até hoje, com quase 90 anos, o escritor é um dos maiores enigmas dos Estados Unidos. Depois de lançar Franny e Zoey, sobre a desintegração de uma família, e duas curtas coletâneas, no início dos anos 1960, parou de publicar.
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