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Se há um adjetivo que define com unanimidade tanto o poeta Augusto dos Anjos quanto sua obra única, Eu (postumamente, com o acréscimo de mais poemas, passou a chamar-se Eu e Outras Poesias), este adjetivo é “original”. Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu na Paraíba, em abril de 1884. Aprendeu as primeiras letras com seu pai, que era bacharel. Na época em que cursou os estudos secundários, no Liceu Paraibano, já era tido como irritadiço e doentio. Formado em direito, jamais advogou. Durante a curta vida, foi professor de português e de geografia. Pessimista e desiludido com a vida e a sociedade, Augusto dos Anjos via sujeira e podridão em tudo e em todos, atitude que se reflete fortemente em suas poesias. Vitimado pela pneumonia, poucos meses depois de ter assumido a direção de um grupo escolar em Leopoldina, Minas Gerais, morreu em novembro de 1914, com apenas 30 anos de idade.
Publicado em 1912, Eu é uma fantástica coleção de poesias simbolistas, todas excepcionalmente expressivas, escritas com linguagem áspera, paradoxal, dramática, e utilizando palavras de vocabulário científico e médico, carregadas de uma virulência nunca antes vista em toda a literatura de língua portuguesa. Outra característica de seus escritos é a forte sonoridade, cujo sentido muitas vezes independe do significado semântico. Entretanto, o atributo mais marcante de seus textos é o sentimento da angústia da carne, vista como inelutavelmente pútrida — visão essa que desemboca numa constante descida em direção à decomposição, à morte e ao Nada.
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