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LITERATURA

Cartas Chilenas

Um dos melhores textos satíricos da língua portuguesa, poema faz par com "Marília de Dirceu" na produção de Tomás Antônio Gonzaga


11/07/2011 16:26
Texto Daniel Schneider e Thiago Minani
Bravo
Foto: Wikimedia
Voltaire
Voltaire, forte influenciador de Tomás Antonio Gonzaga ao escrever "Cartas Chilenas"
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As Cartas Chilenas encontram-se entre os melhores textos satíricos da língua portuguesa. Poema incompleto, o livro trata da corrupção de Luís da Cunha Meneses, governador da Capitania de Minas Gerais entre 1783 e 1788. Escrita sob anonimato - para evitar represálias, evidentemente - e permanecida inédita até 1845, durante muito tempo polemizou-se sobre a sua autoria, que um certo consenso atribui a Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810). Nela, Chilenas querem dizer Mineiras: Chile seria Minas Gerais; Santiago, Vila Rica. Os personagens também tentam despistar a inspiração: o governador ficou ilustrado por Fanfarrão Minésio; o autor se autodenomina de Critilo; o destinatário das cartas chama-se Doroteu: .

Amigo Doroteu, prezado amigo,

Abre os olhos, boceja, estende os braços

E limpa, das pestanas carregadas,

O pegajoso humor, que o sono ajunta.

Critilo, o teu Critilo é quem te chama;

Ergue a cabeça da engomada fronha

Acorda, se ouvir queres coisas raras”

São 13 cartas escritas em decassílabos brancos (sem rimas). Os costumes da cidade de Vila Rica são expostos de modo caricato e impiedoso, sobretudo os atos grosseiros e os desmandos da aristocracia. Seus temas se anunciam a cada carta: a entrada de Fanfarrão no Chile; a fingida piedade inicial deste a fim de angariar negócios; suas violências e injustiças; o casamento do futuro rei d. João 6o e Carlota Joaquina; as desordens e brejeirices de Fanfarrão. Autor revolucionário em certa medida, Gonzaga faz da literatura aqui um modo de combate, um meio que julga capaz de transformar a ordem que não lhe é conveniente: "Um D. Quixote pode desterrar do mundo as loucuras dos cavaleiros andantes; um Fanfarrão Minésio pode também corrigir a desordem de um governador despótico”, diz o poeta no prefácio.

A influência dos iluministas franceses se mostra clara aqui. Gonzaga teria se inspirado no estilo satírico de Voltaire e nas Cartas Persas (1721), do Barão de Montesquieu (1689-1755), para intitular seu poema. Nesta obra, um dos manuais do Iluminismo, um persa visita a França e tenta entender os hábitos e as instituições do país. Na comparação entre culturas e costumes diferentes residem as ironias de Montesquieu.

Tomás Antônio Gonzaga teve participação ao lado de outros poetas na Inconfidência Mineira, contrária à cobrança de impostos altíssimos sobre a exploração do ouro. Seu conjunto de liras Marília de Dirceu se enquadra como uma das melhores obras do período e faz par com as Cartas Chilenas na alta produção do poeta.



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