Educar para Crescer
busca

Educar para crescer

LITERATURA

Baú de Ossos

Clássico do memorialismo da literatura brasileira, livro do médico Pedro Nava é comparado à obra de outro mineiro, Guimarães Rosa


11/07/2011 19:17
Texto Daniel Schneider e Thiago Minani
Bravo
Foto: Ricardo Chaves
Pedro nava
Pedro nava, medico e escritor, participou de grupos de amantes da literatura

Na noite de 13 de maio de 1984, Pedro Nava termina de elaborar discurso que faria, dias depois, na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. Seria honrado com o título de Cidadão Fluminense. Por volta das 20h, o telefone toca e a mulher atende. Um desconhecido quer falar com Nava. Depois de ouvir em silêncio o que o interlocutor lhe diz, o escritor desliga. Conta à esposa tratar-se de trote de mau gosto. Às 22h, sai de casa, para não voltar. Mais tarde, é visto sentado à calçada, cabisbaixo em meio ao movimento de prostitutas e travestis. Às 23h30, um tiro ecoa na rua da Glória.

Pouco antes de completar 81 anos de idade, Pedro Nava havia se suicidado com um tiro na cabeça, e o Brasil perdeu o seu grande memorialista. Médico e cientista, Nava foi um escritor singular. Até 1972, só havia publicado poemas esparsos - como O Defunto, que saiu na Antologia dos Poetas Bissextos (1946), organizada por Manuel Bandeira. Naquele ano, porém, sacudiu o meio literário nacional com o lançamento de Baú de Ossos — primeiro volume de sua prosa memorialista, que seria seguido por Balão Cativo (1973), Chão de Ferro (1976), Beira-Mar (1978), Galo-das-Trevas (1981) e O Círio Perfeito (1983).

Nascido em Juiz de Fora, em Minas Gerais, em 1903, foi amigo de poetas, escritores e artistas plásticos. Mesmo antes de se formar em medicina pela Universidade de Minas Gerais, em 1927, participou de grupo de amantes da literatura, como o que se formou em torno de A Revista (1923), publicação de vanguarda que contava com Carlos Drummond de Andrade e Martins de Almeida. Em 1924, encontrou-se com a caravana modernista, da qual faziam parte Mário e Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, que mostrava o Brasil ao poeta francês Blaise Cendrars (1887-1961). Essa vida intensa seria, depois, tema de seus volumes de reminiscências, principalmente dos primeiros.

As memórias de Pedro Nava foram um acontecimento literário na década de 1970. Sua estréia com Baú de Ossos foi comparada ao lançamento das obras de João Guimarães Rosa, em 1946 e 1956, como se pode perceber pelo seguinte comentário de Carlos Drummond de Andrade: "Pedro Nava surpreende, assusta, diverte, comove, embala, inebria, fascina o leitor com suas memórias da infância, a que deu o título de Baú de Ossos".

O escritor revive pessoas e lugares, abrangendo o panorama social de várias regiões brasileiras. A descrição parte do Nordeste, de onde remontam as raízes de seu clã e detém-se no Rio de Janeiro. A narração deste volume termina em Minas Gerais, onde cessa, por ora, o movimento das famílias que se entrelaçam. Continua Drummond: "[A vida] não o despojou da faculdade, meio demoníaca meio angélica, de instaurar um mundo de palavras que reproduz o mundo feito de acontecimentos. Antes o enriqueceu com dolorida e desenganada, mas, ainda assim, generosa experiência do humano."

 



amigos do educar

 
 
 


depoimentos

Marina Silva, Martha Medeiros, Nelson Motta e outras personalidades brasileiras revelam o impacto de uma boa Educação no futuro



recomendamos

MAIS LEITURA
Conheça atividades simples - e baratas! - que podem transformar seu filho em um pequeno grande leitor

TESTE
Você sabe lidar com seu filho adolescente?

mais lidos

VESTIBULAR
Os 100 melhores livros da literatura brasileira para você ler uma vez na vida

FÉRIAS E FILMES
Uma seleção de filmes que passam grandes lições e podem tornar as férias mais divertidas

blogs

Realização

Apoio