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Considerado patriarca das letras gaúchas e precursor da prosa regionalista do Rio Grande do Sul, João Simões Lopes Neto nasceu em Pelotas, em março de 1865, numa estância de propriedade de seu avô paterno, o notório Visconde da Graça. Na propriedade havia até uma orquestra particular, composta por escravos. Após uma temporada de estudos no Rio de Janeiro, Simões Lopes Neto retorna a Pelotas, onde fixa residência e põe em prática empreendimentos audaciosos e variados, com os quais não obteria sucesso. Quando viveu no Rio de Janeiro, abandonou o curso de medicina no terceiro período. Além de escritor, foi jornalista, trabalhando como cronista, redator, editorialista, secretário de redação, folhetinista e diretor de jornal. Mas sua obra estava destinada a ser um legado para a posteridade. Seu talento como escritor somente seria reconhecido após sua morte, ocorrida em junho de 1916.
Publicado em 1912, Contos Gauchescos é uma compilação de 19 histórias do passado gaúcho mais um conjunto de adágios (Artigos de Fé do Gaúcho), em que o autor João Simões Lopes Neto demonstra intensa valorização dos costumes e da linguagem da região. A voz narrativa do livro é entregue a Blau, o vaqueano, que, depois de ser apresentado, descreve os acontecimentos (algumas dos quais vivera, outros ouvira contar) fazendo uso de criativas metáforas, com um linguajar próprio, sugestivo e agradável.
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