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LITERATURA

Galáxias

Livro-poema de Haroldo de Campos que marca sua ruptura com o concretismo


Bravo

01/08/2008 12:53

Texto
Daniel Schneider e Thiago Minani

Foto: Marcos Rosa
Haroldo Campos

Haroldo Campos, escritor

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Prosa ou poesia? Talvez "proesia", como já foi sugerido sobre esta obra de Haroldo de Campos (1929-2003). Ou, nas palavras do próprio autor, "audiovideotexto, videotextogame". Galáxias (1984) é de difícil classificação. Na literatura brasileira, constitui projeto único.

Trata-se de um conglomerado de palavras, referências e recursos barrocos, dispostos num longo encadeamento de imagens e significantes que deixam entrever alguns resquícios de narração. Não há pontuação ou letras maiúsculas. Também não há interrupções, exceto pelo branco da página, que se opõe ao que nela está registrado. A unidade temática, segundo o artista-acadêmico-tradutor, está somente na “viagem como livro e o livro como viagem”. Para construí-la, ele transcendeu os valores do Concretismo que ajudou a erigir para impulsionar a convergência entre literatura nacional e universal. Diferentes línguas e influências atuam no e sobre o texto, arrancando dele a unidade cultural que costumeiramente cercearia suas liberdades. Resulta daí uma obra livre, na qual, segundo Paulo Leminski, caberia tudo.

Diferentemente dos poemas mais famosos do irmão, Augusto de Campos, este Galáxias é bem pouco conhecido entre o público não-especializado. Um dos motivos foi provavelmente a escassez de exemplares da primeira edição. Para alguns críticos, o desconhecimento se deve à monotonia e ao excesso de invencionismo. Polêmicas à parte, é inegável que Haroldo trouxe contribuições à literatura contemporânea brasileira. 

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