PROCURAR:

Educar para crescer

LITERATURA

Lira dos Vinte Anos

Exemplo maior do ultra-romantismo brasileiro, o poeta Álvares de Azevedo assimilou as influências de Lord Byron e Alfred de Musset


Bravo

01/08/2008 16:49

Texto
Daniel Schneider e Thiago Minani

Foto: Paulo Liebert
 Busto de Álvares de Azevedo

Busto de Álvares de Azevedo em frente à Faculdade de Direito do Largo São Francisco,onde desde cedo ganhou fama por brilhantes e precoces produções literárias

----- PAGINA 01 -----

A obra e a figura de Álvares de Azevedo (1826-1864) ficaram na história da literatura brasileira como exemplo mais bem-acabado do chamado Ultra-Romantismo. Em seu livro Lira dos Vinte Anos, reunião de poemas publicados postumamente (como, aliás, toda sua obra o foi) em 1853, encontra-se a produção mais extraordinária do seu grupo no Brasil.

Nos anos de 1840 e 1850, a influência do inglês Lord Byron e do francês Alfred de Musset foi decisiva para uma geração de poetas me todo o mundo. Temas como a morte, o tédio da vida, os amores inatingíveis (fruto de devaneios), a melancolia profunda, erotismo e auto-ironia marcam autores que morrem muito cedo. Além do paulista Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu (1839-1860), Junqueira Freire (1832-1855) e Laurindo Rabelo (1826-1864) faziam parte dos ultra-românticos, também conhecidos como poetas do "mal-do-século", do byronismo.

No prefácio da primeira parte de Lira dos Vinte Anos, que se divide em três, fica evidente já a sensibilidade extrema do autor: "E agora que despi a minha musa saudosa dos véus do mistério do meu amor e da minha solidão, (...), ó meus amigos, recebei-a no peito e amai-a como o consolo, que foi, de uma alma esperançosa, que depunha fé na poesia e no amor - esses dois raios luminosos do coração de Deus". Nesta e na terceira parte, predominam as referências à religião, às formas femininas, ao sonho, à adolescência, à família e, claro, à morte. Veja-se o exemplo de Adeus, Meus Sonhos!: "Misérrimo! votei meus pobres dias/ À sina doida de um amor sem fruto.../ E minh'alma na treva agora dorme/ Como um olhar que a morte envolve em luto.(...)". Na segunda, tem-se uma mudança de tom. O erotismo e o satanismo inserem-se nos versos desta parte, em cujo prefácio Álvares de Azevedo chama a atenção para dois personagens de Shakespeare, da peça A Tempestade: "Quase que depois de Ariel esbarramos em Caliban". Ariel representa o bem, o equilíbrio; Caliban, o mal. Essa atmosfera está em Idéias Íntimas: "Parece que chorei... Sinto na face/ Uma perdida lágrima rolando.../ Satã leve a tristeza!/ Olá, meu pagem,/ Derrama no meu copo as gotas últimas/ Dessa garrafa negra.../ Eia! bebamos!".

A obra de Álvares de Azevedo tem sido uma fonte rica para a crítica - e até mesmo para a psicanálise. Mario de Andrade chegou a analisá-lo em um ensaio para concluir - por intermédio da obra - que o poeta era homossexual. Limitando-se à avaliação da construção literária desse talentoso autor, em quem Machado de Assis viu um futuro promissor, é certo que Lira dos Vinte Anos sustenta-se como um dos pontos altos do Romantismo brasileiro.

O poeta, participante dos meios acadêmicos de São Paulo, bacharelado em letras aos 16 anos, morreu aos 21, vítima de um acidente ao andar a cavalo. Segundo alguns biógrafos, Álvaro sofreu fisicamente por cinqüenta dias. Escreveu também Poema do Frade, Conde Lopo, Noite na Taverna (contos) e a peça Macário.

  Leia mais:
- NOITE NA TAVERNA
- AS 100 OBRAS ESSENCIAIS NA LITERATURA BRASILEIRA

 

 


   Realização

   Apoio

rodape
Quem faz    |    |  
Política de Privacidade
rodape direita