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LITERATURA

Fogo Morto

A obra-prima de José Lins do Rego mostra com linguagem forte e poética a decadência dos engenhos de cana-de-açúcar


11/07/2011 18:40
Texto Daniel Schneider e Thiago Minani
Bravo
Foto: Divulgação
 José Lins do rego
O paraibano José Lins do rego, que além de escritor, se formou em direito e jornalismo
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José Lins do Rego Cavalcanti nasceu no Engenho Corredor, Paraíba, em 3 de julho de 1901 e morreu no Rio de Janeiro em 12 de setembro de 1957. Passou a infância no engenho do avô materno e, desde cedo, conviveu com a realidade do mundo rural do Nordeste açucareiro. Graduou-se na Faculdade de Direito do Recife, em 1923. Foi jornalista e romancista, com uma obra baseada até certo ponto em suas memórias. Os livros descrevem um sistema econômico de origem patriarcal, em que se percebe a persistência do trabalho semi-escravo, do cangaço e do misticismo. Sua obra é dividida no “ciclo da cana-de-açúcar” (Menino de Engenho, Doidinho, Bangüê, Moleque Ricardo, Usina e Fogo Morto), todos autobiográficos; no “ciclo do cangaço” (Pedra Bonita e Cangaceiros) e em obras independentes (Pureza e Riacho Doce - ligadas aos dois ciclos anteriores - e Água Mãe e Eurídice - desligadas dos ciclos). O ficcionista também se dedicou à literatura infanto-juvenil (Histórias da Velha Totonha).

Publicado em 1943, Fogo Morto é a última obra do mais expressivo dos ciclos de José Lins do Rego: o da cana-de-açúcar. Apesar de marcar o término da série, com a decadência dos senhores de engenho, o romance também assinala seu auge, seu momento de superação, constituindo uma obra-prima da literatura regionalista, de caráter neo-realista. "Descendente de senhores de engenho, o romancista soube fundir numa linguagem de forte e poética oralidade as recordações da infância e da adolescência com o registro intenso da vida nordestina colhida por dentro, através dos processos mentais de homens e mulheres que representam a gama étnica e social da região", descreve o crítico literário Alfredo Bosi, em História Concisa da Literatura Brasileira.

O romance, narrado em terceira pessoa, é dividido em três partes. Cada uma conta com seu próprio protagonista, como se fossem três histórias distintas e sucessivas. No entanto, os personagens principais (mestre José Amaro, Coronel Lula de Holanda e o Capitão Vitorino) se inter-relacionam durante toda a narrativa, quase inteiramente ambientada no Engenho de Santa Fé. Na primeira parte, o mestre José Amaro - seleiro orgulhoso e conservador - espalha rancor à sua volta. Temido pelo povo da várzea por sua aparência horrível e pela raiva acumulada, ele surra a filha histérica com o intuito de curá-la (mas acaba por enlouquecê-la) e maltrata a esposa (que por fim foge com a menina). Na segunda parte do romance, o coronel Lula de Holanda, também orgulhoso, não consegue fazer prosperar o engenho que recebera de herança. Autoritário, não permite que nenhum homem se aproxime da filha, que permanece solteirona e melancólica. Depois de sofrer um ataque de epilepsia na igreja, torna-se devoto. Gasta todo o dinheiro que lhe restou. Por fim leva o engenho a fogo morto (propriedade que não produz mais). Na terceira e última parte, o capitão Vitorino, personagem quixotesco, idealista e sonhador, procura lutar por seus ideais. Os três, conforme atesta Bosi, "são expressões maduras dos conflitos humanos de um Nordeste decadente".

 




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