Visconde de Taunay (1843-1899) escreveu mais de uma dezena de livros. No entanto, não fosse por A Retirada de Laguna e Inocência, ele estaria relegado à galeria dos autores menores, aqueles que se limitam a reproduzir os modismos de seu tempo sem operar sobre eles a dimensão criadora. E o próprio autor sabia disso, quando, sobre as duas obras, disse ao então imperador d. Pedro 2o: "Eis as asas que me levarão à eternidade".
Mais de um século depois, o regionalismo romântico simples e sóbrio de Retirada e, sobretudo, de Inocência ainda surpreende. Esta última teve, desde sua época, boa acolhida. Lançada inicialmente em folhetim, foi publicada em livro em 1872. Virou ópera, teatro e teve três adaptações cinematográficas. O êxito se deve, em parte, à trama simples e comovente: o jovem Cirino viaja ao cerrado mato-grossense e se apaixona pela bela Inocência, filha do rude Pereira e já prometida para o vaqueiro Manecão. Há a presença de um naturalista alemão, que também se encanta com Inocência, mas parte logo em seguida. O final da história é trágico - rejeitado pela moça, Manecão atira à queima-roupa em Cirino, que, antes de morrer, perdoa o algoz numa cena carregada de espírito romântico.
Militar na mocidade, Taunay usou as lembranças da Guerra do Paraguai para descrever de maneira precisa os elementos de sua obra A Retirada de Laguna. Fugiu, assim, aos freqüentes exageros do contemporâneo José de Alencar.
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