Samuel Langhorne Clemens (1835-1910) se aproximava dos 50 anos quando publicou um dos seus livros mais famosos, As Aventuras de Huckleberry Finn (1884). No prefácio escreveu: "Embora este livro se destine, sobretudo, a divertir meninos e meninas, espero que não seja desprezado por adultos, pois parte do meu plano foi tentar relembrar-lhes, de maneira agradável, o que outrora foram". Ao rogar que seus leitores recordassem a infância, o velho Mark Twain - pseudônimo de Clemens - na verdade fazia reviver a própria. Muitas das peripécias do rebelde Huck Finn foram protagonizadas pelo escritor na pequena Hannibal, nas encostas do Mississippi.
Quem narra a história é o próprio Huck Finn, que foge da casa da mãe adotiva. Acompanhado pelo escravo Jim, viaja ao longo do leito do Mississippi. Os dois enfrentam assassinos e ladrões, escapando dos perigos com planos engenhosos e um bocado de sorte. O livro segue As Aventuras de Tom Sawyer (1876), em que Finn aparece em um papel secundário como companheiro de aventuras de Sawyer. Os dois romances diferem, sobretudo, pela dimensão ética da crítica à escravidão, presente em Huckleberry Finn. Sobre este último livro, o escritor americano Ernest Hemingway diria: "Toda a moderna literatura americana nasce de Huckleberry Finn. Não há nada antes daquela obra. E também nada há depois dela".
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