Apesar de sua importância para a Semana de Arte Moderna em 1922 e de ter sido um dos líderes do movimento, o paulista Menotti del Picchia (1892-1961) foi deixado de lado pelos nomes maiores que assumiram a dianteira das inovações estéticas. Dono de obra irregular e muitas vezes seduzida pelos modismos, o poeta não concretizou, na prática, as rupturas que defendeu em teoria.
De qualquer modo, o poeta logrou sucesso na combinação de estilos, e o melhor exemplo é Juca Mulato (1917), poema sertanista publicado no começo de sua carreira. Sucesso estrondoso, deu ao seu protagonista – que confere nome à obra – grande reconhecimento pelo público, a ponto de superar o próprio autor na popularidade.
Juca Mulato, apelidado na época de “gênio triste da nossa raça”, era um caboclo do mato apaixonado pela filha da patroa. Angustiado com o sentimento, lança-se na tentativa de aplacá-lo. Recorre a um curandeiro e chega a buscar a morte, da qual é resgatado por seres da natureza. Simples, curto e eficaz na comunicabilidade, o poema utiliza-se da linguagem coloquial nas falas de Juca, mas não abandona a rima. Essa atitude conservadora era, para os modernistas, apenas a ponta de um estilo incompatível com as mudanças profundas almejadas pela Semana de 22.
Nas obras seguintes, perdeu-se o que havia de original em Juca Mulato. Os personagens tornaram-se esquemáticos. Ainda assim, o escritor conquistou elogios de Mario de Andrade com o romance O Homem e a Morte, publicado em 1922.
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