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LITERATURA

Harmada

Romance-chave na trajetória artística João Gilberto Noll, ele revela estados esquizofrênicos mas acena com uma esperança utópica


11/07/2011 15:40
Texto Daniel Schneider e Thiago Minani
Bravo
Foto: Dulce Helfer
João Roberto Noll
Com um ritmo intenso, para alguns a narravtiva de João Roberto Noll é considerada esquizofrênica
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A narrativa Harmada, publicada em 1993, está entre as mais importantes da literatura brasileira contemporânea. Ela mostra a vida de um ex-ator de sucesso que vaga sem rumo por um país inominado da América Latina, e anseia por chegar à capital, Harmada. O país, claro, é uma paródia do Brasil, sua sociedade e seus costumes.

Para provar a si mesmo e a quem está lendo o seu estado de "além- liberdade”, o protagonista se esbalda em lama horrivelmente fétida e participa de orgias sexuais ao lado de outros atores. Após andar à deriva, passa a viver num asilo de mendigos. Lá encontra Cris, filha de alguém por quem tivera uma paixão fulgurante e fugaz. Com ela, sonha em retornar a Harmada, mas se vê retido por uma paralisia. Consola-o o projeto de montar um espetáculo de teatro.

A história constitui uma nítida transmutação por que passou a obra de João Gilberto Noll. Há grandes diferenças, por exemplo, com A Fúria do Corpo (1981), em que ser social oprimido pelas forças coercitivas da sociedade contemporânea almeja uma liberdade total e plena. Já em Harmada o narrador, crendo-se livre dessas tais "pressões externas”, busca um não-sei-quê além da liberdade. Afora isso, e também ao contrário de suas narrativas predecessoras, em que os personagens vagam a esmo, aqui se parece divisar ao longe um norte, uma esperança ainda que utópica, representada por Harmada.

A obra não se pauta por um movimento linear. Pelo contrário, os fios do enredo se emaranham e abdica-se do uso freqüente do ponto, imprimindo um ritmo mais intenso, quase alucinante, ao texto. Já se aproximou a escrita de Noll dos estados esquizofrênicos. Conforme analisa o jornalista e crítico José Castello, o protagonista se "afoga num pântano lingüístico: como entre os esquizofrênicos, seu espírito está fendido e os pensamentos o asfixiam. Harmada, a capital, vem ampará-lo nessa vagueação”. Outro fator peculiar à prosa de Noll está no fato de a narrativa ostentar elementos que lembram aos leitores visões cinematográficas no desenrolar das tramas, numa descrição vívida de sensações, cores, sentimentos e sons.

João Gilberto Noll nasceu em Porto Alegre, em 1946. Em 1967, entrou para o curso de letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Dois anos depois, abandonou o curso e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou para o jornal Última Hora. Em 1970, publicou seu primeiro conto, Roda de Fogo, numa coletânea elaborada pelo escritor e poeta gaúcho Carlos José Appel. Mudou-se para São Paulo e começou a trabalhar como revisor. Em 1975, de volta ao Rio, começou a lecionar na Pontifícia Universidade Católica, no curso de comunicação social.

Em 1980, um ano depois de concluir seu curso, publicou seu primeiro livro, O Cego e a Dançarina. Lançou ainda, entre outros, Hotel Atlântico (1989), O Quieto Animal da Esquina (1991), Berkeley em Bellagio (2002) e Lorde (2004). Obteve três prêmios Jabuti. Suas obras, muitas das quais adaptadas para o cinema e o teatro, foram traduzidas e estudadas nos Estados Unidos e na Inglaterra.

 



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