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Heloisa Prieto, autora de sucessos infantis, diz que não pode haver regras de leitura com crianças


Nova-Escola

01/06/2008 15:58

Texto
Flávia Ribeiro

Foto: Divulgação
Foto: 'É um equívoco o adulto querer nortear a leitura infantil'

'É um equívoco o adulto querer nortear a leitura infantil'

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Heloisa Prieto foi criada sob duas fortes influências: a do pai, de origem espanhola e sempre cercado de livros; e a da mãe, baiana mais afeita à tradição oral, apreciadora de histórias contadas em volta da fogueira. Como educadora e escritora, Heloisa levou a síntese desses dois mundos até o público infantil, em livros que se transformaram em sucessos de venda, como O Jogo da Parlenda (Ed. Companhia das Letrinhas). Nesta entrevista, a autora fala da importância da literatura desde cedo na formação de uma criança.


Para ler a entrevista, clique nas perguntas abaixo:
Por que você considera importante estimular o gosto pela leitura em crianças que ainda não sabem ler?
Heloisa Prieto: Porque é fundamental que elas travem contato com o livro desde cedo, sintam as texturas, acostumem-se a manuseá-lo, mesmo sem ler. É dessa forma que as crianças se apropriam das várias possibilidades do livro e acabam fascinadas por ele.
Qual é a melhor maneira de incentivar a leitura nessa fase?
Heloisa Prieto: Expondo a criança ao livro, deixando-a absolutamente livre para escolher. É um equívoco o adulto querer nortear a leitura infantil, decidir o que é bom e o que é ruim, dizendo "este livro não serve, não é para a sua idade". Outra coisa importante é o livrobrinquedo. Ele educa o olhar, a atenção. Em casa, é importante respeitar as "leis do leitor": ler o que quiser, amar ou detestar um livro, ler o mesmo título um monte de vezes, começar pelo meio, não terminar, ler o fim antes...
O que o professor pode fazer para que a leitura seja um momento de prazer, mais do que uma atividade escolar?
Heloisa Prieto: É errado perguntar para a criança o que ela entendeu da história, pois a literatura potencializa muitas leituras. Melhor é perguntar se a criança quer contar a história para ele. Do que que ela gostou? O que detestou? O professor deve ser, ele próprio, um leitor.
Alguns pais acham que certos contos de fadas são apavorantes demais, inapropriados para crianças dessa idade. Falar sobre o medo é importante?
Heloisa Prieto: É fundamental, pois nessa faixa etária o medo é mais intenso. Quanto mais ele é reprimido, mais a criança sente. O livro ajuda a lidar com essa emoção.
Professores têm receio de trabalhar com livros cujos personagens são assustadores?
Heloisa Prieto: Sim, muito. Acho que é uma reação à violência. A tendência é negá-la, quando o correto é nomeá-la. A criança sabe que há perigos, não adianta negar. Mas sem sadismo, nem banalização.


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