Educar para Crescer
busca

Educar para crescer

LITERATURA

Grandes Esperanças

A trajetória de um personagem, da infância pobre à riqueza na vida adulta, confunde-se com a história da Inglaterra oitocentista


20/10/2011 23:46
Texto Redação Bravo!
Bravo
Foto: Wikimedia Commons
Foto: A ilustração de Fred Bernard, feita em 1904, mostra Pip, o protagonista do livro, que seria uma representação da infância do próprio autor
A ilustração de Fred Bernard, feita em 1904, mostra Pip, o protagonista do livro, que seria uma representação da infância do próprio autor

Grandes Esperanças é em essência um romance de formação, aquele tipo de obra em que o personagem evolui conforme a leitura - física, psicológica, moral e esteticamente. O Pip das primeiras páginas, criança inocente e bondosa, e o Pip do fim do livro, fidalgo, frio e calculista, são os polos de uma história que fazem o leitor sorrir com as conquistas financeiras, chorar com as desilusões amorosas e aplaudir as conclusões prévias. 

Charles Dickens (1812-1870) publicou em 1861 o que para muitos é uma obra semiautobiográfica, em que ele traria à tona a própria infância. É uma novela subjetiva, narrada em primeira pessoa, no melhor estilo alcançado em David Copperfield. Como David, Pip seria um Dickens garoto, enfrentando seus medos e desafios. O amor fútil de Pip por Estella refletiria seu affaire com a filha de um banqueiro. E, como no livro, as conclusões do garoto sobre a bondade e a maldade humana seriam as mesmas do autor. 

Dickens tem como leitmotiv literário a incapacidade de os homens se compreenderem, relacionando-se sempre na superfície das coisas. O problema é refletido na relação agressiva entre empregado e patrão, nas penas aplicadas sob o olhar cego da justiça, na decadência da sociedade inglesa, traduzida pela Londres do século 19. 

Elementos do romance gótico clássico (a criança órfã sofredora, o aristocrata vilão, o pesadelo) são sofisticados por um humor satírico. Mestre em criar graça das situações mais trágicas, em arrancar de uma farsa a sátira de seus dias, Dickens faz do bêbado excêntrico, do bufão sonhador, do mercenário calculista porta-vozes dos problemas da sociedade londrina. Para biógrafos, a maturidade tornou requintado o humor do autor - que já poderia tratar de problemas que o perseguiram por toda a vida com o olhar cético de quem não mais os teme. 

Pip será a síntese dessa desilusão. Ele é um órfão inocente sem sofisticação alguma, um ferreiro que almeja ascensão social e não pensará duas vezes em trocar suas roupas, seus amigos, seu passado e sua cidadezinha tranquila por uma Londres superficial, esnobe, marcada pelo crime e pela opressão. A metáfora do rio Tâmisa - puro no interior do país e poluído e corrompido ao sair da metrópole - serve para demonstrar como um jovem bondoso se torna um monstro devido à moral de onde vive. 

Quando era uma criança inocente, porém, Pip ajudara Abel Magwitch, um fugitivo da Justiça. O humor leve não esconde a crítica ao sistema judicial falho, que pune os comuns com a dureza da Justiça cega. É Magwitch, justamente, quem irá custear seus estudos, sendo responsável por sua ascensão social. Pip, porém, julgará que é a sra. Havisham, uma aristocrata fútil que ignora sua existência e para quem ele trabalha. A filha dela, a fria Estella, o humilha, deixando-o ciente de sua condição e incitando-o a uma ascensão social desenfreada, que o faça valer seu amor. 

Que Magwitch é o responsável por sua riqueza, além de ser pai de Estella, a quem Pip ama, é um segredo mantido por Dickens, ao prender a narrativa à perspectiva da primeira pessoa. Só mais tarde ele saberá que Magwitch era o pai de Estella, que a sra. Havisham não era mãe dela e que ele e Estella poderiam ser felizes.



amigos do educar

 
 
 


depoimentos

Marina Silva, Martha Medeiros, Nelson Motta e outras personalidades brasileiras revelam o impacto de uma boa Educação no futuro



recomendamos

MAIS LEITURA
Conheça atividades simples - e baratas! - que podem transformar seu filho em um pequeno grande leitor

TESTE
Você sabe lidar com seu filho adolescente?

mais lidos

VESTIBULAR
Os 100 melhores livros da literatura brasileira para você ler uma vez na vida

FÉRIAS E FILMES
Uma seleção de filmes que passam grandes lições e podem tornar as férias mais divertidas

blogs

Realização

Apoio