Galvez, Imperador do Acre (1976) foi concebido inicialmente como roteiro de cinema. Dada a impossibilidade financeira de levá-lo às telas, o amazonense Márcio Souza resolveu publicá-lo em folhetim. A dinâmica cinematográfica da narrativa, contudo, não se perdeu. Construída em capítulos diminutos que poderiam muito bem ser cenas justapostas, a história do espanhol Luiz Galvez Rodrigues de Aria seria comédia histórica.
Personagem caricatural e burlesco, Galvez é um espanhol aventureiro que se mete no Norte brasileiro a fim de fazer fortuna rápida. Depara-se com uma classe dominante alienada e perdulária que se mantém à custa da exploração da borracha, cujo ciclo estava no auge durante a passagem do século 19 ao 20, época em que a história se passa. Dispõe-se, então, a levar sua parte nas riquezas. O espanhol lidera uma expedição ao Acre, ainda território boliviano, onde consegue a independência daquelas terras e é coroado imperador. Segue-se aí um reinado rocambolesco: após chegar ao topo, o protagonista pensa em instalar uma ditadura, mas acaba se rendendo à boa vida monárquica. Perde o posto e termina ridicularizado.
Márcio Souza nasceu em 1946. Regionalista, utilizou fatos e personagem históricos reais para conferir veracidade à história. O próprio Galvez existiu de fato, ainda que seus excessos na personalidade sejam fruto da imaginação do autor. Anos depois, o romance Mad Maria (1980) daria continuação à saga histórica do Estado acreano.
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