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HABILIDADES NÃO-COGNITIVAS

Livros para falar sobre emoções

Uma boa maneira de cuidar das emoções de seu filho é falar sobre elas. E estes livros podem ser um bom começo para a conversa.


19/03/2015 11:18
Texto Cynthia Costa
Educar
Foto: Thays Aguiar
Foto:
"Por meio dos contos de fadas, a criança entra em contato com emoções como medo, tristeza, pena, alívio etc. sem sair da fantasia", diz Kall Sales.

Desde pequena, a criança que tem contato com a ficção mergulha em um mundo de fantasia e imaginação, passando a enfrentar as aventuras junto com os seus personagens. Ao envolver-se com a história que é contada, ela percebe que, assim como as personagens, é capaz de enfrentar as dificuldades da vida. Daí a importância, entre outros motivos, de usar a literatura para ensinar os pequenos a assimilarem suas angústias, tornando-os mais estáveis emocionalmente.

Habilidades não-cognitivas Especial Habilidades não-cognitivas
Veja porque estimular competências como sociabilidade, curiosidade e dedicação no seu filho.
Nesta série especial do Educar, selecionamos livros que incentivam, de alguma forma, o desenvolvimento das chamadas habilidades socioemocionais, como a estabilidade emocional. Aproveite as dicas para ler junto com o seu filho: a leitura acompanhada - quando você lê para a criança - ou compartilhada - quando vocês leem o mesmo livro e depois o discutem - podem ser ferramentas fabulosas para reforçar os laços e aprender juntos. Aproveite a experiência para conversar sobre a mensagem da história, as personagens e qualquer outro tema decorrente da leitura.

A seguir, veja livros que incentivam o desenvolvimento da estabilidade emocional.

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Contos de fadas

É consenso entre os especialistas que contos de origem popular, carregados de mitologia, são grandes aliados da estabilidade emocional da criança - um dos motivos que fazem da leitura acompanhada entre pais e filhos uma experiência tão valiosa.

Palavra de especialista: "Por meio dos contos de fadas, a criança entra em contato com emoções como medo, tristeza, pena, alívio etc. sem sair da fantasia", enfatiza o pesquisador literário Kall Sales, de Fortaleza (CE). "Versões mais próximas das originais compiladas pelos Irmãos Grimm e por Perrault e Andersen são mais interessantes, pois não vêm revestidas pelas roupagens comerciais das mais recentes", aconselha.

Converse com o seu filho: De qual conto ele gosta mais? Por quê?

Faixa etária: 6-7 anos
2. O Catador de Pensamentos, de Monika Feth e Antoni Boratynski

Com belíssimas ilustrações, o livro conta a história de um homem chamado Rabuja que cumpre uma função bastante curiosa: recolher os pensamentos das pessoas todos os dias. O Senhor Rabuja, após recolher todos os pensamentos dos moradores da cidade, planta-os para que se renovem e possam existir sempre.

Palavra de especialista: "O livro mexe com a imaginação das crianças e mostra que mudar um pensamento ou uma ideia é sinal de inteligência. Os pensamentos podem ser renovados, e essa é a grande transformação exercida pelo Senhor Rabuja", considera a professora do Ensino Fundamental Márcia Scarpa, de Mauá (SP).

Converse com o seu filho: Que pensamentos vocês gostariam de cultivar? E quais não gostariam?

Faixa etária: 8-10 anos
3. Uma Ideia Toda Azul, de Marina Colasanti

Para trabalhar desde cedo a estabilidade emocional, nada melhor do que ler contos de fada, que reúnem arquétipos de sentimentos, medos e desejos e trazem uma valiosa carga mitológica, mostrando que a essência humana nunca muda. Neste livro de dez contos, que mistura seres românticos como fadas, príncipes e unicórnios, Marina Colasanti recria o gênero maravilhoso por meio de histórias poéticas e, ao mesmo tempo, bastante complexas.

Palavra de especialista: "Além do conto que dá nome ao livro, há Entre as Folhas do verde, no qual um ser híbrido - metade corça metade mulher - é alvo da caçada e do amor de um príncipe, e Sete Anos e Mais Sete, que narra o amor entre uma princesa e um príncipe sob a pressão e a resistência do pai da moça. Por considerar que o príncipe não está à altura da grandeza da filha, o rei resolve induzi-la a um sono profundo, com a esperança de que ela esqueça o príncipe. Ao saber disso, o príncipe decide dormir também. E é nos sonhos que os dois se encontram e são felizes para sempre", relata a professora Márcia Scarpa, que trabalhou o livro com turmas do 6º ano. "É um privilégio apresentar um livro como esse para as crianças. A experiência de leitura se torna tão prazerosa que, mesmo quando o conto foge da expectativa do final feliz (como o que acontece com o conto Um Espinho de Marfim), o resultado é um desafio à imaginação imposto pelo elemento fantástico presente na obra".

Converse com o seu filho: Esses são contos para "degustar" juntos, deixando a imaginação voar longe. Não se trata de extrair deles "lições", mas sim de se deixar invadir pela fantasia e, assim, trabalhar indiretamente os sentimentos.

Faixa etária: 11-12 anos
4. Pollyana, de Eleanor H. Porter

A conhecida trajetória da garotinha órfã, Pollyana, que é criada por uma tia rica e rígida. Ela ensina às pessoas ao seu redor o "jogo do contente": ver algo bom mesmo nas ocorrências mais desagradáveis.

Palavra de especialista: "Apesar de ter virado um clichê e das críticas de ser otimista em demasia e utópico, Pollyana é um bom livro, e adequado para essa faixa etária, que mostra como a forma como enxergamos as coisas pode torná-las menos desagradáveis", lembra o professor Davi Gonçalves, de Maringá (PR), completando: "Tudo dependeria da nossa perspectiva, da nossa vontade de sofrer e/ou aprender".

Converse com o seu filho: Vocês se consideram "Pollyanas"? Em que situações demonstram otimismo?

Faixa etária: 13-14 anos
5. Mãos de Cavalo, de Daniel Galera

Um romance que intercala dois tempos: a adolescência e a idade adulta do personagem Hermano. De muitas formas, vemos em que medida o passado do jovem masoquista influencia no presente do respeitado cirurgião plástico - suas escolhas, seu comportamento muitas vezes estranho, seu olhar sobre os outros, seu fascínio por sangue e, principalmente, seus traumas.

Palavra de especialista: "O livro é um dos grandes romances brasileiros desse início de século e é bastante interessante para discutir o tema da estabilidade emocional, ainda que possamos entendê-la, aqui, como instabilidade", pondera o professor de literatura Vinicius da Silva Rodrigues, que também é membro do grupo de música e educação Cancioneiros. Por meio da superação de antigos fantasmas, o protagonista resolve frustrações do presente - assim, transmite ao adolescente a ideia de reavaliação da própria trajetória.

Converse com o seu filho: Há algo no passado de vocês que impacta de maneira negativa no presente? Por ser um assunto íntimo e difícil, você mesmo pode começar dando um exemplo de sua vida. Pode ser um bom momento para uma conversa sincera em família.

Faixa etária: 15-17 anos
6. Sinuca embaixo d’água, de Carol Bensimon

A rotina de um grupo de personagens é modificada pela morte trágica de uma jovem num acidente de carro. Afetados direta ou indiretamente pelo fato, as diferentes figuras tomam a voz narrativa cada um a seu tempo, constituindo um romance polifônico calcado na imagem de uma personagem ausente.

Palavra de especialista: O professor porto-alegrense Vinicius da Silva Rodrigues destaca a questão da perda, e de como cada pessoa lida com ela de forma singular, como o fio da meada para se trabalhar a estabilidade emocional com base no livro. "Carol Bensimon, uma das grandes escritoras da safra mais recente da literatura brasileira, costura habilmente todas essas vozes, impelindo-nos a analisar as diversas formas de se lidar com o luto", explica ele.

Converse com o seu filho: Este livro é uma boa opção para adolescentes que já sofreram ou estão sofrendo a perda de um ente querido - não porque funcione como autoajuda, mas porque mostra como o luto é incontornável e como cada um encontrará um ponto de equilíbrio para atravessá-lo.

Faixa etária: 15-17 anos
7. Maus - A História de um Sobrevivente, de Art Spiegelman

Exemplo de clássico do mundo dos quadrinhos de tema maduro, Maus foca na tarefa do protagonista Art de trazer à luz os relatos do pai, sobrevivente do Holocausto, na medida em que tenta, também, superar o trauma da perda da mãe.

Palavra de especialista: "Poderíamos tratar de duas habilidades não-cognitivas em relação a esta obra: a mais evidente é a associação com a ideia de estabilidade emocional, afinal, trata-se de um relato do Holocausto. A outra é a determinação, já que Vladek, o pai de Art, supera muitos obstáculos para manter-se vivo no período em que ficou preso em um campo de concentração nazista", esclarece o professor de literatura Vinicius da Silva Rodrigues, de Porto Alegre (RS), comentando, ainda: "Maus é um dos grandes clássicos dos quadrinhos (lançado num ano crucial para o gênero, 1986, mesmo ano de Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons, e de O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller), além de ser uma obra fundamental tanto para conhecer as possibilidades vastas que não costumam ser notadas na linguagem artística dos quadrinhos, quanto para debater a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto". Converse com o seu filho: A primeira consideração, aqui, é a própria proposta de ler uma história em quadrinhos que nada tem de infantil, nem trata de super-heróis. É interessante, inclusive, debater os desenhos. As noções de genocídio e de sobrevivência, embora possam parecer duras demais para jovens, podem ser ótimos ganchos para conversas sérias entre eles e os adultos. Essas conversas serão ainda mais produtivas se acompanhadas de livros de História.

Faixa etária: 15-17 anos
8. A Maçã Envenenada, de Michel Laub

O fato público do suicídio de Kurt Cobain é o nó entre duas trajetórias: a de um rapaz que deixou de ver o show da sua vida - a apresentação da banda Nirvana no Brasil em 1993 - e acabou não se despedindo adequadamente da ex-namorada - que morreu - e a de Imacculeé, sobrevivente do genocídio de Ruanda, ocorrido próximo à morte de Cobain, em 1994.

Palavra de especialista: "Chama a atenção, principalmente, a história da mulher, que venceu adversidades bem mais drásticas, como a perda de toda a sua família, e as enfrentou de maneira corajosíssima", ressalta o professor de literatura Vinicius da Silva Rodrigues, que indica o livro para tratar das prioridades - na vida, o que será que realmente importa? - e, consequentemente, da capacidade de lidar com as perdas e frustrações.

Converse com o seu filho: Para um adolescente, perder o show de seu ídolo pode parecer o fim do mundo. Assim como ter qualquer um de seus desejos negados, ou ir mal numa prova para a qual estudou. As emoções estão à flor da pele, e as frustrações nunca na vida parecerão tão duras. Mas isso não significa que precise ser uma sangria desatada: pais e filhos podem debater as prioridades, o que lhes é de fato valioso, e chegar a um acordo - esse livro pode ajudar nessa tarefa.

Faixa etária: 15-17 anos

 

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