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Ecofuturo multiplica incentivo à leitura em dez anos

Instituto mantido pela Suzano, Papel e Celulose e Suzano Petroquímica investe em projetos de leitura e escrita


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18/06/2009 19:36

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Patricia Cerqueira

Foto: Cintia Sanchez
Foto: ecofuturo

"A avaliação deve nos mostrar se o que estamos fazendo está dando certo", diz diz Christine Castilho Fontelles, diretora de Educação e cultura do Ecofuturo.

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Diante de dois dados brasileiros estarrecedores - de que 70% dos municípios brasileiros não têm uma livraria e que 75% dos brasileiros não compreendem o que lêem - o Instituto Ecofuturo decidiu colaborar pela diminuição do abismo entre os brasileiros e a Educação.

Mantido pelas empresas Suzano de Papel e Celulose e Suzano Petroquímica, o Ecofuturo está a dez anos trabalhando pela melhoria da Educação brasileira. Seu tempo de atuação mostra que investir em Educação leva tempo. "Nosso sonho é que a gente não precise mais existir. Enquanto isso não acontece, perseguimos a eficiência para melhorar os processos de implantação das bibliotecas, dos concursos, de avaliação dos resultados", diz Christine Castilho Fontelles, diretora de Educação e cultura do Ecofuturo. Segundo ela, as relações humanas demandam mais tempo, principalmente no projeto Bibliotecas Comunitárias. "Encontramos secretários (as) de Cultura ou de Educação que não estão nem aí e diretores da escola com muita vontade de ter a biblioteca. Conciliar as duas pontas é difícil, mas não é impossível. Leva mais tempo porque são necessárias diversas estratégias", diz a diretora. Ela destaca também a interlocução com o patrocinador, que muitas vezes espera um retorno mais rápido de seu investimento. Christine explica que é preciso conscientizar os investidores que Educação é um investimento de médio e longo prazo. Por isso, o empresário deve ser paciente, tendo em vista que as ações sociais têm ritmo naturalmente mais lento do que as ações do mundo dos negócios. "Entendemos que o empresário tem uma dinâmica diferente, mas explicamos que o tempo humano precisa ser respeitado".

Conheça melhor a seguir os projetos desenvolvidos pelo Instituto Ecofuturo.

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Para ler, clique nos itens abaixo:
1. O que o Ecofuturo faz?
O Ecofuturo abriga diversos projetos sob o guarda-chuva do Programa Ler é Preciso. Os dois principais são o Bibliotecas Comunitárias e o Concurso de Redação Ler é Preciso. O primeiro consiste na criação de bibliotecas, cuja inauguração demora de 4 a 6 meses. Esse prazo ocorre se tiver a cooperação do poder público. Pelo projeto, a prefeitura é responsável por ceder espaço adaptado para receber uma biblioteca (iluminada, ventilada, com banheiro e espaço para o mobiliário) e pela remuneração das pessoas que vão trabalhar na biblioteca, além de dar o material de manutenção, que vai desde caneta até renovação de acervo. O Ecofuturo fica com a missão de mobilizar a comunidade, monitorar o uso da biblioteca, comprar acervo e computadores. A FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) é responsável pela constituição técnica da biblioteca (onde ela deve estar, cursos de promoção de leitura, gestão da biblioteca e definição dos títulos). "Os contratos organizam os acordos. Ficam descritas as contrapartidas de cada uma das partes. Se alguma não cumprir com o seu combinado, o Ecofuturo pode retirar o equipamento que ele doou", explica a diretora Christine Fontelles. Os dois principais projetos geram ações como publicação de livros, de jornais e produção DVD's, todos direcionados para leitores em geral, escolas e agentes que promovem alguma ação de leitura. Há dois outros projetos do instituto: o Rede Cultural e o Primavera Ler é Preciso, este último apadrinhado pelo bibliófilo José Mindlin.
2. Como o Ecofuturo define o local onde vai atuar?
A diretora Christine Fontelles explica que um dos caminhos da escolha se dá durante o próprio evento de premiação dos vencedores do Concurso de Redação Ler É Preciso. "Quando a gente promove o Concurso de Redação, trazemos os vencedores e seus familiares para São Paulo. Promovemos um debate sobre o assunto biblioteca entre os municípios participantes e ali é decidido, por consenso, onde será instalada a biblioteca." São instaladas também em locais com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e altos indicadores de violência. "E que possibilitem o estabelecimento de parcerias, preferencialmente dentro de escolas públicas, com a contrapartida de que sejam abertas à comunidade", explica a diretora. Quando o lugar é escolhido, o instituto apresenta o projeto para prefeitura, secretarias de Educação e Cultura, convoca lideranças comunitárias e membros do conselho tutelar. "Sem o diálogo entre o poder público e a comunidade, a possibilidade desse equipamento de desfazer ao longo do tempo é grande", diz Christine. Cerca de 4 meses depois que a biblioteca foi instalada, funcionários do Ecofuturo retornam ao local para verificar as instalações. A idéia é que a biblioteca coopere com os projetos locais. "O principal objetivo do Ler é Preciso é fazer com que a leitura e a escrita estejam no centro das políticas de inclusão social da comunidade toda", afirma Christine.
3. Qual o orçamento do instituto?
Em 2007, foram investidos 3,812 milhões de reais nos programas de leitura e escrita.
4. Quais os resultados?
Desde que o projeto das bibliotecas foi iniciado, em 1999, o Ecofuturo, em parceria com FNLIJ, já implantou 78 "casas de livros" em oito Estados (SP, RJ, ES, MG, BA, PE, MA, PA). Estimam circular por elas cerca de 5 mil pessoas. Em dez anos, foram comprados e distribuídos mais 120 mil livros novos. O Concurso de Redação Ler é Preciso também foi instituído em 1999. Ele ocorre a cada dois anos. No último, realizado em 2007 (primeiro ano que ele se tornou um concurso literário nacional), o Ecofuturo convidou 230 mil escolas públicas e privadas do país: 16 mil escolas se inscrevam, enviando 30 mil redações. Os jurados do concurso selecionaram 62 finalistas e nove foram vencedores. "Como foi o primeiro ano que transformamos o convite em nacional, estamos ainda descobrindo e estudando os motivos para o gap entre convidados e participantes. Estamos revendo todo o processo", diz Christine. Ela já tem alguns indícios. "O primeiro deles é o tempo de cada um. O tempo que nós demos para a inscrição, que foram de quase três meses, talvez não seja o suficiente", diz ela. O instituto constatou também que as escolas fazem o seu planejamento escolar no mês de novembro, então, os convites têm de chegar nesse período para entrar no calendário escolar do ano seguinte. E, por último, percebeu que é preciso comunicar melhor o projeto. "Vamos aprimorando os processos. Na medida em que essa renovação acontece, vivemos novos desafios, novas prioridades, mas não as mesmas", diz ela.
5. Como avalia o impacto dos projetos?
Recente avaliação da sustentabilidade das bibliotecas comunitárias, do economista Ricardo Paes de Barros, do Ipea, mostrou que o principal mérito do projeto é a continuidade das bibliotecas. Nenhuma foi fechada, apesar de algumas terem corrido esse risco. O Ecofuturo quer saber agora qual o impacto das Bibliotecas Comunitárias nas comunidades onde estão instaladas. "A avaliação deve nos mostrar se o que estamos fazendo está dando certo. O Terceiro Setor é o setor da experimentação. A gente testa e apresenta os resultados. Queremos criar um banco de boas práticas a partir da avaliação", diz Christine.
6. O que aprenderam nesses anos de duração do projeto?
"No caso específico do Bibliotecas Comunitárias, aprendemos a negociar melhor com o poder público. Melhoramos a forma como apresentar a nossa proposta para conquistar todos a entrar em nosso barco. Aprendemos que, no momento da reunião com o poder público e com a comunidade, o representante do patrocinador tem de estar presente. Aprendemos que há cenários de muita colaboração e outros de pouca. Um exemplo: levamos um ano na construção de vínculo com a comunidade do Jardim Panorama, um bolsão de miséria cercada de luxo por todos os lados no bairro do Morumbi, aqui em São Paulo. Nosso parceiro ali é a JHSF, que construiu o shopping Cidade Jardim. Foi um ano para criar laços. Formamos um grupo de trabalho forte, unido, com boa auto-estima para ser capaz de tocar esse projeto quando a gente sair de lá."
7. Como lidam com a pressa do patrocinador, seja a Suzano ou um parceiro?
"Explicamos que o tempo humano é muito importante e precisa ser respeitado. Entendemos também que o empresário tem uma dinâmica diferente, tem outro tempo. Dá para compreender a pressão para resultados em curto prazo, até porque somos uma sociedade do curto prazo. O empresário é só mais uma pessoa dentro dessa engrenagem. Temos de criar vínculos tanto com os professores, diretores e o poder público quanto com o patrocinador. Para o empresário, apresentamos fatos, seja do concurso seja sobre as bibliotecas. Aprendemos a pedir para fazer junto. Solicitamos que um funcionário da empresa participe do projeto. Ela dá outra vida."
8. Como transformar a ação social do instituto num bem para a marca da empresa?
"Tal qual a empresa define suas estratégias corporativas, deve definir suas prioridades de investimento sociais. E, tal qual seleciona seus parceiros de negócio, deve selecionar os parceiros que trabalharão para a realização dos resultados desejados na esfera social”, diz a diretora Christine Fontelles. Ela acrescenta ainda que, tal qual o trabalho bem realizado de forma sistemática pelos fornecedores corporativos e impressos nos produtos comercializados conferem-lhes valor e conseqüentemente à marca da empresa, da mesma forma ocorre com o instituto. “Definir estratégia, orçamento, parcerias, além de planejamento de longo prazo, monitoramento e revisão de processos, são ingredientes fundamentais para que a relação empresa-instituto resulte num bem para a marca, como em qualquer negócio."
9. Como separar as ações sociais das ações comerciais da empresa?
"As ações sociais não devem ser comerciais, já as ações comerciais podem e devem ter um viés social e, melhor, socioambiental", diz a diretora do Ecofuturo, Christine Fontelles. Segundo ela, está claro que todos os pactos internacionais assinados pelos países só terão êxito na medida em que as ações dessas alianças estiverem incorporadas nas decisões estratégicas de desenvolvimento. "Como escreveu o professor Jacques Marcovitch, em artigo publicado em jornal, diante dos desafios sociais e ambientais existentes são 'as empresas inovadoras e com maior visão de futuro que podem fazer destes desafios uma fonte de vantagens competitivas. Isso as tornará mais eficientes, além de rentáveis, e fortalecerá o entorno do qual depende a sua perenidade'", diz Christine.
10. Cinco razões para uma empresa investir na Educação
A diretora do Ecofuturo Christine Fontelles indica:

- Sem Educação não se sai do lugar;

- É um compromisso com o Brasil e com o próprio negócio. É impossível atingir outro nível de patamar de qualidade se os funcionários não têm acesso a bens culturais;

- Para não perder dinheiro no treinamento de mão-de-obra (dados de um professor da Faculdade de Administração e Economia da USP mostram que o analfabetismo funcional custa US$ 6 bi/ano para as empresas brasileiras);

- Porque a Educação é o recurso que reduz a desigualdade social

- Para a sustentabilidade do planeta.

 

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