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LITERATURA

Os Escravos

Influenciado por Victor Hugo e simpatizante dos ideais liberais, Castro Alves levou o negro para a literatura brasileira


Bravo

01/08/2008 18:41

Texto
Daniel Schneider e Thiago Minani

Foto:
Escravos

"Os Escravos" foi uma das primeiras obras a introduzir a realidade negra na literatura brasileira

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A carreira literária e a vida pessoal do baiano Castro Alves ficaram marcadas pelo ímpeto e pela enérgica entrega aos ideais abolicionistas. Passou para a história como “Poeta dos Escravos", já que dedicou boa parte de sua produção poética à temática do negro e dos horrores da escravidão, reunida postumamente em Os Escravos (1883).

Na divisão didática e tradicional das escolas literárias, Castro Alves representava a terceira geração dos românticos brasileiros, cuja “poesia condoreira" fazia-se com a retórica de impacto e o discurso sobre aspectos grandiosos e épicos. Afinado com o progresso e o liberalismo e influenciado pelos versos do francês Victor Hugo, seu canto apelava pela justiça social utilizando imagens e recursos estilísticos típicos do Romantismo.

No poema O Navio Negreiro, uma das estrofes mais famosas ilustra esses procedimentos: “Senhor Deus dos desgraçados!/ Dizei-me vós, Senhor Deus!/ Se é loucura... se é verdade/ Tanto horror perante os céus?!/ Ó mar, por que não apagas/ Co’a esponja de tuas vagas/ De teu manto este borrão?.../ Astros! noites! tempestades!/ Rolai das imensidades!/ Varrei os mares, tufão!". Hipérboles e invocações se repetem em outro momento célebre de Vozes d’África: “Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?/ Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes/ Embuçado nos céus?/ Há dois mil anos te mandei meu grito,/ Que embalde desde então corre o infinito.../ Onde estás, Senhor Deus?".

Diferentemente do índio, o negro não servia até então, com exceções poucas e de amplitudes inferiores, de inspiração literária. Degradado, sem representação digna na arte, sem lenda histórica portanto, a transformação do negro em herói se dá pela pena de Castro Alves. Segundo o crítico Antonio Candido, essa “poetização da vida afetiva" do negro possibilitou despertar a sensibilidade burguesa. Ao negro, Castro Alves teria dado não apenas voz, mas também “dignidade lírica", uma vez que “seus sentimentos podiam encontrar amparo".

Nascido em 1847 na cidade de Curralinho (batizada mais tarde com o nome do autor), Castro Alves mudou-se para Recife a fim de cursar direito. Lá apaixonou-se pela pela atriz Eugênia Câmara, a quem dedicou a peça Gonzaga ou A Revolução de Minas. Mais tarde, no Rio de Janeiro, encontrou em José de Alencar um grande incentivador. Já em São Paulo tomou contato com abolicionistas e antiimperialistas como Rui Barbosa e Joaquim Nabuco. Ferido em um acidente de caça, voltou para a Bahia, onde morreu, com 24 anos de idade.

Sua obra também se fez de uma poesia lírica à altura dos melhores poetas românticos. A paixão por Eugênia Câmara inspirou-lhe versos de alta carga erótico-sentimental. Essa face da produção do autor se encontra em Espumas Flutuantes, único livro que publicou em vida. Trata-se de uma reunião de poemas que, diante das imagens idealizadas dos ultra-românticos Álvares de Azevedo e Casimiro de Abreu, terminam por fazer um contraponto na tradição lírica do período. Postumamente, saíram A Cachoeira de Paulo Afonso e Hinos do Equador.

Leia mais:
- ESPUMAS FLUTUANTES
- AS100 OBRAS ESSENCIAIS DA LITERATURA BRASILIERA 

 

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