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LITERATURA

A Condição Humana

O livro é um grande testemunho dos conflitos ideológicos e políticos de um dos grandes momentos da história no século 20, a Revolução Chinesa


24/10/2011 0:54
Texto Redação Bravo!
Bravo
Foto: Wikimedia Commons
Foto: Na imagem acima, um selo da Época da Revolução Chinesa, cenário da obra
Na imagem acima, um selo da Época da Revolução Chinesa, cenário da obra

Publicado em 1933 e ganhador do Prêmio Goncourt, A Condição Humana é algo entre um romance e um relato ficcional dos acontecimentos que deram início à Revolução Chinesa, observados do ponto de vista politicamente engajado do escritor francês André Malraux (1901-1976). 

Estruturado como romance, mas escrito em tom de reportagem, o livro é um depoimento pessoal de Malraux sobre um dos momentos históricos mais marcantes do século passado - o surgimento do comunismo na China e a guerra civil no país, acontecimentos que marcariam a história chinesa e mundial até hoje. 

Questões morais, intelectuais e políticas permeiam todo o livro, que não deixa de ser um manifesto favorável a uma revolução tida como possível há 70 anos. O cenário costurado no livro é a China em março de 1927, com suas cidades já sufocadas por automóveis e bondes, fumaça de combustíveis fósseis e um exército de pessoas que comem, respiram e vivem o caos anunciado à nação. 

É nesse contexto que um homem amargurado, Tchen, assiste a seu país ser sacudido por uma insurreição sem precedentes, planejada por homens divididos entre a culpa e a ideologia. Tanto as lutas quanto as reflexões formam, na obra-prima de Malraux, um testemunho da condição humana. 

Como escreveu o crítico Edmund Wilson, "Malraux cria as personalidades de seus personagens de um modo orgânico e as explora inteiramente. Não só testemunhamos seus atos como vemos como reagem em relação às forças da cena sociopolítica; eles dividem conosco suas mais íntimas sensações". 

Militante de esquerda, ligado ao Partido Comunista Francês, nascido em Paris, André Malraux participou ativamente de batalhas tanto militares quanto ideológicas, desde o nacionalismo chinês até a Guerra Civil Espanhola. Entre 1958 e 1969, Malraux participou do governo do general Charles de Gaulle, na França, como ministro da Cultura.



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