“Uma obra fora do comum, de alto apuro formal e tocante verdade humana.” Foi assim que o poeta e crítico José Paulo Paes referiu-se ao romance Avalovara, costumeiramente considerado o auge da produção do pernambucano Osman Lins.
Comparado pelo crítico José Castello a Guimarães Rosa e a João Cabral de Melo Neto, como “um dos mais lúcidos escritores brasileiros do século 20”, Lins nasceu em 1924, em Vitória de Santo Antão, e morreu em São Paulo, em 1978. Seus primeiros livros, o romance O Visitante (1955) e a coletânea de contos Os Gestos (1957) chamaram a atenção da crítica, o que voltou a acontecer em 1961 com O Fiel e A Pedra, livro que renovou o romance regionalista com uma prosa densa, desprovida do “pitoresco”. Avalovara, de 1973, é a obra em que a preocupação com a forma, sem prejuízo para a matéria pulsante da vida que sempre emana de seus escritos, atinge o ponto máximo.
O romance intercala oito temas narrativos que atravessam tempos e espaços distintos, entre Amsterdã, Recife, a Roma Antiga e São Paulo, além do relato da relação com três personagens femininos, um dos quais, em vez do nome, é referido por um símbolo: . O crítico Antonio Candido, em prefácio à obra, equipara-a aos textos do argentino Jorge Luis Borges. Afirmando que o livro representa um “momento de decisiva modernidade” na ficção brasileira atual, Candido pondera: “Romance? Poesia? Tratado de narrativa? Visão do mundo? No universo sem gêneros literários da literatura contemporânea, o livro de Osman Lins se situa numa ambigüidade ilimitada”.
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